‘Se não tivesse o voluntariado o que seria da população?’


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Presidente do Rotary, Antônio Carlos Anastácio comemora as experiências proporcionadas pelos intercâmbios do clube de serviços e o sucesso do Fest Bar. Evento nasceu para sustentar uma creche e hoje consegue ajudar outras entidades
Presidente do Rotary, Antônio Carlos Anastácio comemora as experiências proporcionadas pelos intercâmbios do clube de serviços e o sucesso do Fest Bar. Evento nasceu para sustentar uma creche e hoje consegue ajudar outras entidades
Aos 61 anos, o comerciante aposentado Antônio Carlos Anastácio está à frente da presidência do Rotary Franca Imperador. Sua gestão iniciou em julho e inclui os desafios de coordenar um grupo sério e comprometido com o trabalho voluntário. Sócio-fundador, Anastácio faz parte do clube há 28 anos. Em entrevista ao Comércio, ele falou sobre o empenho e também de como é gratificante ser rotariano. “Temos que ficar empenhados, disponíveis para qualquer ação, mas ao mesmo tempo tem um outro lado de você ser um rotariano. Eu, por exemplo, não fico desprotegido em nenhum lugar que estiver porque somos uma família.”
 
Além de realizar diversas ações sociais e ajudar inúmeras entidades da cidade, o Rotary Franca Imperador promove também o Fest Bar, evento que já se consolidou na cidade e que tem toda sua renda arrecadada distribuída para a Creche Miramontes, gerenciada pelo Rotary, e outras entidades. Este ano, a 9ª edição do Fest Bar teve que ser brevemente interrompida após um incêndio atingir e destruir o depósito no Complexo Poliesportivo, onde o evento é realizado. Mesmo assim, Anastácio garante que o imprevisto não comprometeu o sucesso do evento. “Os francanos podem esperar que o ano que vem será melhor ainda.”
 
Como nasceu o Rotary Franca Imperador?
Fundamos o clube em novembro 1986. No início, nos reuníamos na casa de um rotariano. Depois foi aumentando, formou-se um grupo e chegou a hora de dar um nome a ele e nós escolhemos Franca Imperador. Em Franca havia cinco clubes e hoje nós estamos com três, mas os três estão bastante fortes. Eu, particularmente, tenho 28 anos de Rotary em minha vida. 
 
E como é participar das ações do clube por quase 30 anos?
O clube é uma união de pessoas que são consideradas uma família. São amigos em um clube de serviços. Nós brincamos que nós pagamos para trabalhar. Pagamos mensalidade, porque existe um custo. As famílias têm um entrosamento muito grande. Dentro do clube tem a Casa da Amizade, que é gerenciada pelas mulheres e também é uma entidade que ajuda a população. Portanto, os homens e as mulheres fazem parte do Rotary. Existe esta união na família.
 
Atualmente quantas pessoas fazem parte do Franca Imperador e quais são as regras para participar do clube?
Hoje estamos em 30 membros. Já teve mais, mas hoje a média dos clubes é de 20 a 35. Primeiro fazemos um convite através dos perfis das pessoas. A pessoa participa de algumas reuniões como convidada e se o clube todo aprová-la é feito o convite oficial para ela poder ingressar.

Qual o objetivo de existir os clubes de serviços como o Rotary?
O Rotary é praticamente uma ONG, mas uma ONG diferenciada. Rotary, Lions e a Maçonaria começaram antes das ONG’s, há muitos anos. A finalidade é fazer alguma coisa para a comunidade. No início, a principal meta do Franca Imperador era a nossa creche. É um trabalho que já foi muito difícil, mas hoje está muito bem. Se não tivesse este voluntariado o que seria desta população? Não falo apenas do Rotary, mas sim de todos aqueles que de alguma formam se empenham em ajudar aqueles que precisam.
 
Além da manutenção da creche, o clube presidido atualmente pelo senhor realiza diversas outras ações sociais na cidade e que muitas vezes não são divulgadas.
É verdade. Já ajudamos a Apae com 60 mil dólares e na época foi o dinheiro foi utilizado para a compra da cozinha para a entidade. Fizemos também projetos para camas hospitalares e cadeiras de rodas. À Santa Casa já demos uma máquina computadorizada para fazer ultrassom. Tem também um projeto em que ganhamos litros de leite, uma vez por ano, e que são doados para creches. Quem trouxe este projeto para nós foi o Rotary Franca Oeste, que se fundiu com o nosso clube.
 
O que motiva o senhor a ajudar nesses trabalhos há tantos anos?
Ajudar é muito bom, mas não pode sofrer para fazer o bem. Muitas vezes o trabalho é cansativo, mas não é um sofrimento. Além disso tem também o outro lado de você ser um rotariano. Tem algumas benfeitorias. Eu não fico desprotegido em nenhum lugar que estiver porque somos uma família. Meu filho está na Califórnia, ele não foi pelo Rotary porque já tem 23 anos (o projeto de intercâmbio do Rotary é voltado para adolescentes), mas mesmo assim tem a vantagem de conseguir um estágio mais fácil lá. Então, por que ser rotariano? Por conta desta amizade, deste companheirismo que você e sua família tem.
 
