Sabesp alerta: ‘Franca no fio da navalha’


| Tempo de leitura: 3 min
Represa do Parque dos Trabalhadores: reservatório de água, junto da lagoa do  Castelinho, é a última alternativa encontrada pela Sabesp para garantir o abastecimento de Franca
Represa do Parque dos Trabalhadores: reservatório de água, junto da lagoa do Castelinho, é a última alternativa encontrada pela Sabesp para garantir o abastecimento de Franca
Após os eleitores paulistas irem às urnas e reelegerem Geraldo Alckmin (PSDB) governador do Estado, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) elevou o tom para falar sobre a crise da água em Franca. O gerente distrital da companhia, Rui Engrácia Garcia Caluz, admitiu ontem que as alternativas para manter o abastecimento na cidade estão no limite. “Estamos levando no fio da navalha”, alertou Engrácia.
 
Atualmente, a captação no rio Canoas e do córrego Pouso Alegre está ainda menor e, na contramão, os francanos têm elevado consideravelmente o consumo de água. A saída está sendo completar a produção com a água de duas represas auxiliares, localizadas no Clube Castelinho e no Parque dos Trabalhadores.
 
Juntos, o Canoas e o Pouso Alegre produziam em julho deste ano 1.606 litros de água por segundo. Em setembro, este número caiu para 910 e, na tarde de ontem, estava em 845. Mas, de acordo com Engrácia, a média foi ainda menor nos últimos dias, alcançado apenas 745 litros por segundo, fora os 50 litros que são captados através de dois poços perfurados em Restinga.
 
“As pessoas devem estar vendo nossos caminhões-pipa rodarem direto pela cidade, pegando água de represa para trazer à ETA (Estação de Tratamento de Água). Ou seja, nós estamos no limite do Canoas, do Pouso Alegre e daquelas barragens emergenciais que fizemos. A produção está sendo completada com caminhão-pipa, porque não tem mais como tirar água dos rios.”
 
A água captada nas duas represas não chega a 5% do que é produzido por dia em Franca, mas é, de acordo com o gerente, a última alternativa que tinha para ser colocada em prática. “Temos produção de 75 mil metros cúbicos por dia. Deste total, 2,5 mil é de caminhão. É muito esforço e traz muito pouco (resultado), mas é a última coisa que a gente podia fazer. O esforço também é válido quando pensamos que 2,5 mil metros cúbicos abastecem três, cinco mil famílias. Vamos continuar fazendo isso até vir a abençoada chuva.”
 
Consumo elevado
Se já não bastasse a estiagem prolongada, o consumo de água do francano está em constante elevação e contribuindo para a complicação no abastecimento na cidade. A ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda a utilização de 110 litros de água diários por pessoa. No mês passado, a Sabesp registrou 170 litros em Franca e, mesmo após a realização de campanhas e diversas ações de conscientização, este número chegou a 194 na semana passada. No último sábado, 4, os números foram além e os ponteiros marcaram a utilização de 215 litros de água por pessoa - o dobro do recomendado.
 
“A média de consumo na semana passada foi de 194 litros de água diários por pessoa e no sábado deu um pico de 215. Franca é, em sua totalidade, uma cidade operária. Desta forma, principalmente aos fins de semana, a dona de casa quer lavar tudo aquilo que ela julga necessário: roupas, quintal, garagem e até mesmo o carro”, disse Engrácia.
 
De acordo com a Sabesp, em setembro foram registrados 32 milímetros de chuva, o que é considerado pouco para o mês. Segundo o site do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), não há previsão de chuva em Franca para os próximos dias.
 
“O pessoal tem que cooperar, mesmo porque não tem previsão de chuva. A única coisa que podemos fazer neste momento é conscientizar para que não desperdicem água. Nós não temos instrumentos punitivos, mas temos instrumentos morais. Aqueles que flagrarem têm que falar para a pessoa que a água que ela está desperdiçando pode faltar na casa do outro”, aconselhou Engrácia.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários