Candidato promete ensino integral


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Peemedebista acena com a criação de escritórios regionais para descentralizar administração do Estado
Peemedebista acena com a criação de escritórios regionais para descentralizar administração do Estado
Uma das bandeiras do candidato peemedebista ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, é a implantação do ensino integral no ensino fundamental num processo que custaria R$ 16 bilhões e que seria executado em dez anos. “É um processo que não vai começar do dia para a noite”, disse ele, na segunda entrevista da série Agenda São Paulo da Rede APJ - Associação Paulista de Jornais. Skaf afirma que, cansado de reclamar dos políticos, decidiu se lançar à carreira política. “Percebi que não adianta ficar de fora reclamando. Decidi entrar no jogo para fazer de forma diferente”, diz ele. Na entrevista, entre outros assuntos, Skaf comenta as crises dos setores têxtil, calçadista e sucroenergético e diz como pretende combater a criminalidade: “Vou reduzir a burocracia para que tenhamos mais policiais militares nas ruas e mais policiais civis na investigação”. Segue a íntegra da entrevista:
 
Por que o sr. quer ser governador de São Paulo?
Quero levar minha experiência de gestor privado, de gestor das entidades da indústria, de presidente da Fiesp, uma das maiores entidades da América Latina, do Ciesp, do Sesi e do Senai para acabar com essa enrolação e fazer as coisas acontecerem de fato em São Paulo. Ao longo de toda a minha vida de mais de 20 anos na política associativa, sempre tive uma postura crítica em relação aos políticos, sobretudo os que fazem promessas vazias. Hoje, o que as pessoas querem é gestão, é ver resultados e não promessas, conchavos, negociação de cargos. Nesse sentido, eu entendo que posso das uma contribuição muito positiva para a política de São Paulo e do Brasil. Nos últimos 10 anos, como presidente da Fiesp, tivemos oportunidade de enfrentar grandes desafios, como a redução das contas de luz, a redução de impostos para produtos da cesta básica, a eliminação do imposto dos cheques, a modernização dos portos brasileiros e barrar o aumento abusivo do IPTU na cidade de São Paulo. Em todos esses casos mostramos resultados concretos.
 
Qual vai ser a política de administração (gestão) do senhor para o Interior do Estado? Pretende criar escritórios regionais e descentralizar a administração? Alguma proposta específica?
A proposta específica é justamente a descentralização administrativa por meio da criação de escritórios regionais. Hoje, a situação beira o absurdo. Um prefeito vem para São Paulo muitas vezes só para assinar convênios de valores baixos que não justificariam despesas como três horas de viagem, combustível e hospedagens, que são altíssimas. Vou ter representantes locais tanto para resolver as questões mais simples quanto para preparar a solução de questões mais complexas. Ou seja, para adiantar, encaminhar soluções, de forma que quando chegar para o governo central é só tomar as decisões. É assim que eu vou agir, tendo escritórios que me representem efetivamente e que tenham poder nas regiões.
 
Qual o diagnóstico que o senhor faz dos índices de criminalidade do Estado e como o senhor pretende conduzir a segurança pública, se eleito?
A situação da segurança pública em São Paulo é muito grave. Nos últimos dez anos, o número de ocorrências de roubo de veículos subiu 40%, de latrocínio aumentou 14% e de roubo de cargas cresceu 29%. A cada cinco minutos uma pessoa é roubada ou furtada no Estado. A cada 43 minutos é registrado um caso de estupro e a cada 51 minutos uma pessoa é morta ou é baleada ou esfaqueada. É uma situação gravíssima, de guerra. Temos que mudar essa realidade. Em primeiro lugar, é preciso dar condições de trabalho e estimular a polícia, e ao mesmo tempo cobrar resultados. Vou reduzir a burocracia para que tenhamos mais policiais militares nas ruas e mais policiais civis na investigação. Vou monitorar as divisas do Estado e combater o tráfico de drogas e de armas. É preciso definir uma política de segurança pública baseada em métodos modernos de análise de inteligência e planejamento, incorporando-se tecnologia e boas práticas de polícia preventiva, investindo na qualificação e no aprimoramento dos serviços policiais, bem como na valorização dos profissionais. Mas acima de tudo o que falta hoje é autoridade do governador de São Paulo. A polícia parece perdida porque o comandante máximo não sabe o que fazer. No meu governo, não vamos tolerar ilegalidades. Quem vai comandar a segurança pública serei eu. Sei o que quero, sei o que deve ser feito e vou fazer.
 
