Lamaçal na Petrobras


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Agora não há mais dúvidas: a Petrobras, a maior estatal brasileira, vinha sendo usada, nos últimos anos, para abastecer campanhas e políticos do PT, PMDB e PP. Pelo menos é o que deixaram claro o ex-diretor de abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef, os dois operadores do esquema. A dupla, presa no âmbito da operação Lava Jato da Polícia Federal, que mirava um esquema milionário de lavagem de dinheiro, presta depoimentos à Justiça Federal utilizando o instrumento da delação premiada.
 
Especialistas são unânimes em dizer que as informações prestadas por ambos devem ser respaldadas por amplas provas, cabendo aos acusados desqualificá-las. Afinal, os benefícios concedidos pela delação premiada (como a prisão domiciliar de Paulo Roberto Costa) podem ser cancelados diante de qualquer indício de leviandade. Ou seja: caso o réu minta ou não prove suas acusações, perde as vantagens já recebidas e as futuras, além de ter mais crimes acrescidos em seu processo. Assim, não interessa aos depoentes mentir, inventar, aumentar ou tentar enganar a Polícia Federal ou o Ministério Público.
 
Chama a atenção a convergência das informações prestadas por Costa e Youssef, que confirmam praticamente tudo o que Meire Poza, ex-contadora do doleiro, vem afirmando na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) em curso no Congresso Nacional. O pior de tudo é que o governo já começa a ficar sem argumentos para rebater tudo o que tem sido dito. Atualmente, há o discurso comum de que ‘não se pode comentar o que tem sido vazado à imprensa; não passam de ilações’. Porém, agora, gravações de áudio das últimas informações do ex-diretor da Petrobras começam a chegar ao conhecimento geral.
 
Trata-se de uma verdadeira porretada na campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição e que disputa o segundo turno do pleito presidencial-com o senador Aécio Neves (PSDB). A opinião pública começa a cobrar explicações, pois os depoimentos até agora mostram uma relação perniciosa, espúria e daninha à Petrobras que chega ao primeiro escalão da campanha da petista nas eleições de 2010. A minúcia dos detalhes apresentada por três pessoas distintas (Paulo, Yousseff e Meire), sem contato entre si, coloca em dúvida o desconhecimento da presidente-candidata do que ocorria na estatal (da qual ela foi presidente do Conselho de Administração sob o governo Lula), principalmente quando se diz que dinheiro da corrupção irrigou sua campanha à presidência.
 
O ‘Petrolão’, como vem sendo conhecido o escândalo de corrupção, deverá causar um terremoto na campanha petista, que parece ignorar o bombardeio que virá por aí, preferindo manter a estratégia desconstrutiva do adversário, falseando dados e escamoteando a verdade, o que não deu certo no primeiro turno. Ao não conseguir se eleger no primeiro turno de outubro, Dilma Rousseff vive um momento delicado e sua campanha pode desandar, porque há muita coisa ainda a ser divulgada. Para ela, agora já está difícil se explicar e defender a ação de seu governo (e do antecessor Lula) na Petrobras.
 
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