‘Vou trazer o Copom de volta pra cá’


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Candidato a deputado estadual pelo PP, Laercinho disse que o primeiro trabalho que vai fazer é ‘voltar com o 190’
Candidato a deputado estadual pelo PP, Laercinho disse que o primeiro trabalho que vai fazer é ‘voltar com o 190’
 Laercinho do Paiolzinho foi o último entrevistado da série de sabatinas realizada pelo GCN. Candidato a deputado estadual pelo PP, Laercinho  disse que depois de chegar ao terceiro mandato como vereador, aprendeu a lidar com o Legislativo e resolveu lançar sua candidattura à Assembleia. O candidato tem como uma de suas bandeiras a defesa da zona rural. Entre suas propostas, disse que pretende criar o CDHR. 
“Seria como se fosse um CDHU da cidade, você vai poder comprar uma propriedade e ter até quarenta anos de prazo para pagar. Vamos ajudar não só o povo da zona rural, como também desafogar o povo que está aqui na cidade, porque a maioria das pessoas gosta de um pedacinho de terra. Ele sai comprando um pedacinho de chácara para ir para a roça, tudo legalizado, que o governo, tenho certeza, vai aceitar esse projeto, porque esse projeto é inteligentíssimo.”
 
Por que o senhor quer ser o representante do eleitor de Franca na Assembleia Legislativa?
Há uns 30 ou 40 anos fui fundador de duas comunidades de base católica, no Paiolzinho: a comunidade São Geraldo e a Nossa Senhora das Dores. Depois disso surgiu a associação de Produtores Rurais do Paiolzinho, onde não fui o primeiro presidente, mas quando consegui ser escolhido o presidente, fiz um bom trabalho, como a criação de um convênio de saúde e a feira do produtor. A reivindicação do asfalto do Paiolzinho foi um trabalho meu. Dentro desse trabalho saiu a movimentação para que eu saísse candidato a vereador. Fiz também um ótimo trabalho, como a conclusão do asfalto do Paiolzinho, mais ou menos 300 quilômetros de estradas rurais recuperados. Foram vários serviços na zona rural e na cidade tive alguns projetos aprovados, como a regularização da panfletagem, que era muito desordenada e foi difícil implantar, mas deu certo. Várias famílias que tinham seus terrenos desmembrados e não conseguiam regularizar. Estou no terceiro mandato e aprendi a lidar com o Legislativo e resolvi lançar meu nome para candidato estadual.
 
 Desde o começo sua candidatura foi alvo de polêmica. Um antigo aliado seu, o deputado estadual Gilson de Souza (DEM), esperava ter o senhor como coordenador da campanha dele, mas foi surpreendido pelo anúncio da sua candidatura. Ele chegou a confidenciar a amigos que se sentiu traído pelo senhor. O que o senhor tem a dizer a respeito?
O Gilson é um grande amigo meu e vai continuar sendo. Agora, algumas coisas precisam ser explicadas. Sempre ajudei o Gilson por uma simpatia por ele, mas nunca fui assessor do Gilson. Quem foi sabe que eu nunca peguei um real dele. É uma pessoa excelente e torço para que ele seja reeleito. E quando você fala do asfalto do Paiolzinho é preciso dizer que o Gilson teve participação e eu sempre dei crédito à participação dele. Nunca neguei isso, mas o asfalto do Paiolzinho começou comigo e com o Ary Balieiro. Investi no Gilson quando ele foi candidato, com poucos recursos porque tenho poucos, mas ajudei. Então não tenho nenhum peso de consciência e outra coisa: se ele um dia pensou em me chamar para coordenador da campanha dele, ele nunca me falou. Talvez quisesse esperar começar a campanha dele para poder me dizer isso. Como eu disse, tenho uma folha de serviços prestados e acho que a Câmara está ficando pequena. Quero trabalhar por Franca e fazer muito pela minha cidade.
  
A delegada Graciela é presidente do seu partido e candidata a deputada federal. Ela não fez dobradinha com o senhor e tem como parceiro o candidato a deputado estadual o Carlão, de Igarapava. Como o senhor vê essa falta de apoio? O senhor se sente preterido de alguma forma ou incomodado com isso?
De jeito nenhum, pelo contrário, na política tem que ter visões. Você acompanhou, fiquei debaixo de um tsunami negativo durante 60 dias. Eu lá em baixo (...)  Acho que não sou tão bobo, aí me sentei com ela, a prova disso é que a campanha da Graciela começou tarde. Já tinham algumas conversas. A Graciela é uma pessoa que eu respeito muito, ela me respeita, tudo que nós combinamos até hoje, desde de o dia que o Sidnei Rocha tentou nos levar para o PPS, foi cumprido, de um lado e de outro. A Graciela continua sendo minha mãe política, como eu sempre falo, mas ela arrumou um enteado com mais dinheiro ainda para bancar a campanha dela, o que você acha? Está certo, é o que está acontecendo. Então, não tenho nenhum constrangimento.
 