Segundo a Polícia Civil, há cerca de duas décadas, a Seccional de Franca, composta por 17 cidades, possuía 500 policiais. Hoje, esse número não chega a 250. Ainda na área de Segurança, Franca perdeu também o Copom, que foi transferido para Ribeirão Preto. A mudança é alvo de que constantes queixas da população que reclama da desorientação dos profissionais que não conhecem a cidade e da consequente demora no atendimento. Se eleito, o que o senhor fará para reverter essa perda de profissionais? E pretende levar de volta a Franca o 190 da PM?
São Paulo tem três policiais para cada mil habitantes. É uma taxa similar a de países como Argentina, França, Japão, Alemanha. Ainda não estou convencido de que há necessidade de mais contratações. O que a gente precisa é fazer com que o efetivo existente trabalhe em prol da defesa da população. Isso que eu vou fazer, desburocratizando, botando a polícia militar na rua e a civil investigando. Se isso não for suficiente, vamos aumentar a quantidade de policiais civis e militares. Mas antes precisamos modernizar a gestão da segurança pública e ver qual vai ser o impacto. Em relação ao 190 da PM, é verdade que houve a centralização e há dificuldade de informação. A questão não é ter 190 em Franca, é ter gente que conheça Franca ou que tenha informações da região de onde está vindo o chamado. Isso é possível avançar melhorando a gestão, melhorando as informações e os sistemas de informação da Polícia Militar. Não precisa ter um Copom em Franca para ter um bom atendimento na região. Eu posso ter um bom atendimento se houver as informações necessárias para fazer esse atendimento. É isso que precisa ser feito. Agora, a PM fechou o Copom em Franca e não se preparou para ter um bom Copom atendendo em outro lugar por meio de profissionais que tenham conhecimento de Franca. Nós vamos resolver.
 
Em relação à implantação do ensino integral em escolas públicas estaduais. Como essa implantação imediata será possível já que há superlotação e a construção de novas escolas é um processo demorado?
O Estado de São Paulo tem 4 milhões de alunos, sendo 2,5 milhões no ensino fundamental que em 10 anos serão 2,2 milhões. Minha proposta é de implantação do ensino integral no ensino fundamental. É um processo que não vai começar do dia para a noite. É um processo de dez anos. Quando eu estiver deixando o governo do Estado, já terminando o mandato, em 2018, vamos ter 480 mil alunos da primeira à quarta série matriculados no ensino em tempo integral. Nos anos seguintes, vão para a quinta, para sexta, para sétima, para a oitava e para a nona série. Em dez anos - o primeiro ano não vai ter, porque é o ano em que eu vou chegar no governo - todos os 2,2 milhões de alunos do ensino fundamental estarão em tempo integral. Dez anos é tempo suficiente para fazer todas as obras e adaptações e toda a qualificação de mão de obra. Esse é um projeto de R$ 16 bilhões que vai ser executado em dez anos. Quanto à questão dos alunos que trabalham, é bom lembrar que o ensino fundamental é do primeiro ao oitavo ano, e que até os 14 anos, o aluno não pode trabalhar, é ilegal. Quem estuda no período noturno do ensino médio vai poder trabalhar durante o dia. Além disso, como o ensino médio vai ser articulado com o ensino técnico, o aluno terá oportunidade de adquirir uma profissão e ajudar a família, depois de terminar o ensino médio, com um bom emprego e um bom salário.
 
A educação tem sido seu mote de campanha. Em Franca, temos uma escola modelo do Sesi, mas com vagas e acesso limitado. Se for eleito, quais suas propostas para melhorar a educação na região?
Sempre é bom lembrar que o Sesi é uma estrutura da indústria e tem acesso limitado mesmo, porque essa é a proposta do Sesi. A minha proposta é leva o padrão Sesi de educação para a rede estadual, com ensino em tempo integral, escolas reformadas, revitalizadas, de tal forma que quem estudar em colégio do Estado terá acesso a um padrão de educação igual ao do Sesi. Tanto que não vai haver mais problema de gente querer sair das escolas do Estado para ir para o Sesi, porque os padrões serão iguais.
 
