Insolvência na saúde


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Um dos grandes problemas enfrentados pelos brasileiros, nos últimos anos, tem sido o atendimento público de saúde. Para quem não tem condições de arcar com os custos de um plano particular, não há escapatória: precisa enfrentar horas nas filas ou nas salas de espera de prontos-socorros, ambulatórios ou hospitais públicos. Para alguns, calvário; para outros, situação insuportável. As falhas no atendimento, que se repetem em unidades médicas por todo o Brasil, causam mortes, deixam sequelas e famílias inteiras revoltadas diante da falta de respostas de quem de direito para esta situação.
 
Ao contrário do que dizem o governo federal e sua base aliada, a situação está ruim e tende a ficar pior, pois a saúde do brasileiro não pode esperar pelo dinheiro do pré-sal para aumentar as verbas destinadas ao setor. No momento, há apenas uma premissa e nenhuma garantia de que o dinheiro vá chegar onde é necessário. Há mais de uma década a situação se agrava, pois a tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), que remunera os procedimentos feitos pela rede conveniada de hospitais, não é reajustada. E isso tem levado à redução no atendimento, restringindo cirurgias eletivas, cortando leitos da rede pública e adiando procedimentos ad infinitum.
 
Trata-se de uma situação insustentável, porque a saúde não pode esperar. Não há uma política clara para resolver esta situação que penaliza os mais necessitados. Mães se desesperam com a falta de médicos para atender seus filhos. Diariamente, não apenas a mídia tradicional, mas também as redes sociais na Internet expõem a situação para a qual não há uma expectativa de solução em curto prazo. As declarações do secretário Estadual de Saúde de São Paulo, o médico David Uip, em relação à Santa Casa da Capital, são reveladoras. Segundo ele, o hospital (que há cerca de um mês cancelou atendimentos e fechou algumas alas) vive um estado de insolvência, apresentando uma situação financeira ‘extremamente grave’.
 
Pois a situação dos hospitais públicos (com raras e honrosas exceções), principalmente os filantrópicos, é extremamente grave. A Santa Casa de Misericórdia de Franca só pôde manter os atendimentos depois que governo do Estado e Prefeitura Municipal passaram a injetar recursos, assumindo a gestão. Caso contrário, o principal hospital público da região já teria fechado as portas por não conseguir honrar seus compromissos. E vários outros, também no Estado de São Paulo, permanecem abertos da mesma forma. Os recursos repassados pelo governo federal são insuficientes para que as instituições façam frente aos seus gastos.
 
A necessidade de se criar uma política de saúde pública comum a todo o País nunca foi tão premente quanto agora. Pacientes continuam sofrendo com as filas e a falta de equipamentos, médicos e recursos que colocam em risco a vida de milhões de brasileiros que dependem da saúde pública. É um setor que merece receber prioridade, para que a maior parcela de nossa população deixe de sofrer tanto como nos últimos tempos. Os recursos precisam ser gerenciados com responsabilidade, com todo respeito devido à vida.
 
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