Bolo de mexerica


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A mexerica pertence  à espécie citrus deliciosa e já no século XVIII era plantada no Brasil; não deve ser confundida com a ponkan, que é de outra espécie, a  citrus reticulata, que por aqui chegou muito depois.
A mexerica pertence à espécie citrus deliciosa e já no século XVIII era plantada no Brasil; não deve ser confundida com a ponkan, que é de outra espécie, a citrus reticulata, que por aqui chegou muito depois.
Há anos publiquei nesta página uma receita de bolo de mexerica que rende comentários até hoje. Muitos leitores a reproduziram com êxito e aprovaram com louvor; outros até gostaram do resultado, embora tenham acusado um certo traço amargo. Por que seria? - eu me perguntava. Poderia ser pela não retirada da parte branca interior, que aliada às sementes de fato pode estragar qualquer preparação. Mas se afirmavam ter cumprido direitinho essa etapa, não atinava com a razão da queixa. Até que um dia descobri. É que as tentativas que não tinham dado muito certo, eram com a ponkan e não com a mexerica. Esse é o fator que alterava o produto final. Há diferença entre ambas.
 
Tanto uma quanto outra são tangerinas, com sabor, aroma e aspecto semelhantes. Entretanto, as duas variedades apresentam diferenças sutis mas definidoras de aroma e sabor. A mexerica vem da planta Citrus deliciosa, enquanto a ponkan se origina da Citrus reticulata, de onde surge também a maioria dos outros tipos de tangerinas. São espécies diversas. Os botânicos ainda apontam outra distinção: a mexerica possui em sua casca muito mais óleos essenciais - substâncias que deixam aquele aroma cítrico e adocicado quando se descasca a fruta - do que a ponkan. Outra fonte de confusão são os diferentes nomes que a mexerica recebe pelo país a fora. No Rio Grande do Sul, ela é chamada de bergamota. Em outras regiões, o nome muda para mimosa, cravo e enredeira, embora a fruta continue a mesma. A mexerica tem a casca bem aderente aos gomos, de maneira que pede um esforço maior para ser descascada, enquanto a casca da ponkan se solta mais facilmente. O perfume da primeira é bem mais intenso e como as moléculas são abundantes e perduram por alguns segundos, ele pode ser sentido à distância. 
 
Assim como a laranja e a maioria dos cítricos, a tangerina provavelmente surgiu na Ásia, na região onde hoje estão países como Índia, China, Birmânia e Malásia. De lá, foi levada para o norte da África e seguiu para o sul da Europa durante a Idade Média. No Brasil, a primeira referência sobre a tangerina aparece em escritos do padre Manuel Aires de Casal, em 1817. Aqui plantada de forma experimental, a fruta logo se adaptou ao clima do país, que hoje é o quarto maior produtor mundial de tangerinas - os três primeiros são China, Espanha e Japão. Sorte dos brasileiros, que podem aproveitar todos os benefícios nutricionais da fruta. Da mesma forma que a laranja, o limão e outros cítricos, a mexerica e a ponkan também são bastante ricas em vitamina C. E como os gomos possuem muita fibra, o consumo dessas variedades ajuda na digestão. 
 
Para não perder o hábito da etimologia, em português o substantivo mexerica deriva do verbo mexericar. Como a mulher fofoqueira, a mexerica, com seu aroma pronunciado, não consegue se esconder, publica-se para bem além de onde está. 
 
Mas voltando ao bolo, quanto mais miúda e cheirosa a mexerica, melhor ele fica. Ponkans encontramos o ano todo nos varejões. Mas mexerica, só entre maio e setembro. Elas ainda estão bonitas, firmes e perfumadas; aproveite a safra. Para fazer o bolo, lave bem as frutas e enxugue-as. Corte ao meio. Não as descasque. Usando uma tesoura de cozinha, retire toda a parte branca interna e elimine com a ponta as sementes. Pique cada gomo em três. Leve tudo ao copo do liquidificador e junte o óleo, os ovos, o açúcar. Bata por cinco minutos, até que esteja tudo bem triturado. Peneire a farinha com fermento e pitada de sal numa tigela. Junte a mistura do liquidificador à mistura seca e vá mexendo devagar até que tudo esteja bem ligado. Despeje em forma untada e polvilhada com farinha. Leve ao forno preaquecido a 180º e deixe assar por cerca de 45 minutos ou até que espetando um palito no centro este saia seco- indicativo de que a massa está assada. Enquanto o bolo estiver no forno, prepare a calda. Esprema as mexericas restantes e meça uma xícara (chá) de suco. Coloque numa panela pequena e junte duas colheres (sopa) de açúcar. Leve a ferver em fogo baixo até engrossar. Retire o bolo do forno, deixe amornar, desenforme e derrame sobre ele a calda quente. Enfeite com dois gomos de fruta, dos quais tenha retirado a película externa, e com um broto de hortelã.
 
 
INGREDIENTES
 
 6 mexericas pequenas (3 para a calda)
 3 ovos 
 ½ xícara (chá) de óleo de soja
 2 xícaras  (chá) de farinha de trigo 
 1 ½ xícara ( chá) de açúcar para  a massa
 2 colheres (sopa) de açúcar para a calda
 1 colher (sopa) de fermento em pó
 1 pitada de sal
 
porção: 4
dificuldade: fácil
preço: econômico

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