O ressoar da voz das urnas


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Conforme previsto pelas pesquisas, a eleição para a Presidência da República será decidida em segundo turno, com Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). A surpresa ficou por conta da disputa se dar entre ela e Aécio que, contrariando as pesquisas eleitorais, ultrapassou Marina (PSB). O segundo turno também deverá ocorrer em alguns Estados do país. Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin foi reeleito em primeiro turno. Franca fez um deputado estadual e tem suplentes.

Encerrado o processo, o que todos os candidatos eleitos não só em Franca, mas em todo o País, precisam, a partir de hoje, arregaçar as mangas e dar mostras de que ouvem aqueles que lhes confiaram o voto e trabalhar, a partir do início do ano que vem, quando tomarem posse, para fazer eco às reivindicações dos brasileiros.

O pleito deste domingo foi, mais uma vez, uma verdadeira festa democrática, onde o eleitor brasileiro fez valer a sua liberdade de escolha, exercendo a obrigação cívica de escolher o seu representante nas várias esferas da administração pública e câmaras legislativas. Sem grandes problemas e uma apuração bastante rápida, a eleição de ontem deve ser vista, por aqueles que receberam nas urnas um mandato executivo ou parlamentar, não como um cheque em branco, mas uma delegação para que se façam as mudanças que o País exige e vem necessitando.

Vários pontos foram levantados durante as grandes manifestações que tomaram as ruas do País em junho do ano passado. O primeiro delas diz respeito à corrupção endêmica, praticada por entes públicos e legisladores. As denúncias que envolvem a Petrobras mostram que a situação continua tornando o Brasil um dos mais corruptos do mundo. Os legisladores, principalmente, precisarão encontrar instrumentos que impeçam a ação de corruptores e corruptos, que praticam uma verdadeira rapinagem aos cofres públicos.

Outra questão que precisa ser atacada imediatamente, logo após a posse dos senadores e deputados federais, é uma completa reforma política, que torne nosso sistema mais justo, impedindo que legisladores recebam um mandato sem ter votos suficientes e, consequentemente, comprometimento com as comunidades que dizem representar. O voto distrital é o caminho para que todas as unidades da federação e suas regiões internas sejam proporcionalmente representadas no Congresso e nas Assembleias Legislativas. Estes dois pontos precisam ser atacados com rapidez, para que o eleitor brasileiro não perca ainda mais a confiança em nossos políticos.

O trabalho começa agora. Os eleitos precisam mostrar que não estão refratários às necessidades dos que lhes deram votos suficientes para assumir um mandato parlamentar ou executivo. Somente com um trabalho sério, conciso e honesto é que teremos condições de abandonarmos a imobilidade atual. As urnas falaram ontem. Agora, quem se elegeu precisa agir, pensando mais nos anseios e necessidades da população brasileira, que mesmo sentindo-se órfã de seus representantes, compareceu às seções eleitorais, confiando seus votos em quem se comprometeu -- com algumas exceções -- com a mudança que todo o País espera.

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