Falando em viagens para o exterior, o Rotary também é conhecido pelos intercâmbios que intermedia. Como está esse projeto em Franca?
O intercâmbio do Rotary é destinado a jovens menores de idade. É um intercâmbio muito forte realmente. Nós mandamos um jovem para fora e recebemos um. Já tivemos intercambiários do Japão, da França, dos Estados Unidos e atualmente estamos com um do México. Não é só rotariano que pode participar. O ideal é fazer a ficha com a idade de 15 anos. Basta procurar a sede do Rotary para se cadastrar e seguir para as próximas etapas de aprovação. Existe também um intercâmbio de profissionais que o Rotary banca em partes.
 
E como é receber estes intercambiários em Franca?
Eles ficam conosco por um ano e quando vão embora costumamos nos emocionar, dá vontade de chorar porque tanto nós quanto eles nos apegamos muito. É incrível porque lá fora eles pensam no Brasil de uma forma e quando chegam descobrem que a realidade é outra. Lá eles pensam que ao chegar aqui irão ver macaco, cobra e índios nas ruas. Só que quando eles chegam em uma cidade como São Paulo e pegam uma Bandeirante e uma Anhanguera se perguntam ‘cadê o Brasil? Será que eu já cheguei?’ Teve uma japonesa que falou isto para nós. Ela disse que não achava que estava no Brasil ainda. Eles vêm para Franca e nós organizamos passeios para eles ao Pantanal, Manaus e vários outros locais para turismo, mas o Brasil que vivenciamos diariamente aqui em Franca não é aqueles que eles conhecem lá fora.
 
E como é a experiência dos francanos que realizam este intercâmbio através do Rotary?
Eles voltam com uma bagagem muito grande. Os jovens vão para a casa de famílias e são obrigados a ficar durante o ano na casa de, no mínimo, três famílias. Isto é para não criar um vínculo tão grande com elas. As famílias cuidam dos intercambiários como se fossem um filho e os levam aonde forem. Eles também frequentam escolas. Todo intercambiário que vai ou vem é ingressado em uma escola. Um jovem de 16, 17 anos que sai de casa e fica um ano fora, volta outra pessoa.
 
O Rotary mantém um relacionamento com os intercambiários?
Sim. Tivemos uma intercambiária alemã, isto faz mais de dez anos, que veio e adorou. Ela é filha de um maestro na Alemanha que tem uma orquestra de jovens na universidade. Ela veio e gostou tanto que voltou depois trazendo o pai e toda orquestra para Franca. Demos dois shows beneficentes em Franca e lotou.
 
O Franca Imperador realizou este ano a 9ª edição do Fest Bar. Como nasceu a ideia de realizar o evento?
Começou pequeno. Um companheiro esteve em Belo Horizonte e viu um festival de comida de buteco lá. Ele trouxe a ideia e nós começamos a realizar aqui. Começou como uma quermesse com dez, onze bares no Shopping do Calçado. O primeiro deu muito certo, o segundo deu mais certo ainda. No terceiro teve um vendaval que acabou com a festa. O quarto e o quinto deram certo e foram tomando grandes proporções. Chegamos à nova edição.
 
Neste ano, o Fest Bar reuniu 21 bares e restaurantes. Foram 12 estabelecimentos participantes na primeira edição. Como é para o Rotary ver um evento que começou despretensioso se tornar consagrado na cidade?
A maioria das pessoas está sabendo o que é Rotary por conta do Fest Bar. É gratificante, apesar de ser muito trabalhoso. O Rotary, por ser de linha muito correta, obriga as documentações destas festas estarem dentro de todas as normas. Se não tiverem dentro dos padrões exigidos por lei nós não fazemos a festa, mas ainda bem que é assim porque pode haver imprevistos como aconteceu nesta última edição. O mesmo transformador que fornecia energia para a festa fornecia energia para o almoxarifado no Complexo Poliesportivo. Como houve o incidente (incêndio) no almoxarifado, deu curto circuito no sistema de energia e a festa ficou sem fornecimento.
 
O incêndio interrompeu o evento e enquanto muitas pessoas acreditavam que a festa acabaria, ela retornou e prosseguiu. Mesmo assim houve um prejuízo alto?
Não foi fácil. Tivemos um prejuízo muito grande pelo que deixamos de ganhar. Mesmo assim a festa ainda deu lucro porque teve a quinta-feira, o sábado e o domingo. O sábado teve uma deficiência muito grande porque ninguém acreditava que a festa iria continuar.
 
Qual o destino do dinheiro arrecadado com o Fest Bar?
A primórdio o dinheiro arrecadado foi destinado para a nossa creche. Como hoje a creche está autosuficiente, nós começamos a designar este ano para outras entidades. Ajudamos a Santa Casa com R$ 10 mil e se não tivesse ocorrido o incidente teríamos condições de ajudar mais locais.
 
Como é o processo de escolha destas entidades que são beneficiadas?
A entidade tem que fazer um ofício comprovando o que ela está precisando. Mandamos quatro pessoas até o local para analisar as necessidades. Depois essas informações são submetidas a um grupo e o clube tem que aprovar. Geralmente não vai em espécie. Nós pagamos o que eles compram. Eles falam o que estão precisando, fazem as cotações e mandam a nota para nós pagarmos. Existem muitas entidades carentes em Franca. A partir deste ano nossos eventos serão em prol de outras entidades. Vamos procurar quem está precisando e será muito gratificante ajudar.
 
Tem alguma história que marcou o senhor durante esta trajetória no Rotary?
Tem muitas histórias boas. Me recordo que uma vez ajudamos, há alguns atrás, uma pessoa carente de Franca a se formar no Observatório de Música de Tatuí. Ele se tornou músico e é violinista. Isto é muito gratificante.

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