Temos assistido desde o ano passado, as manifestações de rua, que começaram contra o aumento do preço de passagens de ônibus, passaram pela oposição à Copa e seguiram pelo fim da corrupção, mais segurança, casa própria, saúde, escola.
Nossas ruas e estradas continuam bloqueadas por protestos. Vivemos o sobressalto de ver ônibus e outros veículos queimados em revoltas de diferentes raízes.
Apesar do discurso oficial, que fala em normalidade, não é o que se vê na prática.
Nossas vidas estão em risco permanente, a propriedade deixou de ser protegida, o direito de ir e vir está desrespeitado e as autoridades estão omissas e atabalhoadas.
É nesse quadro que chegamos à eleição de hoje. Vivemos agora o único momento em que os incomodados podem fazer algo por mudança.
Não terão significado ou mínimo sentido as passeatas e protestos que foram às ruas nesse último ano e meio, se seus promotores e os que deles participaram continuarem votando como antes.
A república brasileira sempre padeceu de representação popular. Nasceu nas mãos dos militares, serviu oligarquias, foi suplantada por ditaduras e nunca foi efetivamente o poder emanado do povo.
Mesmo nos momentos de democracia e maior participação popular, o que se ofereceu ao povo foram conchavos de segmentos políticos, econômicos ou ideológicos.
O povo, infelizmente, só se utiliza do voto para dar legitimidade à vontade de grupos que se organizam ao redor de interesses. Então, o mais importante para hoje, é votar bem. Diante da urna teremos a oportunidade de, insatisfeitos, contribuir para mudar o governo e a composição das casas legislativas.
Reeleições consumadas, ficará claro que a maioria da população não concordou com os protestos e todas as manifestações têm que ser encerradas imediatamente. Numa democracia, minorias se curvam à maioria e, ponto final...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.