Somos povo bom, mas preguiçoso e acovardado. Não gostamos de polêmica, e, por causa disso, sofremos. Preferimos aceitar mesmo sem concordar, para não ter que guerrear. Por isso, a bandidagem impera livre (não há inteligência policial capaz de se lhe antecipar), leve (não respeita ou tem medo de agentes da lei, não tem vergonha de fazer do crime seu ‘trabalho’ e qualquer incerteza sobre se dar bem porque ‘gente de bem’ é idiota e jamais vai reagir) e solta (confia em leis nascidas de políticos desatentos ou cooptados, e em que magistrados façam cumprir o texto legal que a mantém nas ruas).
Política, políticos e as leis que produzem institucionalizaram o arcabouço que embasa um país que privilegia poucos em detrimento de todos. Os cargos eletivos não pertencem aos eleitos, e sim, aos partidos. Então, partidos enquadram afiliados: ‘não faça o que pensa e sim, o que mandamos’. Homens e mulheres movidos por boa intenção se candidatam, elegem-se e são empossados, mas, enquadramento praticado, escorregam. Poucos resistem a benesses e mordomias. Há, sim, casos de renitentes que preferiram deixar a política a se corromperem, mas o ‘lado negro da força’ faz mais ‘vítimas positivas’ que o lado ético. Poder arrebata, os ganhos são muitos e caráter, que devia fazer diferença, vira nada.
Temos milhões de leis e quem as faz são deputados federais, senadores e deputados estaduais. Não há, da maioria deles, preocupação em saber se leis que se lhes pedem para apadrinhar — lobistas, empresas, instituições, ‘amigos’, acordos, partidos — são importantes, se impactam na vida das pessoas de bem, se estimulam mais bandidagem. Não importa. Seu plano de saúde é o do hospital referencial. Sua casa é mansão. A escola dos filhos são particulares. O transporte é de primeiro mundo. A segurança é total. Os ganhos, eles próprios decidem. O resultado é conhecido: este já é, de longe, um dos países mais impunes do mundo. Não está nas leis, o problema. Está nos homens que as apresentam e as fazem aprovar por outros que têm mesmos e escusos interesses. Aliás, está nesses e também em nós, que não reagimos.
Pergunto-lhe: quantas vezes, em décadas, você cobrou o deputado ou o senador que elegeu, por decisões que tomaram? Ah, não se lembra em quem votou? Não adianta cobrar porque, acha, não vão ouvir? Você não acha que políticos eleitos deveriam prestar contas sobre os mandatos que você lhes deu?
Não fosse a possibilidade de votar, estaria tudo realmente perdido. O voto continua arma ‘ainda capaz de assustar’ políticos profissionais. Aliás, é a única arma que ainda não nos tiraram. Amanhã, vamos apertar esse ‘gatilho’. Temos que decidir se continuará como tem sido ou se faremos, finalmente, valer nossa voz. Políticos só conversam conosco nesta época. Temos que aproveitar e pressioná-los: daqui em diante será diferente. Não dá para esquecer que muitos deles são criminosos de carteirinha. Você até sabe, mas , idiotizado lhes renova a chance de continuar zombando de suas crenças e valores.
Há que se testar gente nova no Congresso Nacional. Há que se sacar legisladores cujas histórias de comprometimento com os intestinos do poder conhecemos e não gostamos. Decididos a isso, os resultados que esperamos não vão aparecer a curto prazo, mas, certamente, se produzirão para devolver o país à seriedade que ansiamos e a execrar os que, à cada eleição, se riem de nós.
A palavra de ordem é renovação. Quem está lá há muito tempo e nem se lembra de quem trabalha de sol a sol para ganhar o que, para ele, é só gota no oceano do que o poder proporciona, só sairá se você decidir com coragem nas urnas, amanhã, inclusive, se for o caso, deixando para lá quem você já testou e não deu certo. Escolha gente sem vícios que não precisa de política como fonte de ganhos e só se interessa em modificar o país injusto que temos hoje, mais de bandidos que de seu povo.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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