O senhor falou sobre o tsunami negativo que o atingiu durante 60 dias, se referindo ao vídeo em que o senhor aparece oferecendo recursos, mudas de plantas e até uma vaca a um sitiante. Esse sitiante apresentou denúncia de invasão de suas terras por obra da prefeitura, para o alargamento de uma estrada rural que, inclusive, liga as terras dos pais do senhor à estrada do Paiolzinho. O senhor se sentiu prejudicado por esse episódio? 
Se teve, no tal vídeo que eu não assisti, foi força de expressão, o que eu faço eu assumo. O que aconteceu nesse episódio e não acontece diferente comigo, foi que eu fui convidado por um senhor para fazer uma intermediação e ele estava entendendo que ia ser prejudicado. Fui na maior das boas vontades e veja bem, ele quem me perguntou se eu poderia arrumar uma ajuda financeira, foi ele. Como isso pra mim não era um valor alto, e ele ia paralisar um serviço, ele nem tinha o direito de paralisar, mas para não arrumar confusão... ele é gente boa demais, nem sei como aconteceu isso. Então não vejo isso como problema. 
 
No vídeo o senhor também insinua que ele não deveria fazer a denúncia, pois poderia ser prejudicado. O senhor acha que essa é a postura de um vereador? E repetindo a pergunta, o senhor se sente prejudicado?
Não sei, acho que não. O que eu senti daquilo lá foram só três detalhes. Foi anunciado de uma maneira, onde minha mãe com 80 anos de idade, chorou, vendo filho dela ser chamado de invasor de terra, de corrupto, o que não é verdade, ela conhece o caso. A minha secretária, eu cheguei no trabalho, ela estava chorando, fui saber os motivos, as notícias negativas. A minha esposa entrou em depressão e fez a carta de renúncia do trabalho dela. 
 
O senhor acha certo, como vereador, ir a uma obra da prefeitura, negociar em nome da prefeitura, com o sitiante que teve, supostamente, suas terras invadidas?
Fui convidado, ele me chamou lá para ajudar ele, para fazer um favor. Fui na maior tranquilidade. E ele é muito esperto. Nos primeiros dias eu cheguei a questionar o porquê que tinha essa gravação. Tem alguma coisa por trás? Essa estrada melhorou o sítio dele em 100%. A estrada não invadiu o sítio dele nem em 50 centímetros.
 
O senhor acha que o fato de ter trazido benefícios, justifica a atitude que o senhor tomou?
A estrada é um ganho social. Para começar, não tenho máquina, não fui passar a estrada lá, quem fez foi a Emdef, por causa da prefeitura. Fui fazer um favor, porque ele pediu. Sou meio juiz de paz, depois daquele conflito, já resolvi uns dois. Já resolvi um conflito de casamento, onde tinha separado e eu ganhei dez sacos de café de comissão e eu aceitei a comissão e o casal está até hoje. As pessoas me chamam para resolver problemas. 
 
Em abril, o senhor disse em entrevista à Difusora que os vereadores compravam votos por meio das homenagens. O senhor continua com o mesmo pensamento? Se arrepende dessas declarações? Inclusive, o senhor foi muito questionado por seus colegas na tribuna da Câmara e fez um pedido de desculpas na sessão seguinte.
Pedi desculpas mais por causa da imprensa, que colocou de uma maneira... vocês são muito habilidosos, eu quero aprender a trabalhar com vocês. A imprensa que eu digo é a imprensa no geral, quando ela dá uma notícia, ela acaba fazendo dos dois lados... Eu não vou fazer comentário. O dia que o plenário da Câmara estiver bem cheio e qualquer colega subir na tribuna e disser “hoje estou oferecendo essa homenagem a vocês, mas quero que vocês votem no Laercinho na próxima eleição”, aí retiro o que eu falei. Enquanto isso não acontecer, mantenho.
 
O senhor reafirma que o vereador compra votos com as homenagens?
Se saiu “compra de votos”, foi uma forma de expressão. Eu disse que o vereador faz essa homenagem e a prova disso, não estou aqui criticando os colegas, é o que está de saindo de homenagem de trinta dias para cá, eu não tenho tempo nem de ir.
 
Sua frase exata naquele dia do programa foi “o voto deve ser conquistado, mas quem tem dinheiro compra. A maioria das homenagens também é para conseguir votos, me sinto envergonhado”.
Essa “compra quem tem dinheiro”, aí, às vezes eu até retiro ela. Quando você está falando alguma coisa, algum pensamento, às vezes a força de expressão muda. Vocês mesmos às vezes mudam as coisas, que a hora que você fala, porque tudo que você fala você pode por uma frase melhor. Agora, que as homenagens são para conquistar votos, isso eu não retiro nunca, isso eu não retiro nunca. Retiro no dia que alguém falar o que eu disse, do contrário, não retiro não.
 
 Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo instituto Datalink, ano passado, apontou que a população deu nota de 5,9 para a Câmara, ou seja, reprovou o trabalho de vocês vereadores. Na sua avaliação, qual a nota que câmara merece?
Seis e meio!
 
