Três meses, nove médicos, incontáveis consultas, dois exames, nenhum diagnóstico e um óbito. É assim que o professor de primeiros socorros Antônio dos Santos Filho narrou a saga do irmão Luís Henrique dos Santos, morto na última quinta-feira, 25, após procurar assistência médica em órgãos da Rede Pública de Saúde como UBS (Unidade Básica de Saúde), NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) e Pronto Socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. O IML (Instituto Médico Legal) informou como causas da morte cirrose hepática, hemorragia gástrica e alcoolismo no atestado de óbito.
“Para mim foi o maior absurdo. Meu irmão não bebia durante a semana e, aos fins de semana, só cerveja. Ele nunca teve problemas com bebidas. A gente (família) acha que o que ele tinha era câncer mas, se o IML estiver certo, a situação é mais grave ainda! Como ele passa por nove médicos e ninguém vê tudo isso?”, perguntou o professor.
De acordo com o boletim de ocorrência lavrado um dia após o óbito, dores na perna e um ‘caroço’ no umbigo levaram Luís Henrique, em junho deste ano, à primeira consulta. De lá até setembro, os relatos dão conta de que os profissionais médicos trataram o paciente apenas com analgésicos. Com o agravamento de seu estado de saúde, Luís Henrique teria sido encaminhado a um ortopedista. Ao não detectar nenhum problema na perna, ele o teria encaminhado a um cirurgião. “Não sei o que eles iam operar, porque ninguém sabia o que ele tinha. Quando o cirurgião chegou a ver meu irmão, já encaminhou para um oncologista. Uma tomografia estava marcada para o próximo dia 2 (hoje).”
Ainda de acordo com Antônio, a decadência física de seu irmão passou a preocupar a família, que buscou outro caminho para tentar salvar sua vida. “Eu estava com o pressentimento de que as coisas não estavam certas, porque tudo era muito demorado e meu irmão estava piorando. Fui até a Secretaria de Saúde para falar diretamente com a secretária (Rosane Moscardini), mas me disseram que eu não poderia, que teria que falar com uma assistente ou procurar a Ouvidoria”, relatou Antônio. “Ali não tem nenhuma triagem para saber se o caso é ou não grave. Eles só querem saber de papel, não de gente. Meu irmão morreu em casa sem saber o por quê”, completou.
Sem Respostas
O Comércio da Franca entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura, na tarde de ontem, para saber se a Secretaria de Saúde teria uma outra versão sobre o caso ou se o procedimento narrado por Antônio dos Santos Filho pode ser considerado adequado e se o caso será apurado. Apesar do contato, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi enviada à redação.
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