Viúva pede indenização por morte de marido após atendimento no PS


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Sônia de Almeida fala com o advogado Tiago Carreira sobre indenização pedida pela morte do marido
Sônia de Almeida fala com o advogado Tiago Carreira sobre indenização pedida pela morte do marido
Após quase três anos desde a morte do comerciante Mário Luiz de Almeida, aos 48 anos, mais uma acusação de negligência vem à tona contra o atendimento da Saúde Pública de Franca. Segundo a família de Márcio Luiz, o mau atendimento prestado pelo Pronto Socorro Municipal teria ocasionado a morte de Mário, que procurou por ajuda após ferir a mão em uma garrafa quebrada enquanto trabalhava em seu estabelecimento, no Jardim Cambuí. “Era um corte de quatro centímetros, não faz sentido a morte dele”, argumentou a viúva Sônia Maria de Almeida. “Ele morreu depois de três dias. Passamos pelo ‘Janjão’ três vezes antes de procurar atendimento particular, mas não tivemos tempo”, relembrou a mulher. 
 
O processo que prevê uma indenização de R$ 250 mil por danos morais só foi protocolado na sexta-feira retrasada, dois meses antes de prescrever o período de apresentação junto ao Fórum. O caso teria sido “esquecido” pelo antigo advogado da causa, segundo a família. 
 
De acordo com os relatos, o comerciante teria se ferido no dia 27 de novembro de 2011. A mulher dele disse que pelo tamanho do corte, resolveu encerrar o expediente normalmente e voltar para casa. “Quando ele chegou, lavei o corte com sabonete, passei arnica e fomos dormir. Ele passou a noite mal e acordou com a mão muito inchada”, relembrou Sônia. “No outro dia procuramos o Pronto Socorro. Ele nem se sentou para ser atendido. O médico viu a mão e receitou uma injeção de benzetacil. Voltamos para casa e de novo ele não conseguiu dormir porque a mão não só doía como formigava. Voltamos ao hospital e o médico disse que não tinha dado tempo de melhorar. Passou um analgésico e mandou de volta para casa.” 
 
Ainda de acordo com a viúva, a perna cujo lado era o mesmo da aplicação da injeção teria ficado escuro, “preto” e enrijecido. Assustados, teriam ido mais uma vez ao Pronto Socorro, sem sucesso. “Como ele ainda sentia muita dor e pelo atendimento que ele teve, resolvemos pagar uma consulta particular na Santa Casa. O médico fez os exames e já encaminhou meu marido para o CTI (Centro de Terapia Intensiva). Poucas horas depois veio a notícia de que ele tinha morrido.” No atestado de óbito, consultado pelo Comércio, consta como causas choque séptico (falência circulatória aguda de causa infecciosa), complicações infecciosas e ferimento inciso.
 
De acordo com o atual advogado da causa - que também tem representado outras famílias em ações contra a Rede Pública de Saúde de Franca -, Tiago Carreira, os fatos levam a crer nas acusações de negligência, imperícia e imprudência. “Acredito que as indenizações tenham um caráter punitivo capaz de evitar que incidências desse tipo ocorram. É preciso alertar a administração pública que alguma coisa de errado está acontecendo na Rede Pública de Saúde. Dentro de um certo período de tempo, tivemos mortes sequenciais que não são normais. A narrativa fática de todos os casos englobam os mesmos motivos: a falta de cautela, cuidado e consideração com o atendimento.”
 
A Prefeitura foi procurada pelo Comércio para comentar o caso mas até o fechamento desta edição não respondeu aos questionamentos.

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