Aperfeiçoar objetos para resolver problemas do cotidiano é o que inspira o francano Danilo Ferreira Roncari. O jovem inventor de 24 anos, formado em Ciência da Computação, encontrou um dia algo além de suas necessidades cotidianas que o impulsionou a desenvolver um projeto. Danilo usou suas habilidades de “inventor” para ajudar uma pessoa querida: sua avó. “Ela tinha um problema decorrente de uma doença que a impedia de falar normalmente, então eu queria ajudá-la. Em 2009, fiz uma combinação de placas e gravei com minha voz ações básicas, com frases como ‘quero ir ao banheiro’, ‘quero beber água’, ‘quero levantar da cama’, num cartão de memória e coloquei botões numa caixinha para que fossem acionados por ela”, disse Danilo sobre o funcionamento básico do projeto.
A avó dele sofria de esclerose lateral amiotrófica, conhecida como ELA, que é uma doença neurodegenerativa caracterizada pelo endurecimento de músculos e atrofia muscular. O presente do neto foi dado no início de dezembro de 2009, infelizmente a avó dele faleceu no final do mês com 78 anos.
Nas últimas semanas, essa doença ganhou destaque pelo “desafio do balde de gelo”, uma iniciativa para arrecadar doações para entidades de apoio à doença. A estratégia consistia em fazer uma doação ou virar um balde de água fria na cabeça e desafiar amigos a fazerem o mesmo. Famosos começaram a fazer as duas ações para chamar atenção para a doença, que não tem cura, e a ideia se espalhou.
Além do aparelho para auxiliar a avó, Danilo tem outras invenções. Foi em 2008 que ele começou a se interessar pelo mundo da eletrônica e com a ajuda da internet ele já modificou várias tecnologias por hobby, usando os conhecimentos de programação que aprendeu na faculdade. Danilo já fez um robô, dispositivos para monitoramento residencial, objetos na impressora 3D e outros projetos que podem ser vistos no site dene.com.br.
Para ele, o robô que separa lixo, concluído em 2011, é seu projeto mais complexo. “Ele identificava pelo som se o material era plástico, alumínio e vidro e jogava em um compartimento específico.” O projeto que facilitaria a reciclagem do lixo foi feito juntamente com o estudante Gustavo Amorim.
Cubo mágico
A curiosidade e o gosto por montar e desmontar as coisas também fazem do francano Pedro Mamede Ferreira, 23, hoje engenheiro elétrico, um jovem inventor. “Lembro que aos 10 anos, meus primos e tio tinham feito uma ‘engenhoca’ para pegar manga na árvore, aquilo me deixou intrigado.” Nesse processo de descobertas, um dos quebra-cabeças mais populares do mundo chamou a atenção de Pedro. Mesmo 40 anos depois de ser inventado pelo húngaro Erno Rubik, o cubo guardava possibilidades de transformação para Pedro. Assim durante a faculdade de engenharia elétrica na Unesp, Pedro desenvolveu juntamente com seu professor, Alexandre Silva, o cubo mágico eletrônico. “Ele funciona da mesma maneira, ou seja, é possível girar as faces normalmente. O diferencial é que as cores das peças são luzes emitidas por LEDs.”
Um outra função é a “aprender” que fornece instruções sobre como montar o cubo, de acordo com o método escolhido. Além da “auto embaralhamento” das peças e a opção de salvar o progresso do jogo, como num videogame. “Além dessas funções o cubo possui um display e dois pequenos botões, para acessar estatísticas do jogo, como o tempo de montagem, movimentos executados e número de vezes montadas com sucesso.”
Sobre o registro de patentes, Pedro disse que a Unesp possui uma agência que gerencia a propriedade intelectual, a AUIN (Agência Unesp de Inovação). Pedro e seu professor entraram em contato com a agência e realizaram um depósito do pedido de patente junto ao Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). “O processo no Brasil é demasiadamente lento, existem várias etapas. Buscamos apoio de empresas para investir, licenciar e fabricar o produto”, afirma o engenheiro.
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