Oportunidade desperdiçada


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Desde o início do processo eleitoral, afinados com a campanha “Voto Nosso” desenvolvida pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), alertamos aqui neste mesmo espaço sobre a necessidade de direcionarmos nossos votos aos candidatos de Franca, que conhecem as nossas necessidades e, portanto, seriam capazes de atender com maior prontidão as demandas do município em são Paulo e em Brasília. Mesmo assim, o eleitor francano, em função de seus votos, deixou a cidade sem representante na Câmara dos Deputados e com apenas um na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Uma situação que colocará Franca e região, nos próximos quatro anos, em estado de mendicância, dependendo da boa vontade de candidatos que se elegeram com votos dos francanos, mas com base eleitoral em outras regiões do Estado.
 
Uma rápida tabulação mostra que o eleitor francano jogou fora cerca de 100 mil votos (entre brancos, nulos e destinados aos chamados candidatos paraquedistas). Destinado a candidatos da cidade, estes votos seriam capazes de eleger, em análise otimista, até três representantes locais na Câmara dos Deputados — caso fossem dirigidos aos mais votados nas seções eleitorais do município. Agora, ficamos assim: torcendo para que o governo do Estado indique algum deputado eleito pelo PSB (do vice-governador eleito Márcio França) para o primeiro escalão, permitindo que o Doutor Ubiali, primeiro suplente, assuma uma cadeira na Câmara.
 
Serão mais quatro anos na aba de Ribeirão Preto, uma situação que aborrece o francano, mas que, diante da nossa falta de representatividade, vai perdurar, quem sabe, até a próxima eleição. Quando Franca precisar defender algum pleito, terá que procurar deputados da vizinha cidade. E, além disso, esperar uma grande boa vontade do legislador para dar uma solução aos nossos problemas. O que o eleitor brasileiro — e especialmente o francano — não entendeu até hoje é que a falta de responsabilidade com o poder do voto do qual dispõe é um dos grandes entraves ao desenvolvimento de sua região. Aquele pensamento de que ‘vou votar em qualquer um, porque tudo é a mesma coisa’ é ultrapassado e coloca não apenas a região mas todo o País na contramão do desenvolvimento.
 
Mais uma vez perdemos a chance de recolocar Franca na vanguarda da política nacional e estadual. Enquanto não tomarmos as rédeas de nosso próprio destino, continuaremos na dependência de Ribeirão Preto e de legisladores eleitos por outras regiões para buscarmos verbas, benefícios e investimentos federais para o nosso município. No final das contas, a culpa é só nossa, dos nossos eleitores, que mostram grande despreocupação com os destinos de nossa comunidade. Ao deixarmos de eleger candidatos intimamente ligados à nossa história e interessados em nosso futuro, jogamos fora uma grande chance de retomarmos o protagonismo perdido há décadas, ficando mais quatro anos a assistir, impotentes, outras regiões sendo beneficiadas pelos seus representantes eleitos também com os votos dos francanos. Aí, não vai adiantar reclamar.
 
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