O hidrogênio é candidato a ser um combustível do futuro. Gerar hidrogênio através da energia eólica custa cerca de 40% mais do que o galão de gasolina e, mesmo assim, é mais barato que gasolina. Economia em escala também baixa preço do carro. Em 1909, o Ford ‘T’ era vendido a US$ 825 — US$ 19.861 a preços de hoje. Já em 1916 custava US$ 345 — US$ 8.305 dólares hoje.
Superado o custo, imagina-se que postos de hidrogênio são muito caros. Em 2009, em Newport Beach, posto com capacidade de 100 kg/dia, custou pouco mais de US$ 4 milhões, caro porque utiliza tecnologia de reforma de metano. Já em Linde, baixou para US$ 2,6 milhões. Um posto de gasolina novo custa US$ 2 milhões.
Por que usar células de combustível e não baterias? Comparando o Toyota Mirai e o Tesla Model S não há diferença entre eles na questão preço. Quanto a abastecimento, ambos necessitam de equipamentos especiais. O modelo S carrega 80% da capacidade em 30 minutos. O Mirai leva alguns minutos para reabastecer com hidrogênio. Parada em uma viagem, então, não chega a ser transtorno. Também se pode carregá-lo em casa. Carro elétrico, no entanto, perde feio no alcance. O Mirai faz 300 milhas (500 km) por tanque de hidrogênio. O S faz 200 milhas (320 km) por carga da bateria. Enquanto americanos e europeus debatem, o Brasil, que tem o grande potencial hidrelétrico, solar e eólico, não faz nada... No Ceará, uma empresa vende aerogeradores de 500 W por R$ 2 mil, R$ 2,4 mil com transporte e instalação. Se a Caixa aportasse R$ 3 bilhões em 48 meses para financiar kites, 1 GW pico seria instalado no período, 4 GW em 10 anos. R$ 10 bilhões em dez anos financiaria uma ‘Itaipu’ no período, ou dez, em vinte anos. Só faltam os carros elétricos ou a hidrogênio.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
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