A guerra já recomeçou


| Tempo de leitura: 3 min
Nem bem terminou a apuração oficial das eleições de domingo passado, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, assestou as suas baterias em direção ao seu adversário Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Dentro de menos de 20 dias o segundo turno definirá o nome do novo presidente do País. Nas redes sociais, o batalhão digital petista já começou a guerra do “eles contra nós”, das “elites contra os pobres”, mantendo a estratégia do primeiro turno que serviu para tirar Marina Silva (PSB) do páreo. A guerra recomeça e pode não surtir os efeitos desejados, já que a ‘desconstrução’ de Marina não conseguiu lhe dar a vitória no primeiro turno, como esperava sua equipe de campanha. Pior: levou o tucano para a disputa final e afastou uma aliada que seria importante nestes poucos dias de campanha.
 
Como dizem por aí, a estratégia revelou-se um verdadeiro tiro no pé da presidente-candidata. A força do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste pode fazer o prato da balança pender para o lado dos tucanos. Aécio já vem conseguindo apoios importantes desde segunda-feira e está perto de levar Marina Silva para o seu palanque. Tudo isso poderá ser um complicador a mais na campanha petista. No pleito de domingo o senador tucano e a ex-senadora conseguiram perto de 55% dos votos e há tendência de que esta margem se amplie, ainda mais se houver união entre os dois neste segundo turno. Enquanto o PT pena para atrair a ex-senadora — já fala até em mudar o programa de governo para garantir o seu apoio —, Marina reúne seus seguidores da Rede Solidariedade para definir como irá agir a partir de agora, sinalizando um possível alinhamento com o tucano, que já defende um mandato de cinco anos sem possibilidade de reeleição como a ex-senadora propõe.
 
Assim, pode-se atestar que a “desconstrução” da candidata do PSB, no fim das contas, não atingiu os resultados esperados, já que muitos dos votos ‘marineiros’ migraram para Aécio. Dilma não conseguiu a vitória no primeiro turno, que era a intenção. Os ataques desferidos na campanha até agora, contra a sua então mais direta adversária, devem impedir qualquer alinhamento da Rede com o PT, que agora investe, com a mesma fúria, contra Aécio. A estratégia pode não ‘colar’ em Aécio, que entra nesta disputa apresentando-se como o fator de mudança que o País defende e busca desde as grandes manifestações de junho do ano passado. A campanha do ódio também pode não funcionar agora, já que Aécio Neves não demonstra a fragilidade de Marina Silva.
 
Outro ponto importante será a aparição na propaganda gratuita. Dilma teve a maior exposição no primeiro turno mas, agora, os tempos serão iguais. As investigações sobre a corrupção na Petrobras também serão munição importante para Aécio. Ou seja: caso a presidente-candidata não altere os rumos de sua estratégia de campanha, não terá vida fácil nesta segunda etapa do pleito. Os eleitores mostraram no domingo que almejam uma mudança, principalmente nos maiores colégios eleitorais do País. Aécio surge com força e aparenta estar preparado para o embate. No dia 26, as urnas indicarão as preferências do eleitor.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários