A quatro dias do pleito que vai eleger presidente da República, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais, um balanço da campanha mostra que nunca tivemos um pleito tão caro, conforme levantamentos de diversos órgãos de imprensa e análises de especialistas. E vai mais além: nunca houve campanha tão raivosa, tão cheia de ataques a adversários e com “maquiagens” em números e dados no sentido de seduzir os eleitores. O mote da mudança, que vigorou no início da propaganda política, passou a ser usado por políticos tradicionais, partidos fisiológicos e legendas de aluguel, ainda permanece. Mas os ataques pessoais, promessas mirabolantes e dados escamoteados tomam conta da propaganda no rádio e na TV.
Vive-se hoje uma situação de desespero dos candidatos que se sentem ameaçados pelos adversários. O marketing tomou conta das campanhas, ditando até os discursos dos postulantes aos votos dos brasileiros perante a mídia. O eleitor deveria, antes de tudo, se perguntar: por que se gasta tanto para conseguir um cargo eletivo quando se sabe que dificilmente os eleitos poderão cobrir este valor só com seus vencimentos? Trata-se de uma relação promíscua que a política nacional precisa extirpar urgentemente.
A raiva pode piorar ainda mais nesta reta final da campanha eleitoral. Os números das pesquisas mais recentes dão munição para que os candidatos que se veem ameaçados invistam nos ataques pessoais. Dilma Rousseff (PT) ataca Marina Silva (PSB) que fustiga Aécio Neves (PSDB) que assesta suas baterias contra as duas adversárias: nestes últimos dias, além dos escândalos da Petrobras e o mensalão, que constrangem o governo petista, até a votação da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), que já não existe mais, tornou-se combustível nos debates e na propaganda gratuita. Quem conhece os bastidores da campanha diz que mais chumbo grosso vem aí.
Toda esta baixaria, que acomete candidatos nos mais diversas esferas, nivela a campanha por baixo e transforma-se em um desserviço ao eleitor brasileiro. Porém, enquanto este não começar a cobrar um debate em alto nível, envolvendo propostas e conteúdo programático, continuaremos assistindo um embate que não serve à democracia. Cabe a todos nós cobrarmos dos candidatos soluções plausíveis (e viáveis) para os problemas que nos afligem. Eles são muitos e merecem uma resposta rápida. Não podemos mais eleger quem faz da política uma profissão e só aparece de quatro em quatro anos pedindo o nosso voto.
Esta campanha mostra claramente que ainda temos muitos candidatos que, como já disse a presidente Dilma Rousseff, “fazem o diabo para ganhar uma eleição”. O brasileiro não merece mais ficar à mercê destes elementos que só buscam vantagens pessoais e, como dizia o personagem Justo Veríssimo, do saudoso comediante Chico Anysio, “o povo que exploda.”
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