Razão, emoção e eleição


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Vou hoje às urnas pela sétima vez para eleger um presidente da República. Não me lembro de campanha tão indefinida mas me chama a atenção a motivação das pessoas para votar, contra, na maioria. Explico. Estudos sempre confirmaram que o humano se motiva mais para evitar a dor que buscar o prazer. Por mais que julguemos baseados em fatos e na razão, na hora do voto a emoção tem papel fundamental: queremos evitar a dor! 
 
Para concluir, basta conversar com pessoas, que são mais passionais quando falam nos candidatos nos quais não vão votar do que na defesa dos preferidos. Não há cálculo preciso, mas, pelo que vi e ouvi, 60% da propaganda eleitoral focou pontos negativos de oponentes. No último debate entre candidatos a presidente, depois de duas horas só restou o escândalo de Levy Fidelix contra o casamento gay... 
 
Imaginem a eleição do melhor jogador de futebol do mundo entre Neymar e Messi, mostrando-se só jogadas ruins de cada um para que escolhamos o que menos erra... Política tem sido assim. Uma vez que “evitar a dor” merece mais atenção que “buscar o prazer”, é natural o foco estar no torto ao invés do direito. 
 
Então, é errado votar com a emoção? Não. É a emoção que nos engaja na defesa das causas que nos são caras. Devemos seguir, sim, a emoção. Mas um pouco de razão nunca é demais, não é? 
 
Ainda assim, me entristeço com a percepção que estou indo hoje às urnas para votar contra, contra o atraso, contra a desonestidade, contra os que, por conveniência, nunca sabem de nada; contra os que se pretendem donos da verdade, contra os que acham que têm o monopólio da ética, contra os que mentem descaradamente, contra os que tratam bandidos como heróis, contra os que pensam apenas em si e na manutenção do poder. Essa tristeza que me toma é, entretanto, menor do que a alegria da certeza de que votarei a favor do Brasil. Vá votar. Não deixe de ir.
 
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista

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