PC apreende R$ 6 milhões em agrotóxicos falsificados


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Policiais inspecionam agrotóxicos falsificados em chácara que funcionava como laboratório clandestino
Policiais inspecionam agrotóxicos falsificados em chácara que funcionava como laboratório clandestino
Policiais do 3º Distrito Policial de Franca realizaram ontem duas grandes apreensões de agrotóxicos falsificados. A polícia acredita que os produtos apreendidos estejam avaliados em pelo menos R$ 6 milhões. A suspeita é que a cidade funcione como base para uma quadrilha que distribui o defensivo agrícola adulterado para todo o país.
 
Na primeira ação, pela manhã, policiais que investigavam furtos perseguiram um suspeito que invadiu uma chácara, onde descobriram um laboratório clandestino de produtos para agricultura. A segunda ocorrência aconteceu à tarde, após denúncias anônimas. Foi estourado um depósito com uma quantidade ainda maior de agrotóxicos falsificados, no Distrito Industrial. Rótulos, embalagens e caixas para armazenamento, além de equipamentos para a produção dos defensivos, também foram apreendidos. 
 
Laboratório
Investigadores do 3º DP se deslocavam, ontem pela manhã, para Jeriquara. No caminho, na rodovia Cândido Portinari, próximo à entrada de Cristais Paulista, os policiais visualizaram uma pessoa suspeita - que pulou o muro de uma chácara - e retornaram ao local para evitar um possível furto.
 
Segundo o delegado titular do 3º DP, Leopoldo Gomes Novaes, o homem não foi localizado. Mas, para a surpresa da equipe, o lugar funcionava como um laboratório clandestino para produção irregular de agrotóxicos. “Foi de forma inusitada que chegamos até o local, mas verificamos que havia desde embalagens novas, rótulos, balanças de precisão, betoneiras, batedeiras, balanças de precisão, objetos para a vedação a quente e produtos já prontos para serem colocados no mercado, ou seja, todo o maquinário para a manufatura desses produtos”, afirmou.
 
Um caminhão foi colocado à disposição para que os policiais pudessem retirar os materiais da chácara, avaliados em R$ 1 milhão, com ajuda de funcionários da Prefeitura. Todos tiveram que utilizar máscaras e luvas por conta do cheiro forte e periculosidade dos produtos químicos. Um suspeito foi localizado e conduzido para depor.
 
Ele alegou para a polícia que produzia material líquido para produtos de limpeza e que os agrotóxicos encontrados estavam apenas desacompanhados de notas fiscais, mas não eram falsos. A perícia criminal foi acionada e esteve no local para análise. 
 
“Nenhum produto de limpeza foi encontrado e os indícios da legitimidade dos agrotóxicos foram por água abaixo. Claramente se nota que aqui é um laboratório clandestino, já que havia produtos fora de suas embalagens para serem embalados à vácuo e rotulados”, disse o delegado Leopoldo Novaes. “Mas, para a comprovação do crime de falsificação, precisamos aguardar a conclusão do laudo pericial comprobatório que ficará pronto em cerca de 10 dias”, completou Novaes, explicando a liberação do suspeito.
 
Depósito
Após a ocorrência da manhã ser divulgada pela imprensa em noticiários de TV e rádio, uma segunda diligência começou a partir de várias denúncias anônimas sobre um local que teria mais agrotóxicos falsificados. Policiais chegaram até um barracão no Distrito Industrial, onde havia uma quantidade muito maior de produtos químicos, como fungicidas e defensivos agrícolas, prontos para serem distribuídos. O barracão estava totalmente lacrado e com aparência de abandonado.
 
“Tivemos que arrombar pela ausência de pessoas no local e nos deparamos com uma quantidade muito maior, calculamos que haja pelo menos R$ 5 milhões em agrotóxicos falsificados, além de caixas de papelão para o deslocamento do produto até o consumidor final, que acreditamos ser as lavouras, principalmente as de café da região Norte de São Paulo e Sul de Minas Gerais”, disse Novaes.
 
Por causa da enorme quantidade de material, não foi possível contabilizar tudo até o início da noite de ontem. Um grupo de policiais foi destacado para fazer a guarda do local. Na manhã de hoje, os produtos deverão ser direcionados para uma custódia apropriada, devido ao alto grau de periculosidade do contato do ser humano com o agrotóxico.

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