Adérmis Marini (PSDB) passou pela Rua Liberdade, Vila Raycos, na madrugada de domingo, e viu uma movimentação estranha na altura do número 810. Eram 2 horas. Havia vários carros na rua, alguns com o adesivo de Graciela e o número dela, 1170. As portas do diretório municipal do PSDB estavam abertas. Ele resolveu entrar. Para sua surpresa encontrou o prefeito Alexandre Ferreira, presidente do seu partido; o vice, Fernando Baldochi, que é do PMDB; e o assessor de comunicação da Prefeitura, Marcelo Facuri. O trio estava reunido com dois assessores de Graciela Ambrósio (PP), adversária de Adérmis na disputa por uma vaga na Câmara Federal.
Seguravam alguns papéis, aparentando ser planilhas de locais de votação. Candidatos e assessores, normalmente, passam a madrugada que antecede a eleição forrando de santinhos os arredores de escolas e eliminado propagandas de concorrentes. O animado grupo bebia cerveja e comia carne. Quase engasgou ao ver Adérmis. Se havia alguma dúvida de que o prefeito apoiava a mulher que ele detonou nas eleições de 2012, não havia mais. O constrangimento foi geral. Adérmis disfarçou, sorriu amarelo e bateu em retirada.
Elefante na loja de cristais: No dia 3 de julho escrevi nesta coluna que Alexandre estava por trás da candidatura de Graciela, que não tinha dinheiro para bancar a campanha. Por que o prefeito com tantos problemas para resolver iria apoiar uma adversária? A resposta é simples: para tirá-la de seu caminho nas eleições municipais de 2016. Mas, Alexandre é tão ruim estrategista quanto prefeito, e o plano ruiu. Como se sabe, Graciela fracassou nas urnas. Associar o nome ao de Alexandre é pedir para perder. Mais esperto, Engler manteve distância e entrou para a história com votação centenária. Ao tentar prejudicar adversários e facilitar a eleição de Graciela, Alexandre deu uma rajada de metralhadora no próprio pé. Não tem o que comemorar. O cenário que se desenha para 2016 é nebuloso para ele. Estão livres e desimpedidos para enfrentá-lo, não só Graciela, mas Ubiali (PSB), Sidnei Rocha (por enquanto no PSDB), Gilson de Souza (DEM) e Corrêa Neves Jr. (PV).
Pactos devastadores: Nos bastidores políticos não são poucos os que avaliam que o futuro político da delegada ficou comprometido. Sem cargo público, terá dificuldades para recuperar os votos que perdeu em Franca. Nas eleições de deputado de 2010, ela havia recebido 50,2 mil votos na cidade, agora, caiu para 45 mil. A queda é mais significativa do que os números indicam. Entre as duas eleições, ela disputou a Prefeitura, foi ao segundo turno e manteve o nome em evidência por, no mínimo, quatro meses. Com a vitrine, era natural que aumentasse os votos, mas ela conseguiu o contrário.
Além de conviver com a pecha de derrotada - foi a terceira seguida -, o fato de ter se aliado a Alexandre e ao Carlão de Igarapava, que também naufragou nas urnas, será um prato cheio para os adversários explorarem em uma eventual disputa para prefeito. Melhor tentar uma vaga na Câmara.
Porta na cara! Para prejudicar Roberto Engler, que é do seu partido, Alexandre Ferreira apoiou Tony Hill (PMN) e os vereadores que dizem amém para ele, nas eleições para deputado estadual. Como já se sabe, não é boa ideia colar a imagem com a do prefeito. Seus apadrinhados tiveram votação pífia e ficaram bem longe da Assembleia. Como Engler teve uns “votinhos” a mais, Alexandre fingiu que não era com ele, passou óleo de peroba na cara e foi, segunda-feira, ao escritório do deputado para cumprimentá-lo. Deu com a cara na porta. Voltou anteontem e ouviu de assessores que Engler não estava. Está difícil...
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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