O brasileiro e as eleições


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A aproximação das eleições proporcionais deste ano é uma boa ocasião para avaliar o pleito e os eleitores brasileiros. Torna-se cada vez mais nítido que o País ainda não sabe mensurar a importância de suas escolhas que acabam influindo em seu cotidiano, em todos os aspectos de sua vida. Por isso é que o marketing político se transforma na principal arma dos candidatos para conquistar o maior número possível de votos. Propostas são relegadas a segundo plano, transformando candidatos em produtos e propagandas eleitorais em verdadeiros comerciais de margarina. Os ataques e acusações, com ou sem fundamento, contam muito mais do que se promete fazer durante um hipotético futuro mandato.
 
No final das contas, quem tem culpa nesta situação é mesmo o eleitor, que não busca conhecer o seu candidato. Aliás, quase nenhum deles se lembra em quem votou nas eleições de 2010, conforme apontam pesquisas recentes. Enquanto o brasileiro encarar as eleições como um jogo, onde não pode ‘perder voto’, continuaremos escolhendo sem qualquer responsabilidade ou consciência nossos representantes, desde presidente da República, passando por integrantes das Casas Legislativas e governos estaduais.
 
Hoje o brasileiro não protesta elegendo um rinoceronte (o famoso Cacareco, em meados do século passado, em São Paulo) ou um gorila (Tião, nos anos 1980, no Rio de Janeiro) como vereadores. A urna eletrônica impede que o voto seja anulado desta forma. Aí, o eleitor aposta no deboche, no inusitado, nas subcelebridades que se aproveitam desta postura para se darem bem. No último pleito, o palhaço Tiririca, que agora tenta a reeleição, conseguiu 1,3 milhão de votos, o que permitiu que mais três candidatos de sua coligação conseguissem uma vaga na Câmara dos Deputados. Eles não obtiveram votos suficientes, mas se elegeram por causa do quociente eleitoral.
 
Este é o perigo da postura da maioria dos brasileiros, que veem na eleição uma obrigação e não um dever do cidadão. Com isso, vão às urnas de má vontade e acabam criando fenômenos eleitorais que não se sustentam, tornando o nosso Congresso um dos mais caros e menos produtivos do mundo. É preciso que o eleitor se preocupe com o que propõe o seu candidato, as suas motivações e, principalmente, a sua vida pregressa.
 
Num País onde programas sociais e de transferência de renda ainda são usados como trunfos eleitorais (ou eleitoreiros, depende de quem vê), falta consciência política dos responsáveis por eleger seus representantes em todos os níveis. Décadas atrás, eleitores dos rincões do Brasil eram tratados como rebanho, com o famoso ‘voto de cabresto’: trocava-se a preferência por dentaduras, sapatos ou roupas. Há quem, ainda hoje, se proponha a trocar o voto por cesta básica. Por isso, o brasileiro precisa se conscientizar não só da importância do seu voto, mas também da sua própria. Quem oferece vantagens não é digno de um mandato. Já os que apresentam propostas e respostas à reivindicação da comunidade que propõem servir, estes sim merecem o voto que visará ao bem comum, ao fortalecimento da democracia no País.
 
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