Alckmin anuncia ‘Rota do Interior’


| Tempo de leitura: 11 min
Governador reconhece a necessidade de novos planos para saúde, educação, energia e segurança pública
Governador reconhece a necessidade de novos planos para saúde, educação, energia e segurança pública
Há uma enorme omissão do governo federal em relação à segurança pública na opinião do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, para quem “as fronteiras estão escancaradas”. Ao receber a Associação Paulista de Jornais (APJ) na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin confirmou que estenderá a implantação do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) para as diferentes regiões do Estado como parte da estratégia de enfrentamento de organizações criminosas como quadrilhas de roubos de cargas, bancos e veículos. “É a Rota do Interior”, disse ele. Na área de saúde, a novidade é transformação dos ambulatórios regionais, os AMEs, em hospitais-dia para a realização de pequenas cirurgias e com isso desafogar os hospitais. Para estimular o turismo e fazer crescer a geração de empregos no setor terciário da economia, ele prevê triplicar o número de estâncias das atuais 70 para 210. Confira nesta página a entrevista como o candidato Geraldo Alckmin. Na página seguinte, a entrevista como candidato Paulo Skaf. O candidato pelo PT, Alexandre Padilha, teve entrevista publicada no último dia 23 de agosto.
 
Por que o senhor deseja a reeleição ao governo de São Paulo?
São Paulo tem avançado muito. Quando Mário Covas assumiu (o governo estadual, em 1995), dizíamos que São Paulo tinha tamanho de país como a Argentina, que é o segundo país da América do Sul. Hoje o PIB paulista é quase o dobro do da Argentina; ela tem 455 bilhões de dólares e São Paulo quase 800 bilhões de dólares. O endividamento do Estado na época era 2,28 vezes a receita corrente líquida e reduziu para 1,4. O Estado foi saneado e estamos com o menor endividamento da série histórica, com a maior capacidade de investimento. Nesses quatro anos chegamos a 74 bilhões de investimentos e reduzindo impostos. O Estado cresceu acima da média brasileira. Adquirimos uma grande experiência e entendemos que o Estado pode avançar ainda mais no desenvolvimento, emprego e renda, caminho para reduzir pobreza. E melhorar os serviços públicos, principalmente educação e saúde. O Interior de São Paulo pela primeira vez gera mais empregos do que a Região Metropolitana (da capital). Essa é a vocação de São Paulo, terra de oportunidades.
 
Quais as lições que podemos tirar da crise hídrica e o que o paulista pode esperar em relação ao abastecimento de água nos próximos anos? 
Primeiro temos que reconhecer que se enfrentou uma seca que é a maior dos últimos 84 anos segundo o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) que tem estudo hidrológico desde 1930. Mesmo assim, na Região Metropolitana de São Paulo inteira, com 22 milhões de pessoas a 700 metros de altitude (as megalópoles do mundo estão a beira-mar), você abre a torneira e tem água. Iniciamos a PPP do São Lourenço e vamos buscar água do Alto do Juquiá. Mas estamos enfrentando mudanças climáticas. Qual o caminho? Vale para todos (os municípios), sejam Sabesp ou não: tem que aumentar a reservação, tem que ter grandes reservatórios. Quando chove, tem que guardar. A seca não é uniforme, pega mais uma região e menos outra, então é preciso integrar bacias para diminuir a vulnerabilidade e não depender de um sistema só. Aumentar a água de reuso, que é mais barata e que pode ser utilizada para tudo, menos para beber. Quando se trata o esgoto, pode usar a água de reuso na agroindústria por exemplo e substituir a água de consumo humano. Não tem sentido usar água tratada para lavar calçada e jardim. Tratamento de esgoto e uso racional da água. Em 2015, em março, estará universalizado o saneamento básico nos municípios operados pela Sabesp no Interior Paulista. No Litoral, em 2016 e na região metropolitana em 2019. Criamos o programa Água Limpa que começamos nos municípios com menos de 50 mil habitantes. Agora vamos expandir para municípios maiores de até 100 mil habitantes. Lançamos um programa de R$ 300 milhões de compensações ambientais para recuperar mata ciliar e mananciais.
 
