Dia da Criança


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O Dia das Criança se aproxima! É o momento propício para nós, pais, refletirmos sobre a influência da publicidade infantil na mente de nossos pequenos. Tenho dois filhos, Henrique, 4, e Felipe, 8 anos. Preocupa-me o consumismo infantil e valores e princípios que devemos transmitir aos menores. Face ao dia a eles reservado pelo calendário comercial, temos que continuar praticando essas premissas. 
 
Impossível falar de influência da publicidade infantil sem mencionar o Instituto Alana, entidade civil sem fins lucrativos. O site é www.alana.org.br. A instituição desenvolve com regularidade o projeto ‘Criança e Consumo’, com o objetivo de ‘debater ideias sobre questões relacionadas à publicidade infantil, assim como apontar caminhos para minimizar e prevenir os prejuízos decorrentes dessa comunicação mercadológica’. 
 
A comunicação mercadológica referida no conceito abarca todo e qualquer veículo (embalagens, banners, merchandising etc.) que tenham o objetivo de divulgar comercialmente um produto. O Instituto Alana defende que a comunicação mercadológica não deveria focar o público infantil por sua nocividade à mente das crianças. Há argumentos interessantes contra este tipo de publicidade. Também existem estudos científicos que apontam que se uma criança de 6 anos estiver assistindo a um desenho animado, e esse desenho for interrompido por intervalo comercial onde, no filme publicitário, haja participação de personagem do desenho animado que a criança assistia antes, ela não perceberá a quebra na programação! Criança não tem maturidade suficiente para fazer tal distinção, e isso só ocorrerá por volta dos 12 anos. 
 
Se seu filho pede um brinquedo específico e dele não abre mão é porque, com certeza absoluta, foi fisgado pela publicidade que lhe foi focada. A publicidade, muitas vezes, direciona imperativos à criança para que ‘peça para seus pais comprarem!’, ‘você precisa ter esse produto’, ‘compre já!’. 
 
Sabia que dizer ‘não’ à criança faz parte de seu processo de educação. Só a partir do contato com a frustração é que se desenvolverá para conseguir se relacionar com as demais pessoas que a cercam. Portanto, nesse Dia da Criança, saiba realmente distinguir o que de fato seu filho deseja ou se está influenciada pela publicidade infantil. Dizendo não, você estará contribuindo a seu desenvolvimento e crescimento pessoal. Preocupe-se com seu filho! Reflita sobre esses ‘comandos’ que os veículos lançam a seus filhos, faça-o compreender um não mas não deixe de presentear pela data. 
 
PROIBIÇÃO DE PUBLICIDADE INFANTIL: No dia 4 de abril de 2014 foi publicada no Diário Oficial da União a resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que considera abusivo o direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança, pessoa de até 12 anos de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Com a resolução, fica proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchandising, ações em shows e apresentações e em pontos de venda.
 
PESQUISE PREÇOS! O Dia da Criança é uma das mais importantes datas comerciais do Brasil. Fornecedores apostam nisso como oportunidade rara de aumentar faturamento. Acabam por elevar preços, aproveitando-se da correria de última hora dos consumidores. Desta forma, não deixe para comprar o presente na véspera. Compre antes e pesquise muito antes de fechar negócio. Feliz Dia da Criança com bastante consciência!
 
Denílson Carvalho
advogado, ex-coordenador do Procon/Franca - advogado@denilson.adv.br
 

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