Time busca inspiração no passado para subir


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Empresário Manoel Silveira, hoje com 60 anos, segura a taça conquistada pela Associação Atlética Francana em 1.977. Momento de gloria serve de inspiração
Empresário Manoel Silveira, hoje com 60 anos, segura a taça conquistada pela Associação Atlética Francana em 1.977. Momento de gloria serve de inspiração
A Associação Atlética Francana completa neste domingo 102 anos de vida cercado de incertezas. O clube esmeraldino vira mais uma página de sua história, na data de 12 de outubro, sem ter o que comemorar. Se em campo, a Veterana coleciona campanhas frustrantes nos últimos anos, fora dele o cenário é alarmante. O clube convive com um “turbilhão” de dívidas pendentes, desde ações trabalhistas, FGTS, INSS e IPTU. O valor da dívida ultrapassa R$ 12 milhões. Mesmo diante desta situação de penúria, o clube tenta se manter em pé e busca no passado inspiração para resgatar momentos de glória e voltar a brigar pelo protagonismo nos gramados.
 
Mesmo distante, as lembranças do ano de 1.977 ainda estão nas memórias de dirigentes, torcedores e apaixonados pelo esporte. Naquele ano, no dia 4 de dezembro, a Francana conseguiu seu maior feito no futebol paulista. O time esmeraldino venceu o Araçatuba, por 2 a 0 (com gols de Zé Antônio e Antenor) e conquistou o direito de disputar a principal divisão do Campeonato Paulista, na época, chamada de Divisão Especial. 
 
O empresário francano Manoel Silveira, de 60 anos, tem boas recordações do time daquele ano. Manezinho esteve ao lado de Assis, Geninho, Antenor, Zé Mauro, Gaspar, entre outros, na principal conquista da Francana. Então jogador do Palmeirinhas do futebol amador, o então meia-esquerda Manezinho foi convidado pelo presidente do clube, Otto Sandoval, a treinar com os profissionais. 
 
A mudança para a lateral ocorreu em meio a um imprevisto na véspera do jogo contra o Palmeiras. Em litígio com a torcida, o lateral-direito ficou fora. O técnico José Chagas, o Eca, decidiu improvisar Manezinho no setor. E deu certo. “Pelo meu preparo físico, fui escalado para jogar na lateral e tive a incumbência de marcar nada menos que o ponta esquerda Nei, um dos melhores daquela época. Mas me saí bem e fui até considerado um dos melhores em campo”, relembra. 
 
Nesta semana, em entrevista ao Comércio, sentado na arquibancada do fundo da rua Simão Caleiro, Manezinho apontou o comwprometimento e união dos jogadores como fatores fundamentais para o sucesso do time em campo em 1.977. “Não tinha como dar errado. Era um grupo de 22 jogadores e quem era selecionado para jogar sempre mantinha o nível. O time era muito unido e não tinha vaidades. Nossa única derrota foi para o Barretos. Na fase final, ganhamos do São José, fora, e em casa decidimos o acesso contra o Araçatuba”, ressalta.
 
Manezinho deixou o futebol profissional em 1984, mas o carinho e apreço pelo time permanecem. Mesmo distante, o ex-jogador procura se manter informado. Manezinho se mostrou entristecido em relação ao atual cenário vivido pelo time da Simão Caleiro. “Fico sentido por ver um clube da grandiosidade da Francana chegar a esse ponto, com tantos problemas, dívidas e penhoras. Não era para ser assim, pois o clube tem tradição e um patrimônio grande se comparado com outros times do interior. Não deveria ser deixado de lado ou esquecido”, argumentou.
 
O profissional de merchandising, Júnior Rodrigo de Abreu Pereira, foi aclamado no mês de setembro novo presidente da Francana. Em suas mãos está a esperança de um ano promissor. O “combustível” pode vir com a conquista do passado. A Série A-3 deve começar em janeiro de 2015. 
 

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