Há uma guerra ambiental também, além da fiscal? São Paulo avança na legislação ambiental, mas como fica a sustentabilidade econômica, o custo não está maior que o de outros estados?
A maioria da legislação é federal, o Código Florestal é para o Brasil inteiro. Alguns estados cumprem a legislação e outros não. O que procuramos fazer além de cumprir a legislação? Não ter burocracia, simplificando ao máximo os procedimentos. Em relação à guerra fiscal, há dez anos atrás São Paulo respondia por 42% da indústria automobilística brasileira. Ela é importante porque a cadeia produtiva é longa. Hoje ela é 43%. Crescemos: Toyota em Sorocaba, Hunday em Piracicaba, Chery em Jacareí, Comil em Lorena. A indústria está procurando o Interior e nem precisa ser cidade grande. Mercedes Benz em Iracemápolis, Honda em Itirapina, fábrica de motores em Porto Feliz, Caio em Barra Bonita, além de Botucatu. A guerra fiscal tem um prazo para acabar porque quem assumir a presidência da República no que vem, seja quem for, vai ter que fazer algumas reformas macro nos primeiros seis meses, para não perder o mandato. Defendemos uma alíquota interestadual de 4% e migra para o destino, alguém vai perder e alguém vai ganhar e cria-se para os estados menos desenvolvidos um fundo. 
 
O turismo é viável no Estado de São Paulo?
O que mais gera empregos e vai gerar no futuro é o setor terciário, serviços. A agricultura mecaniza e a indústria robotiza. Na última temporada, 1,1 milhão de passageiros passou pelo porto de Santos para cruzeiros. Tínhamos 67 estâncias hidrominerais, balneárias, climáticas, religiosas, históricas. Criamos três -- Brotas, capital do esporte de aventura; Olímpia, águas termais, com 8 mil camas e mais 6 mil em construção; e Guaratinguetá, religiosa, ao lado de Aparecida, que recebeu ano passado 12,5 milhões de romeiros e é o segundo maior centro de peregrinação religiosa do mundo. Outros 140 municípios vamos chamar de interesse turístico. A lei está na Assembleia e com isso vamos ter 210, triplicando o número. O turismo cresce de forma impressionante e isso é bom porque tem muita pequena empresa. Irriga, distribui renda.
 
Uma das maiores demandas da população de Franca, como de todo o Estado, é a Saúde. Se eleito, o que o senhor vai priorizar nessa área?
Hoje saúde é o maior problema em todos os municípios, grandes e pequenos, por quê? A população envelheceu. Era um país jovem, agora é um país maduro e caminha para ser um país idoso, o que é ótimo, sinal de que estamos desenvolvidos. A medicina se sofisticou. Antigamente não existia ressonância magnética. E o governo federal diminuiu a sua participação no financiamento. Novas doenças surgiram, como as degenerativas, doenças que demandam cuidados intensivos. A mortalidade infantil caiu, a expectativa de vida subiu, mas há uma crise de financiamento. Nós vamos ampliar os AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades). E vamos fazer o AME Mais. O AME vai ser hospital dia e vai fazer cirurgia de média complexidade com cirurgião e anestesista. O padrão é o AME Heliópolis aqui na capital. Barretos já tem dois AMEs, um cirúrgico e um clínico, mas a maioria é só clínico. Há uma tendência hospitalocêntrica de todo mundo ir para o hospital e a ideia é evitar. O hospital é para casos mais graves e de internação mais longa. Vamos então ampliar os AMEs e eles serão o ‘hospital dia’. Em todos que forem necessários. E assim vamos reduzindo fila. Há 52 AMEs e vamos expandir, podendo chegar a 100 AMEs. Vamos propor aos municípios participar com o Estado no custeio para fazer mais depressa. Fazer prédio é fácil, o problema é o custeio, que hoje é 100% do Estado e nenhum centavo do SUS e aqui entra outra questão. O SUS paga pouco, em média 40% do custo de um procedimento. Ainda tem teto e como a gente atende muita gente fora de São Paulo que vem para cá -- transplantes, casos graves, cirurgias e grandes traumas -- estouramos o teto, R$ 1 bilhão por ano. E então para não estourar uma Santa Casa ou prefeitura, tiramos os nossos serviços e com isso não tem um AME que receba dinheiro do SUS, é 100% do governo estadual porque não temos como pôr na conta por ter estourado o teto de Brasília. Outra medida é ampliar a rede hospitalar. Fizemos a primeira PPP de hospitais: em São Paulo, o hospital da Mulher; em Sorocaba está no canteiro de obras e outro em S. José dos Campos. Vamos trabalhar em rede. Já fizemos a Rede de Combate ao Câncer, tem 74 hospitais na rede integrados pelo sistema de marcação 24 horas, sábados, domingos e feriados. Vamos fazer a Rede do Trauma. Há muito traumas devido acidentes com jovens em carros e motocicletas e idosos em fraturas nas quedas, começando por São Paulo e região de Campinas. Inauguramos o primeiro hospital só para dependentes químicos em Botucatu.
 
