Algumas paixões são tão fortes que se transformam em coleções. Muitas das vezes elas abrigam tesouros, itens de edições limitadas e objetos exóticos. Não há critério definido para escolher um tema a ser colecionado, o objetivo é se divertir e, claro, aumentar o número de itens do colecionador
‘Sou apaixonado por um ’trem’’
O diretor da Agência Nena Viagens, Ademir Pedro de Souza, 70 anos, é apaixonado por trens e tudo que se relaciona ao tema. Fez 17 viagens por ferrovias nacionais e internacionais e tem uma coleção de trens respeitável. Para somar aos tantos quilômetros já percorridos, esse ano Ademir vai fazer o caminho de Belo Horizonte a Vitória e, em 2016, fará a volta ao mundo pelas principais ferrovias.
Ex- presidente da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) por 35 anos, mantém em sua agência de viagens, em casa e até na mochila itens que remetem ao tema. Seu avô era fornecedor de lenha para a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro - criada em 1872 e desativada em 1971 - e seu pai era ferroviário. “Acredito que a paixão que tenho vem da infância. Morava perto da linha ferroviária, já morei em vagão de trem - morei porque onde meu pai trabalhava não tinha casas disponíveis - então, fomos morar no vagão”, relembrou Ademir.
As marcas de seu passado não estão só na memória de Ademir. Sua relação próxima com trens foi marcada, literalmente, a fogo. “Certa vez, quando eu era bem pequeno ainda, fui atingindo pela fagulho de um trem. Uma centelha caiu bem no meu peito e tenho a marca até hoje”, disse ele, que mantém acesa essa paixão e conta hoje com mais de 200 itens expostos em seu escritório e outros tantos em casa.
Mundo dos Cartões: UMA Paixão que veio de família
Filhos têm forte tendência a se apegar a manias de seus pais. No caso de Wendell Luciano da Silva, advogado, 40 anos, ele herdou de seu falecido pai, além do fascínio pelo Corinthians, a paixão por colecionar.
Adepto da telecartofilia (o ato de colecionar cartões telefônicos) há mais de 20 anos, começou a colecionar ainda na época da faculdade. Os anos que se seguiram renderam a ele mais de 7 mil cartões únicos, além de outros dois mil cartões repetidos. “Eu e meus amigos de faculdade íamos até São Paulo ou Minas Gerais por um bom cartão, que agregasse valor às coleções”, disse ele. “O colecionismo na minha vida vem de família. Meu pai era adepto da numismática (prática de colecionar moedas e notas antigas). Desde adolescente desenvolvi grande amor por moedas também, tenho todas catalogadas”. Os cartões telefônicos no Brasil começaram a ser produzidos em 1992 e chegaram a Franca em 1994. Dessa época ele tem em sua coleção mais de 300 séries fechadas e ele não pretende parar por aí. “O colecionismo não para nunca. É um tipo de vício”, disse.
Olho mágico através das lentes da Leica
Com três graduações, pós-graduação em Harvard e diversos cursos feitos em todo o mundo, Ricardo Infante, 60, oftalmologista atuante em Franca, tem uma coleção de câmeras Leicas de dar inveja a muito museu com itens de fotografia.
A profissão que exerce é influência direta de sua paixão por câmeras fotográficas e seus mecanismos. “O olho nada mais é que uma máquina fotográfica feita por Deus. Todas as estruturas da câmera existem dentro do olho”, disse, revelando a paixão pelo tema. Ricardo ganhou sua primeira câmera - uma Starlet da Kodak - aos oito anos de sua avó e, depois disso, foi colecionando modelos alemães, suíços e da famosa marca Leica. A quantidade de câmeras e seus valores ele preferiu não divulgar.
Por mais que leve a fotografia a sério, ele não se considera um profissional. “Só fotografo em preto e branco. Tenho laboratório em casa. Exponho em vários lugares, como Itália e Estados Unidos, mas tudo no nível amador”, disse. Uma de suas experiências preferidas foi quando fotografou o Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, em 1980. “Tenho essa foto em um quadro em casa, ele autografou a foto no dia seguinte”, disse ele, que também se orgulha de manter itens relacionados ao tema trazidos dos mais de 70 países que conheceu.
Meu mundo, minha terra segundo Tolkien
Dezoito anos se passaram desde que Antônio Bartocci, 46 anos, professor de química em Franca, começou a colecionar bonecos fantasiosos e lendários. Entre fadas, magos, dragões e castelos, ele monta a sua coleção que já tem aproximadamente 4 mil bonecos de RPG (Role Playing Games - jogo no qual os jogadores interpretam personagens).
Os objetos remetem à Magic Knight - The Land e à Terra Média de J. R. R. Tolkien - autor de O Senhor dos Anéis - propriamente dita. O hobbie que pode ser considerado por muitos como “coisa de nerd”, é para ele e seus amigos algo que relembra os tempos de infância e uma opção para não ter que sair para a balada.
Sua paixão começou com amigos da AlfaTech. Enquanto uns preferiam jogar, Antônio preferia fazer os dois: montar seu império e criar batalhas com ele. “Duas razões despertaram o meu interesse, a primeira foi a saga O Senhor dos Anéis e o mundo de Tolkien em si, a segunda foi um jogo de computador chamado Diablo.”
A coleção é extremamente organizada, mas, como não há espaço na estante para todos os itens, alguns ficam guardados esperando a hora de conquistar destaque na batalha. “Sempre que meus amigos me visitam, jogamos . São cinco jogadores por vez e passamos horas. Temos exércitos e uns jogam contra os outros com regras pré definidas”.
Um WAR pra chamar de meu
O professor universitário Manuel Ilson Cordeiro Rocha é apaixonado pelo jogo de tabuleiro WAR. E, além de uma coleção de 500 peças, ele foi além e adaptou as regras do jogo. Ele pintou o seu próprio mapa mundi, pesquisou em várias cidades os itens que compõem o jogo, selecionou a cor dos exércitos e hoje suas centenas de peças podem ser usadas por até quatro jogadores de cada vez.
Sua paixão pelo jogo de estratégia começou há 20 anos. Quando ainda estava na faculdade, Manuel e seus colegas de república criaram um tabuleiro no chão do apartamento para os jogos nos intervalos das aulas. Desde então, a paixão por colecionar coisas só aumentou.
Em casa, construída e mobiliada quase que inteiramente por madeiras e móveis de demolição, ele coleciona com orgulho dezenas de objetos de diversos lugares do mundo: fantoches, chapéus e cartões telefônicos. O tabuleiro, a primeira paixão, será readaptado novamente. “Infelizmente meu tabuleiro de compressado carunchou. Mas pretendo refazê-lo e adaptá-lo em uma mesa de jantar”, disse Rocha.
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