A falta de chuvas (ou o volume abaixo do normal desde outubro do ano passado) vem causando prejuízos e trazendo um cenário desolador para a região de Franca, conforme o Comércio mostrou em reportagem especial no último domingo. Pastos antes verdejantes foram substituídos por terra seca e mato ressecado pelo sol; veios d’água praticamente desapareceram. O nível dos rios, córregos e lagoas, em que pese a chuva que caiu na semana passada, não foi recomposto. Tudo isso acarreta prejuízos a uma das mais importantes atividades econômicas num raio de 100 quilômetros de Franca: a agropecuária.
A estiagem, que é sentida também por aqui, na área urbana, traz incertezas para agricultores e pecuaristas, principalmente os pequenos e médios, que não encontram saída par esta situação que pode causar uma quebra na produção e, consequentemente, criar dívidas inesperadas para a manutenção das culturas ou rebanhos. As fotos de Divaldo Moreira mostram uma paisagem que nos acostumamos a ver em imagens e vídeos mostrando as agruras dos moradores no Nordeste do País. Leitos ressecados de rios e riachos lembram bem aquela importante região do Brasil, castigada por décadas a fio pela seca.
As consequências desta situação climática estão aí, mostradas na reportagem do Comércio. Além de atingir o abastecimento de água e energia elétrica nas zonas urbanas (esta, por causa da redução dos reservatórios das usinas hidrelétricas), a falta de chuvas pode causar prejuízos inimagináveis à agropecuária, não só de Franca mas de dezenas cidades da região. A falta de chuva já é responsável por perdas consideráveis nas lavouras, afetando os rebanhos bovinos e suínos. Para os agricultores, os prejuízos são incalculáveis, principalmente quando se sabe que grande parte deles pertence à categoria de agricultura de subsistência.
As pequenas propriedades rurais, sem condições de investir em alternativas que lhes permitam seguir produzindo mesmo diante da seca, são as mais afetadas. Grande parte delas produz só para manter os familiares envolvidos com as chácaras ou sítios. Sem produção, não têm como se manter. E não contam com incentivos para que possam investir na próxima safra, buscando absorver os prejuízos que estão tendo. Sem a colheita ou com rebanhos mal nutridos, não têm o que vender ou trocar com os vizinhos.
A crise hídrica no Estado de São Paulo (e que também atinge Minas Gerais) é grave e, aparentemente, não vem recebendo a devida atenção de nossas autoridades. A falta de chuvas vem sendo utilizada apenas como munição da campanha eleitoral sem que se olhe para quem está sofrendo mais agora. Será que os governos (federal e estadual) vão criar benefícios para estes pequenos produtores que são bastante importantes para a economia regional? Eles merecem, precisam e buscam incentivos para não abandonar as suas terras. A chuva, que deverá cair nos próximos dias, será apenas um refresco diante deste tempo seco e dos problemas dos pequenos e médios produtores que precisam receber maior atenção pelo valor do que representam para toda a região.
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