A queda na arrecadação já traz reflexos no caixa da Prefeitura de Claraval (MG). O salário referente a setembro dos cerca de 220 servidores públicos municipais não foi pago ainda. Este é o terceiro mês consecutivo que o pagamento ultrapassa o 5º dia útil. Motoristas que realizam o transporte escolar de maneira terceirizada no município estão sem receber há dois meses e já cogitam uma paralisação dos serviços.
O atraso e a falta de pagamento preocupam profissionais, porque não há previsão oficial de regularização. Uma reunião foi realizada na última semana, mas segundo alguns motoristas ainda não há previsão para o pagamento ser realizado. “Nenhuma data foi definida. Eles pediram para esperar alegando que a verba ainda não chegou. Todo mundo fala que dá vontade de parar porque é muita despesa para arcar”, disse um motorista que preferiu não se identificar.
Assim como os perueiros, os servidores municipais também estão preocupados. Os salários deveriam ter sido liberados no último dia 7, mas, de acordo com os funcionários, o dinheiro ainda não foi depositado. “No mês passado eles pagaram dia 16 e agora não sabemos quando será. Está atrasado de novo. Tive que pedir dinheiro emprestado com parente para pagar algumas contas”, disse um servidor.
O prefeito de Claraval, Juliano Diogo Pereira (PSD), credita os atrasos à crise que, segundo ele, não afeta apenas Claraval e sim todo o país. De acordo com o chefe do executivo da cidade mineira, é necessário esperar o repasse de recursos estaduais e federais, que também estão atrasados, para efetuar o pagamento dos motoristas. Já o dos servidores é previsto que seja depositado nesta sexta-feira. “Acontece que os repasses, principalmente do Fundeb, não estão chegando. Tem ainda R$ 64 mil do governo do Estado atrasado. O ICMS e FPM (Fundo de Participação dos Municípios) caíram. Isto não é fato só de 2014, mas também de outros períodos eleitorais. Todos os anos de eleições para presidente e governador é assim. Estamos recebendo 50% do previsto de receita. Desta forma é impossível”, disse ele.
Dinheiro destinado
Em meio a este cenário, a Prefeitura de Claraval deu início ontem a realização de uma Festa de Peão. A população questiona se o dinheiro usado no evento não poderia ser utilizado para equacionar a crise do município, mas o prefeito explica que o recurso é carimbado. “O rodeio é um dinheiro que está previsto no ICMS Cultural e não posso utilizar para folha de pagamento, para transporte de trabalhadores ou da educação. Posso utilizar para cultura e para o esporte. Portanto, são dinheiros distintos.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.