Eleições 2014: urnas desmentem números mirabolantes de candidatos


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O campeão de contas que não fecham é Cristiano Crico
O campeão de contas que não fecham é Cristiano Crico
Toda eleição é a mesma coisa: no desespero para tentar fisgar a preferência dos eleitores, candidatos fazem contas mirabolantes e divulgam números irreais de votos que, supostamente, precisam para se eleger. A tática é divulgar uma quantia baixa para tentar passar a falsa impressão de que, por ser o que menos precisa, é o que mais tem chance de ganhar. Mas, sempre que as urnas são abertas, as projeções não batem e a verdade vem à tona. Com raras exceções, ninguém é eleito se não tiver uma expressiva votação.
 
O campeão de contas que não fecham é Cristiano Crico, que disputou as eleições para deputado federal pelo PHS. Dependendo do humor e do lugar que estava, o então candidato falava um número, sempre mais baixo do que os dos concorrentes. Chegou a falar em 5 mil, 8 mil e 15 mil. “Nós estamos em uma posição política favorável. O PHS naturalmente fará de dois a três deputados. Não existe nenhum partido que esteja disputando as eleições aqui em Franca que consiga começar a fazer deputados com essa margem”, disse ele na sabatina do GCN em agosto.
 
Há uma semana das eleições, divulgou propaganda nas redes sociais falando das dificuldades dos adversários e de suas “facilidades”. Tentava convencer os eleitores de que era o que mais tinha chances por precisar de apenas 25 mil votos. “É por isso que eu ‘crico’ no Crico”, dizia o locutor.
 
Os eleitores, aparentemente, não se deixaram iludir. Apenas 3,2 mil clicaram seu número e ele, último colocado, passou muito longe de uma vaga em Brasília. Aliás, não só ele, como ninguém do partido, mesmo com candidato atingindo 32,6 mil votos (acima do limite projetado por Crico) se elegeu.
 
Adérmis Marini (PSDB) também apostava em um número inverídico. Apesar dos históricos de eleições anteriores e de todas as evidências apontarem que um candidato do partido precisaria em torno de 120 mil votos para se eleger, ele insistia em entrevistas e conversas com amigos que entraria com 80 mil.
 
O último candidato da coligação do PSDB a se eleger foi Alexandre Leite (DEM), que recebeu 109, 7 mil. Mendes Thame (PSDB), que teve expressivos 106,6 mil, ficou como suplente. Adérmis somou 25,3 mil.
 
Ubiali (PSB) calculava que entraria com 70 mil votos. Flavinho foi o último a entrar pelo seu partido com 90,4 mil. Graciela (PP) projetava uma linha de corte em torno de 75 mil votos. O último da coligação a entrar foi Walter Ihoshi (PSD), com 88 mil. Junji Abe (PSD), com 79,9 mil, ficou na suplência. A delegada fechou com 59,4 mil.
 
Corrêa Neves Jr. (PV) acreditava que era possível se eleger com 60 mil. Na verdade, daria para entrar com um pouco menos: Sinval Malheiros (PV) entrou com 59,3 mil. Corrêa totalizou 29 mil votos. “As contas mentirosas prejudicam, pois dispersam votos. Eu fico muito orgulhoso de ter feito uma projeção honesta. Passei a campanha inteira dizendo: ‘Se eu fizer 60 mil votos, eu entro pela porta da frente do Congresso Nacional’. Graças a Deus, era uma verdade”, disse Corrêa Jr.
 
Na disputa para estadual, a maior diferença entre estimativa e realidade ficou por conta dos números de Ulisses Pinheiro (PSol). Ele achava que dava para entrar com 13 mil votos. O menos votado eleito do partido precisou de 47,9 mil.

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