Por que, Laercinho?
Pelo trabalho que ela presta. Os altos e baixos que tem, seis e meio tá bom.
 
Na última eleição para a prefeitura de Franca, a delegada Graciela, que é do seu partido, foi a principal adversária do prefeito eleito, Alexandre Ferreira. Depois, passada a eleição, o senhor passou a fazer parte da base do governo na Câmara e chegou a ser cotado para assumir a liderança do governo no Legislativo. Por que o senhor mudou de lado?
Falei no bloco anterior, é por isso que eu gosto da Graciela. Tudo que eu faço, faço de acordo com ela. Sentei com ela no começo do mandato, errei em ter apoiado o PSDB, não o Alexandre Ferreira. Porque o PSDB me passou uma rasteira, eu ia fazer parte da mesa naquela época. Mas o Xandão (prefeito Alexandre Ferreira) estava “igual aleluia”, porque ele estava muito bem, tinha ganhado a eleição, ele interferiu em campo. Então eu fui bobo por isso, mas o caso de querer apoiar ele, por que? Veja bem, as reivindicações minhas dependem de indicação minha e é o Executivo quem executa, e quem é o chefe do executivo é o prefeito. Falei: “Graciela, a maioria dos meus eleitores cobra muito de mim, eu gostaria de apoiá-lo (o Alexandre Ferreira) e se eu não for apoiar ele, vou ser cortado em tudo. Infelizmente na política funciona assim”. Ela aceitou. Quando você diz que eu era cotado para ser o líder... eu já era candidato, eu era candidato há mais de um ano atrás. Agora, cada político tem uma estratégia. Foi muito difícil segurar para me lançar no dia que eu fui aprovado na convenção. Eu via aquele movimento de todos os colegas fazendo, mas eu já era candidato. 
 
 O senhor tem como bandeira de campanha a defesa da zona rural. Qual projeto o senhor pretende apresentar para favorecer os moradores da zona rural?
Vou criar o CDHR. Seria como se fosse um CDHU da cidade, você vai poder comprar uma propriedade em até quarenta anos de prazo. Vamos desafogar o povo que está aqui na cidade, porque a maioria das pessoas gosta de um pedacinho de terra. Ele sai comprando um pedacinho de chácara para ir para a roça, tudo legalizado, que o governo, tenho certeza que quando eu chegar no governador eleito, com meu paletó vermelho e chacoalhar na frente dele, ele vai aceitar esse projeto, porque esse projeto é inteligentíssimo. Pode acabar com a reforma agrária do jeito que é. É só vender terra para as pessoas e parcelar para cinquenta anos. É a coisa mais fácil que tem para por em prática.
  
Qual a opinião do senhor sobre a centralização do 190 em Ribeirão Preto?
O primeiro trabalho que vou fazer é trazer ele pra cá. Aí vocês vão falar que o Laercinho é bom, deveria ter sido deputado mesmo.
 
O senhor é contrário às Comissões Especiais de Investigação abertas pela Câmara, sempre o senhor vota contra dizendo que “não vão virar nada no final”. Por que o senhor não gosta das investigações que o poder Legislativo faz contra o executivo, elevando-se em consideração que a principal atribuição do vereador é a fiscalização dos atos do executivo?
O dia que alguém me mostrar que essas comissões, que 99% é politiqueira, e eu não sou politiqueiro, que tiver uma comissão eu serei o primeiro a encabeçá-la, a primeira investigação que teve saiu por minha causa, por causa da minha assinatura, fui o quarto nome, e eu comecei a analisar, aquilo gastou um dinheirão da Câmara, e dinheiro público não pode ser jogado fora, e aquilo gasta um dinheirão e não vira nada, esse tipo de coisa o Ministério Público já está lá, o Tribunal de Contas, tem muito local que fiscaliza...
 
Então por que precisa do vereador?
Deixa eu terminar, eu fiscalizo, sim, só que eu não sou politiqueiro. Tive vários embates com o prefeito, se um dia você perguntar ele vai falar a verdade. Eu faço diferente, não vou para a tribuna, para falar pra fazer, porque até hoje não virou nada, não vi afastar ninguém, não vi multar ninguém, só vi gastar dinheiro com papel.
 
 Houve um relatório que apontou inúmeras irregularidades, houve o pedido de abertura de Comissão Processante contra o prefeito, o senhor votou contra.
Ia adiantar afastar o prefeito se o Ministério Público está investigando? O MP faz uma investigação política ele já está investigando se quem deve vai pagar, e não foi por causa da Câmara, não.
 
Ao MP o prefeito reconheceu o pagamento irregular e tem até dezembro para apresentar um relatório com o que foi gasto irregularmente. O próprio prefeito admitiu a culpa, o prefeito, a secretária de saúde e o secretário de recursos e administração.
Se foi errado tem que devolver mesmo, mas vai devolver por causa do MP, não da Câmara.

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