Desinformação só prejudica


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A falta de informação que ainda cerca a população mundial a respeito da epidemia de ebola, que já atingiu perto de 10 mil pessoas na África Ocidental (principalmente em Serra Leoa, Guiné e Libéria) tem ficado patente nos últimos dias, com a disseminação pelas redes sociais de boatos, inverdades e muitas lendas, principalmente em torno do contágio. Aqui no Brasil, que se via fisicamente muito longe do perigo, o primeiro caso suspeito de contaminação também foi capaz de causar medo, deixando claro que muito ainda precisa ser explicado para que grande parte de nossa população entenda o mecanismo do vírus ebola e do pouco perigo que ainda hoje representa, pelo menos em terras brasileiras.
 
O único caso suspeito, ou seja, que não foi confirmado, vem sendo tratado dentro das normas exigidas para ocasiões como esta. O monitoramento das pessoas que tiveram contato com o paciente está sendo feito adequadamente e o tratamento realizado na principal instituição de referência no País, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. Ou seja, ainda não há motivo para se preocupar. Ontem, o estado de saúde do africano da Guiné Souleymane Bah, 47, era considerado bom, com pouca febre e sem outros sintomas específicos da doença.
 
Ontem, vários posts nas redes sociais ligavam o ebola a indivíduos de cor negra, “recomendando” distância para evitar o contágio. Isto lembra o que ocorreu há três décadas, quando a Aids surgiu e foi relacionada aos homossexuais. Depois, viu-se que não era assim e uma injeção ou uma transfusão de sangue também poderia transmitir a doença, caracterizada pela destruição dos mecanismos de imunidade do organismo, ao ponto de uma simples gripe causar a morte do paciente. Foram precisos anos e campanhas sequenciais para que os mitos e crendices fossem abandonados. Mas ainda há quem tenha receio de apertar a mão do portador HIV positivo com medo do contágio.
 
O vírus ebola, ainda restrito à África Ocidental, mesmo diante de sua alta letalidade, só é transmitido pelo contato com os fluidos corporais dos infectados. E não é restrito a um grupo de indivíduos ou raça. Além disso, não se transmite pelo ar, como a gripe. O grande perigo, hoje, é permitir a entrada de cidadãos provenientes dos países onde a epidemia vem dando trabalho às autoridades médicas sem um acompanhamento mais próximo. Não se torna, ainda, motivo de preocupação para os brasileiros, uma vez que há apenas suspeita de que o paciente descoberto em Cascavel (PR) tenha contraído o vírus. A desinformação, além de causar episódios de segregação racial e pode ainda prejudicar o próprio combate ao surto, caso haja outros casos em nosso território. Até o momento, as autoridades médicas estão agindo corretamente ao cuidar do paciente suspeito seguindo todas as recomendações que se repetem nos EUA, Espanha e Alemanha, onde surgiram casos positivos. Não é hora de alarme.
 
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