Sabemos que drogas causam destruição. Ocorre que mesmo sabendo disso, muitos continuam se drogando e tornando dependentes. Recentemente reencontrei pessoa que alguns anos atrás era linda, de sorriso cativante, jovem, repleta de vitalidade, muitos planos para o futuro. Envolveu-se com outra pessoa e com as drogas. Seus familiares trabalharam arduamente para afastá-la da triste sina, sem sucesso. As drogas venceram!
A vi desvitalizada, feia, sorriso(?) amarelado, aspecto físico de drogada consumida. Uma tristeza momentânea tomou conta de mim. Senti-me impotente, incapaz de fazer algo para mudar a situação. Imediatamente pensei nas eleições que tinham acabaram de acontecer e das várias promessas que a maioria dos candidatos fizeram. Se realmente cumprirem o que prometeram — o que não acredito —, poderíamos ter mudanças nesse cenário social.
Sei que drogas, de certo modo, é opção particular, íntima, da pessoa. Acredito que droga é forma de buscar prazer, mesmo que esse prazer seja destrutivo, pulsão pela morte e recusa pela vida e quaisquer outras escolhas feitas e vivenciadas. Sei que recuperação depende muito mais da pessoa do que de políticas públicas, mas tenho certeza de que políticas públicas bem implementadas podem minorar os efeitos danosos das drogas.
É possível combater o tráfico, é possível tratar o dependente, é possível demonstrar os malefícios e os danos que as drogas causam como forma de sensibilizar a que se diga não, especialmente os jovens.
É possível tratar o emocional e a psique para evitar o recurso das drogas como forma de anestesiar dores e situações difíceis da vida cotidiana. Toda e qualquer dor pode ser transformada em superação, em conquista, em sucesso.
Depende de nossas escolhas. Podemos até optar pela destruição e nos colocarmos na situação de vítima, ou pela construção e na situação de protagonista, mas, toda escolha é pessoal. Não podemos culpar ninguém por escolhas equivocadas que fazemos.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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