A joaninha


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Sempre foi danada, faladeira e espevitada. Destas que contam causos no banco da praça onde se senta para tomar sorvete de casquinha com as amigas. 
 
Paulinha usava blusa de manga comprida, capuz, jaquetas e calças nas perninhas finas. O  motivo: odiava ter pintinhas.
 
Tentou de tudo. Pulou no alvejante da lavadeira, tomou banho e esfregou-se na espuma por mais de horas, colou adesivos floridos sobre as bolinhas pretas, pulou na farinha da cozinheira e no açúcar da confeiteira.
 
Paulinha era uma joaninha diferente, mas o que isso importava? Absolutamente nada. Cada um é de um jeito mesmo, só que ela fazia questão de mostrar para todo mundo a maneira como pensava, a dar palpites e opiniões. 
 
Um dia caminhando pelo vaso de margaridas que ficava sobre a mesa da sala, desequilibrou e caiu. PLOFT! E o menino que lá morava estava justamente fazendo ARTE e usava tintas coloridas, daquelas de pintar tecido e que não saem nunca mais.
 
Levantou com esforço do potinho, fez pinguinhos por toda a toalha. Agora Paulinha era verde limão e nada no mundo deixou seu coraçãozinho mais feliz. 
 
Vez por outra voltava à sala e fazia-se pintinhas. Porém, de todas as cores com tinta em alto relevo, carimbava os pés na massinha e adora mergulhar de ponta no glitter.
 
Paulinha era artista e nunca mais quis ser outra coisa.
 
Milla Souza

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