Franca enfrenta um grande índice de criminalidade, com crescimento no número de mortes violentas, por exemplo. O que o governo pode fazer para melhorar a segurança no Estado?
Há uma enorme omissão do governo federal na questão de segurança. Tráfico de drogas, de armas, lavagem de dinheiro são crimes federais. As fronteiras estão abertas, escancaradas, não existe nada, não quer nem chegar perto. E a situação ainda é mais grave no Nordeste, porque a vítima da droga é o rapaz do sexo masculino e de baixa escolaridade e mais pobre. segurança. A novidade em São Paulo é a Rota no Interior, o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Tratamento de ações do choque, carros grandes, quatro policiais por carro fortemente armados. Implantamos em São José dos Campos, Campinas e Baixada Santista. E vamos agora levar para as demais regiões do Estado de São Paulo. O BAEP é para enfrentamento de organizações criminosas. É a Rota, como não pode chamar de Rota, demos o nome de Baep. Quadrilhas de roubos de carros, de carga, banco, caixa eletrônico, automóveis, coisas que envolvem sistemas. 
 
Tínhamos o presídio do Carandiru na capital, que concentrava os presos; com a mudança dos presídios para o Interior, descentralizou mas aumentaram os problemas em muitas regiões. Gostaríamos que o senhor comentasse sobre isso e também, por outro lado, se seria possível separar as pessoas que cometeram crimes daqueles que nunca atentaram contra a vida?
Pode e deve. Quem estabelece a execução penal é o Judiciário. Tínhamos 30 mil presos em cadeias. Hoje temos menos de 3 mil, feminino até o fim do ano acaba e mais alguns meses zera os demais. Se você for hoje no sistema prisional a reclamação é que a pena poderia ter progredido, e não está. Estamos insistindo com o Judiciário para fazer mutirão. SP tem 22% da população brasileira. Temos 221 mil presos de 500 mil, 40%. Temos o dobro de presos, porque é a polícia que mais prende, por isso é que os índices foram reduzidos. A separação já é feita pelo tipo de delito, de pena. A meta é: o preso estudar e trabalhar. Pirajuí é modelo. Fábrica de móveis. Cada 3 dias de trabalho reduz um dia de pena. Penitenciária feminina: chefes de cozinha fazendo curso, sai e já contrata. Editais, obras como o Rodoanel, têm muito egresso do sistema prisional, é obrigado, tem que contratar um percentual para dar oportunidades, tem um conjunto de políticas públicas. De outro tem leis que precisam ser aperfeiçoadas. Por exemplo: com 17 anos, 11 meses e 29 dias mata um, dois, três, quatro, cinco, não passa de três anos e sai com a ficha limpa. O ECA protege a criança e adolescente, é uma boa lei em relação ao direito dela, mas não dá resposta ao reincidente greve. E cada vez os crimes são mais graves com idade menor. Você não educa se não tiver limite. A impunidade deseduca. Não precisa nem mexer na Constituição brasileira, senão vai parar no Supremo Tribunal Federal para saber se é cláusula pétrea ou não. É só mudar o ECA: reincidente grave fica 8 anos. Outra é aumentar a pena do maior que usa o menor. Se tiver um menor, a sua pena aumenta, agrava a pena, não ponha menor no meio que a sua pena será agravada. Nós levamos ao Congresso Nacional essas propostas. Infelizmente ainda não avançou. 
 
E para a Educação, o que o senhor propõe?
No Brasil inteiro, em Bauru e no Acre, investe-se 25%. O Estado de São Paulo investe 30%, é o único ente federativo do Brasil, é da Constituição paulista, mais 1% para a Fapesp em pesquisa e desenvolvimento. Somos o Estado que mais investe em educação. Criamos a Escola da Família, temos mais de 3 mil unidades que abrem no fim de semana com professor pago, voluntário e educador universitário que tem a bolsa. Diminuiu muito a depredação na escola. 35 mil alunos fazem faculdade de graça e retribuem à sociedade trabalhando no sábado ou domingo. As coisas melhoram onde se investe no professor. Temos uma escola de formação e aperfeiçoamento com 60 mil estudando vários tipos de cursos à distância e presencial. Valorização salarial: o professor teve aumentos reais acima da inflação. 72 mil professores foram concursados. E a escola de tempo integral, que não é só o aluno ficar lá duas ou três horas. O professor é também em tempo integral: ele ganha 75% a mais de gratificação. E no ensino médio, oferecer também o técnico e sai com dois diplomas. Tem ociosidade na rede privada, abrimos um chamamento edital chamado Vence e estamos contratando a rede privada, vamos chegar a 125 mil alunos. Na Rede Paula Souza temos 300 mil alunos, ensino médio e faculdade. Ajudamos as prefeituras passando dinheiro para creches, pela primeira vez o Estado começou a operar no ensino infantil. E criamos a Universidade Virtual, a quarta universidade paulista. Em 20 anos, metade dos alunos de ensino superior estudarão pela internet inclusive engenharia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários