Uma ameaça à saúde pública


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O que leva uma pessoa a brincar não apenas com a própria, mas também com a vida de centenas de milhares de pessoas? Ganância? Falta de apreço para com a existência? Aposta no lucro fácil? São motivos bem vis a colocar semelhantes em risco, como vinham fazendo donos de pelo menos três fábricas clandestinas, montadas para falsificar agrotóxicos. Trata-se de situação de alto risco, capaz de causar contaminação não apenas aos consumidores dos alimentos que tenham recebido a aplicação da substância falsa, estendendo-se aos que manipulavam os produtos químicos e até aos vizinhos, tão perigosas são as substâncias da fórmula venenosa.
 
Em apenas dois dias, a polícia de Franca descobriu pelo menos três barracões onde acontecia a falsificação que poderia causar um grande problema de saúde pública. Não se sabe ainda há quanto tempo esta quadrilha vinha agindo e quanto defensivo falso teria sido vendido e utilizado. Porém, o grau de sofisticação do ferramental encontrado mostra um grupo altamente organizado. Só os equipamentos e o material químico apreendidos têm uma avaliação informal de cerca de R$ 11 milhões. Louve-se, neste caso, o trabalho da polícia que, embora tenha chegado ao primeiro barracão por acaso, aprofundou-se nas investigações e acabou com este esquema criminoso.
 
A busca pelo lucro fácil e o total desprezo pelo semelhante deixam clara a opção pelo crime. Todo o dinheiro investido na falsificação dos defensivos agrícolas poderia ser aplicado num negócio regular, criando empregos e fortalecendo a economia local. Mas não: a montagem de um esquema criminoso e ilegal, além de extremamente perigoso, permite lucros maiores, sem o pagamento de impostos e taxas exigidas por um negócio legal e regular. Quem assim age merece ser julgado, condenado e preso, recebendo uma punição exemplar diante da gravidade de seu crime.
 
Resta agora à polícia prosseguir nas investigações e descobrir os responsáveis pela falsificação. Outro ponto importante é rastrear o caminho do agrotóxico falso e identificar quem o comercializava. Tendo entre seus componentes substâncias de enorme potencial letal, que podem causar danos à saúde dos aplicadores e dos consumidores dos produtos por eles absorvidos,a venda é terminantemente proibida no país. O trabalho de desmonte da quadrilha vai exigir ação enérgica de todos os componentes da equipe do 3º Distrito Policial, comandada pelo delegado Leopoldo Gomes Novaes.
 
Somente se for desbaratada toda a cadeia que envolvia a falsificação, distribuição e venda destes produtos falsos poderemos ter a certeza de que a população estará livre de se contaminar com tais produtos, a maioria deles proibida pelas autoridades sanitárias e veterinárias não só do Brasil, mas de grande parte do mundo. Diante dos problemas que já enfrentamos no nosso dia a dia, não podemos encontrar pelo caminho mais uma ameaça como essa, invisível, mas potencialmente danosa. Agora que já deram o pontapé inicial nas investigações, espera-se que as autoridades policiais aprofundem as buscas para chegar aos criminosos que vinham colocando muitas vidas em risco.
 
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