Como o senhor avalia o valor dos pedágios cobrados atualmente?
Sem dúvida nenhuma os preços dos pedágios em São Paulo são muito elevados. Isso se deve à forma como foi feita a privatização das rodovias do Estado. Sempre é bom lembrar que quem conduziu o processo de privatização foi o então vice-governador, Geraldo Alckmin. Ele foi o responsável pela adoção desse modelo de privatização no qual o preço do pedágio está muito elevado. Quanto a isso, não tem muita coisa a se fazer, porque há contratos a cumprir. Mas o meu compromisso é no sentido de que em todo contrato que vencer e haverá um leilão pelo menor preço de pedágio. Com isso, no futuro, os pedágios vão cair. E as novas estradas que forem concessionadas também serão leiloadas pelo menor custo de pedágio, de forma que a eficiência da gestão privada sirva para o usuário final.
 
A indústria calçadista de Franca enfrenta hoje uma grave crise. Segundo dados do sindicato da indústria, o setor deve fechar o ano com 5 mil vagas a menos em Franca. Como evitar novas demissões? Quais são suas propostas para o setor? Como presidente da Fiesp/Ciesp quais foram as ações do senhor para defender a indústria calçadista?
O setor calçadista sempre teve na Fiesp um grande defensor de seus pleitos, seja na redução de impostos, seja na redução do preço da energia elétrica, que também é insumo industrial, seja na melhoria dos portos para facilitar a exportação. Comigo no governo do Estado, o setor calçadista pode ter certeza de que tem um aliado. Vamos equalizar as alíquotas de ICMS, aumentar a qualificação da mão de obra, abrir novos mercados e combater o Custo Brasil. Esse vai ser o meu papel no governo do Estado.
 
O setor têxtil sofre com as altas cargas tributárias, a concorrência desleal de tecidos chineses e poucos incentivos para alavancar a indústria. Foram mais de 120 empresas fechadas no Estado nos últimos cinco anos. Em junho passado, foram 1,3 mil vagas fechadas em São Paulo, no pior desempenho do mês desde a crise de 2008-2009. O que traz o plano de governo para garantir a sobrevivência do setor?
Não só o setor têxtil, mas a indústria em geral vive um momento delicado devido ao chamado Custo Brasil, que rouba nossa competitividade e faz com que a gente concorra em desvantagem, sem isonomia, com os produtores internacionais. Como forma de contrabalançar as questões do Custo Brasil, no meu governo eu pretendo ajudar o setor produtivo reduzindo a burocracia, ampliando o prazo de recolhimento de impostos para dar mais fôlego financeiro para as empresas, além de realizar um amplo plano de treinamento de mão de obra para aumentar a força de trabalho e melhorar a produtividade do setor. Embora o Custo Brasil esteja associado a questões da política federal, eu vou ser o representante do setor produtivo nessas questões. Vou ser o embaixador de São Paulo junto ao governo federal, e vou fazer a minha parte reduzindo a burocracia, aumentando o prazo para recolhimento de impostos e auxiliando o setor no que for possível. 
 
A Santa Casa de Franca possui um hospital novo com capacidade para 64 leitos, que está sem uso há um ano e meio. Mas não há previsão para a inauguração do espaço, devido à falta de um financiador para arcar com R$ 1,8 milhão que a nova ala custaria por mês, segundo a instituição. A falta de leitos para internação é um grande problema na área de saúde da região. Caso eleito, o senhor destinaria verbas para colocar esse hospital em funcionamento?
Tenho o compromisso de redução do ICMS das Santas Casas na compra de insumos. Isso vai representar 18% de economia nos insumos, o que provavelmente será capaz de financiar metade da necessidade da instituição. Esses novos recursos serão suficientes para que a Santa Casa de Franca abra esses 64 leitos. Se não for suficiente, vamos estudar uma solução. Nossos estudos mostram que a região de Franca precisa de uma expansão de leitos, porque tem um índice de leitos por habitantes inferior ao da média do Estado. E se já tem um hospital pronto, eu vou ajudar a fazer a Santa Casa funcionar.
 
A saúde em Franca é alvo constante de queixas, faltam vagas na UTI, há filas de espera para exames e faltam médicos. O que o senhor pretende fazer para melhorar o atendimento de saúde no interior, em especial, na região de Franca? O que pensa sobre a instalação de um hospital das clínicas na cidade?
Franca precisa de mais um hospital para fazer esses exames e acabar com as filas. Nós vamos fazer. Mais um hospital e mais Ames tanto em Franca quanto na região.

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