Leve e perfumado


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Nas cores da bandeira italiana, o espaguete com tomates e manjericão é um clássico da culinária genovesa e se encontra presente nos cardápios de meio mundo
Nas cores da bandeira italiana, o espaguete com tomates e manjericão é um clássico da culinária genovesa e se encontra presente nos cardápios de meio mundo
Durante mais de duas décadas morei em apartamento. Espaçoso, acolheria bem vasos de plantas, se não ventasse um pouquinho por lá. Sempre quis ter ervas à mão, para colher na hora de serem colocadas nas receitas onde entrassem como ingredientes. Nada se iguala ao aroma das que vêm direto do canteiro para a cozinha. Por melhor refrigeradas que estejam nos varejões, perde-se muito do perfume, do verdor, da condição crocante. Mas acho que por não ter boas mãos para as plantas elas não vingavam.  Fosse no verão ou inverno, primavera ou outono, o clima ressecava meus hortelãs e coentros, desidratava minhas salsinha e cebolinhas, secava as pimenteiras e sálvias. O tomilho, delicadeza sem fim, estiolava fácil. E o manjericão, nativo das regiões mais áridas da Sicília, onde viceja até entre pedras, não chegava a viçar. Só mesmo o ressitente alecrim se mantinha verde. Ma non trppo. Então desisti.
 
Ao descer para regiões mais próximas do chão, tentei de novo. O Roberto, que mantém lindo jardim e horta na casa de minha nora Milena, se encarregou de cultivar os vasos por ela escolhidos, e assim formamos um canteiro na área de lazer de minha nova casa. Agora tenho cebolinha, a verdadeira, de folhas fininhas e não-babentas; salsa miúda de haste comprida; coentro de folha repicada, que embora não seja do agrado de muitos, é essencial nos pratos baianos: onde já se viu moqueca sem coentro? Até pode, mas foge ao paladar autêntico. Tenho também hortelã, que cai bem em tudo o que é refrescante e em infusão vira delicioso chá; o precioso tomilho de folhas miudinhas e gosto tão peculiar; duas espécies de manjericão, que muitos descendentes de italianos ainda chamam de basílico. Meu neto João me pergunta, se lhe peço para pegar umas folhinhas: “é o de folha larga ou de folha roxa”? Aprendeu logo a diferenciar uma e outra porque o pai Junior as usa muito nos pratos de massa; e para fazer o pesto. 
 
Originário de Gênova, o pesto alla genovesa é composto tradicionalmente de folhas de manjericão trituradas com sal grosso, alho, azeite extra-virgem, parmesão ralado e nozes. O uso das folhas mais novinhas da erva conferem ao molho um sabor todo especial. O importante na obtenção do vero pesto é misturar todos os ingredientes num almofariz que deve ser de mármore. Começa-se a remoer as folhas de manjericão com o sal grosso juntando depois os outros ingredientes. Aliás, aí está a origem do nome pesto. Pestare, em italiano, é moer. Onipresente no cardápio italiano, acompanha muitas massas, mas é de tradição no sul da Bota que pertençam à família trenete, um tipo de fetuccine. 
 
A que você vê nesta ilustração, porém, é o nosso muito consumido espaguete. O molho que o envolve é um pesto mais leve, que prescinde do parmesão porque este já comparece na finalização . Há ainda o detalhe de a receita pedir também mais um queijo, a muçarela de búfala, para ser misturada aos tomatinhos-cereja. É um prato bem leve, delicioso, muito fácil de fazer e de ampla aceitação. Não há quem não goste. E pode ser preparado em meia hora no máximo. 
 
Comece pelo molho. Lave as folhas do manjericão-de-folha- larga, deixe que sequem por alguns minutos sobre pano de prato, depois coloque-as no pilão e vá movendo em círculos a mão (do pilão) até que estejam bem trituradas e soltando um caldinho verde. Acrescente o azeite de oliva, o sal, e continue mexendo para que o molho fique bem espesso. Está pronta a versão na sua forma básica. Cozinhe o macarrão repeitando as indicações do fabricante: bastante água fervente, sal e o tempo estritamente necessário, marcado no relógio. Ele deve ficar al dente, firme e soltinho. Escorra e reserve. Numa frigideira larga, corra um fio de azeite. Junte os tomatinhos: metade deles cortados ao meio, a outra metade, inteiros. Vá mexendo com a colher de pau, esmagando de leve uns e outros. Quando as cascas começarem a se soltar, desligue a chama e agregue a muçarela de búfala cortada em pedaços menores se o formato original for grande. Caso contrário, deixe inteiras as bolinhas. Antes de começarem a derreter, coloque o macarrão e o pesto. Mexa rapidamente com dois garfos para que aos fios se misturem o molho, o queijo, os tomates. Monte o prato, acrescentando mais umas folhinhas de manjericão, uma breve pitada de pimenta-do-reino, um pequeno punhado de parmesão ralado. Pode servir e receber aplausos. 
 
 
INGREDIENTES
 
 300 gramas de espaguete n° 3
 200 gramas de tomates-cereja
 150 gramas de muçarela de búfala
 40 folhas (bem novas) de manjericão
 50 gramas de parmesão ralado
 1/2  xícara (chá) de azeite extra-virgem
 Sal e pimenta-do-reino a gosto
 
porção: 4 pessoas
dificuldade: fácil
preço: econômico

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