O tradicional Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”, que há mais de 90 anos vem prestando atendimento de excelência a centenas de milhares de pacientes, está à beira da insolvência. A insuficiência das verbas federais, provenientes do SUS (Sistema Único de Saúde), deixa a instituição à beira da insolvência que só não aconteceu até hoje por causa da ajuda de voluntários e abnegados diretores que fazem de tudo para não deixar o hospital fechar as portas.
Em entrevista ao radialista Marcelo Valim no programa Hora da Verdade da Difusora, ontem, o presidente do estabelecimento, Wanderley Cintra Ferreira, confidenciou que já precisou avalizar empréstimos junto a instituições financeiras para fazer frente às despesas, que ultrapassam R$ 800 mil mensais. Não fossem as campanhas e a clínica, que atende pacientes particulares, o rombo poderia ainda ser maior. Há ainda um repasse mensal de R$ 20 mil da Prefeitura que serve apenas como um refrigério.
Assim como outras instituições hospitalares em diversos municípios do País, o Hospital “Allan Kardec” sofre com o descompasso do gerenciamento das verbas do Ministério da Saúde que nunca são suficientes para cobrir todos os procedimentos. Wanderley Cintra cita a falta de reajuste nos pagamentos do SUS diante dos aumentos anuais de salários e nos preços dos insumos, que causam mais prejuízos. Ele ressalta que, além da ajuda de voluntários, o dinheiro proveniente de emendas parlamentares serve para aliviar o caixa.
É uma situação difícil, que não pode mais continuar. O governo federal precisa, em conjunto com o Estado e o Município, encontrar uma fórmula que evite o fechamento de um estabelecimento de saúde quase centenário e de existência exemplar. Atualmente, o “Allan Kardec” atende não apenas pacientes com distúrbios psiquiátricos, mas também os acometidos pelo vício em drogas e bebidas. O trabalho ali feito é considerado da mais alta qualidade, não apenas aos pacientes particulares, mas também aos que dependem da saúde pública.
Os problemas que envolvem a saúde pública no País e a sobrevivência de instituições tradicionais já são crônicos. A remuneração dos procedimentos pelo SUS, muito abaixo do ideal, é considerada o maior obstáculo. A falta de reajustes agrava toda a situação. Por isso, se não houver uma reformulação em todo o sistema, acabando-se com os gargalos da corrupção, que desviam o dinheiro destinado a financiar a saúde pública, nada será capaz de salvar hospitais como o ‘Allan Kardec’ e milhares de outros que vivem à beira da insolvência.
A questão é urgente e não pode mais ser adiada. Do contrário, corremos o risco de ver instituições que atendem aqueles que não têm como arcar com os custos de um plano de saúde — a maioria de nossa população — chegar a um ponto sem retorno, com dívidas cada vez maiores que as obriguem a fechar as portas. Como sempre, os maiores prejudicados serão os mais carentes, que dependem da saúde pública. Quando os recursos do pré-sal (hoje, apenas uma premissa) chegarem, pode ser tarde demais.
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