Conhecidos os candidatos ao segundo turno, começa o realinhamento de forças, de negociações e coalizões. Os vencidos são chamados a se alinharem. Espera-se que essas negociações se deem visando o melhor para o país e a população, e seus personagens não foquem apenas em desejo de poder. Quem ajuda a eleger tem, mais que direito, o dever de participar do governo e esforçar-se para que objetivos e programas sejam cumpridos.
Coalizão, nesse momento, é até normal, mas seus participantes devem ter mais responsabilidades do que direitos.
Quando realizada depois de concluídas as eleições — como tem ocorrido no Brasil das últimas décadas —, cheira estelionato eleitoral, pois leva os eleitos a traírem o que prometeram na campanha para poderem ocupar postos-chave do governo aqueles que foram rejeitados pela população.
Nesse caso, fere-se o princípio da representação popular e elimina-se a salutar função fiscalizadora inerente aos membros do poder Legislativo e aos líderes não eleitos. Como ‘empregados’ ou ‘sócios’ do governo, jamais o fiscalizarão.
Além de mantidas as coalizões no nível ético — sem loteamento prévio ou criação de postos para acomodar os novos parceiros —, precisamos, no segundo turno, de campanha propositiva.
Em vez de recorrer ao marketing da desconstrução do adversário, aplicado durante o primeiro turno, os candidatos restantes devem dizer claramente ao povo o que pretendem fazer para enfrentar aos grandes desafios nacionais e regionais.
Não basta dizer que vão manter empregos, promover desenvolvimento, dar escola.
É preciso dizer como fazer, dar mostras à população do que pretendem realizar para melhorar a vida de cada um dos brasileiros.
Quanto a casos de corrupção, desvios e outros malfeitos, basta garantir que o Ministério Público e a Justiça terão total liberdade para apurar e punir responsáveis. Nada mais...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.