Gilson de Souza (DEM) foi o entrevistado da sabatina do GCN na última terça-feira. O candidato a deputado estadual tem na construção de um novo hospital para Franca uma de suas maior es bandeiras. “A minha função, a minha vida, minha dedicação nesses anos é ajudar a resolver o problema da saúde da Franca e da região”, disse ele.
Por que o senhor quer continuar sendo o representante do eleitor de Franca na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo?
Trabalhei muito por Franca e região e tenho ajudado muito o governador Geraldo Alckmin no tocante ao Estado e temos bons projetos para a cidade. Fizemos muito e temos muito ainda para fazer. Tivemos o Poupatempo, o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), a obra da Curva da Morte, da estrada do Paiolzinho, o Bom Prato, a redução do imposto do sapato, importante demais para a indústria calçadista. Tivemos também vários trabalhos junto à saúde. Vejo a preocupação das pessoas com a saúde e temos ajudado bastante a Santa Casa, o único hospital que temos aqui, que tem prestado seu atendimento ao pessoal mais simples. É importante essa ação na área da saúde. Tem o hospital Alan Kardec, que também tem feito um trabalho importante. E eu fico muito contente de poder trabalhar como deputado, porque estou fazendo o que gosto e acho importante fazer o que se gosta. E tenho vários desafios agora. Um deles é construir o Hospital das Clínicas e trazer o curso de medicina para a Unesp. Vejo isso como um passo muito importante para ajudar na saúde e no atendimento das pessoas que moram em Franca e região.
Nos seus discursos o senhor costuma dizer que a cidade de Franca melhorou muito desde que o senhor se tornou deputado. Por outro lado, seus concorrentes dizem que falta representatividade e que Franca teria perdido muitas oportunidades pela falta de um representante forte. Como o senhor avalia essas críticas?
Não no meu tempo. É só você observar Franca antes e depois do deputado Gilson de Souza. Não tem jeito de você deixar de dizer que o nosso prestígio em São Paulo é muito forte. Porque nunca no Estado de São Paulo aconteceu um fórum, que foi o Fórum do Sapato, quando nós trouxemos a Franca 23 deputados, nunca na história do Estado isso tinha acontecido. Foram 13 partidos na mesma mesa para discutir um assunto tão importante que é a redução do imposto. Quando a empresa francana, o sapato estava deixando o Estado de São Paulo e indo para o Nordeste. Ali começou a salvação do emprego e a permanência da indústria do calçado no Estado, não apenas de Franca, como Jaú, Birigui e Santa Cruz do Rio Pardo.
Os seus adversários também dizem que é preciso renovar os representantes de Franca na Assembleia. O senhor, que está disputando seu quarto mandato, como vê essas afirmações?
Vejo como o discurso de quem quer entrar. É normal isso. Não sou um político velho, estou dentro de uma experiência normal, fiz muito e tenho ainda muito para fazer. Vejo que às vezes as pessoas precisam ter um pouco mais de propostas. A política é uma ciência, é uma sabedoria. Você tem que ter um relacionamento, você tem que gostar. Você não pode ter preguiça porque não tem hora. É um comprometimento. Você tem que ter esse conhecimento, essa responsabilidade e realmente dizer: “sou deputado do Estado de São Paulo”. A cadeira não é sua. A cadeira é do município, do Estado, da comunidade. Você está lá para trabalhar, para trazer as reivindicações e os pleitos que realmente o município precisa. E eu me preparei bem para isso e conheço isso muito bem. Tem dado certo e estou contente por ter essa oportunidade.
Nas eleições de 2012 o senhor apoiou a então candidata a deputada federal, Graciela Ambrósio. Desde então o senhor não tem mantido um bom relacionamento com o prefeito Alexandre Ferreira. Caso reeleito, o senhor não teme que essa falta de sintonia possa prejudicar a cidade?
Não. Cada caso é um caso. Política é como uma nuvem; cada hora ela tem um formato. A disputa de um pleito é um fato e a participação, continuidade e responsabilidade é outro fato. Ele foi eleito e tem a responsabilidade com o município e eu estou como deputado, até março, tendo a minha reeleição, que se Deus quiser vou conseguir. E todos os meus pedidos e todas as emendas que o município precisa eu vou continuar destinando e tenho certeza que ele vai receber.
Uma de suas principais propostas na área da saúde é a construção do Hospital das Clínicas aqui em Franca; de onde viriam esses recursos e como funcionaria, na prática, esse projeto?
Nós temos que pensar nas duas pontas. A gente sempre trabalhou aqui, só com a Santa Casa. Fortalecemos a Santa Casa, estamos ajudando e vamos ajudar muito mais, porque ela precisa cada vez mais de ajuda. Mas não podemos ficar só na Santa Casa, a cidade cresce, a região está crescendo muito, a população cresce e a doença chega, não tem jeito. O que vamos fazer? Projetar um outro hospital. Nós não podemos ficar esperando acontecer tudo de novo, o que aconteceu no passado. Nós temos que agora projetar um hospital, e o hospital que vai dar certo é o das Clínicas, porque nós já temos que mandar o paciente que já está com a doença, ele já está com o problema, ele tem que andar 200 km, ele tem que sair daqui e ir até Ribeirão Preto? Por que não trazer um hospital, trazer um atendimento mais perto da pessoa? Esse é o caminho que nós temos que projetar.
Quanto custaria um Hospital das Clínicas em Franca?
Isso é um estudo que está sendo levantado e tenho a grata alegria de dizer isso, porque não é de agora, nós estamos trabalhando nessa ponta já faz três anos, a divisão de saúde de Franca já fez toda a logística, todo o estudo técnico e o laudo mostram a comprovação da necessidade da gente ter um hospital aqui. O projeto já foi para a secretaria, já foi para a Assembleia. quando tiver o parecer final, aí nós vamos sentar para projetar esse hospital e aí vai ter toda a logística do custo, porque até então esse custo não é possível, porque não tem ainda a planta pronta, como vai ser o hospital.
O senhor também diz que uma de suas propostas é abrir o curso de medicina no campus da Unesp, em Franca. Como o senhor pretende fazer isso, diante da crise financeira enfrentada pelas três universidades estaduais?
É questão de gestão, não tem crise. O dinheiro existe, é questão de gestão. O que nós temos que entender é que se tem hoje o campus da Unesp, inclusive até um trabalho nosso, também, nós na época trabalhamos muito para que acontecesse o campus da Unesp, foram R$ 30 milhões que a gente conseguiu para que tivesse aqui também, o campus da Unesp. Lá são cinco alqueires, são vários os cursos, por que não criarmos o curso de medicina, se já existe toda a estrutura, o espaço físico?
A crise está instalada, as faculdades estão em greve recorrente. O senhor disse que falta gestão e que o dinheiro existe, com esse curso de medicina essa falta de gestão iria se resolver?
A greve é passageira, você não vai ter greve para a vida toda, isso está terminando, inclusive já se normalizou. O que nós temos que pensar é que um curso de medicina é muito importante para a nossa cidade e para a nossa região. Isso é possível e nós vamos lutar para que isso aconteça, não tenho dúvida.
O senhor seria a favor da cobrança de mensalidades nessas universidades paulistas?
Sou favorável à prestação de serviço. Quando você recebe um benefício, você tem que ser grato com o que você recebe e você tem que trazer oportunidade para que os outros também tenham a mesma oportunidade sua. Então, eu acho que você deveria devolver isso, com prestação de serviço.
O que nós observamos em Franca, nos últimos quatro anos de mandato, é uma briga do senhor com o deputado Roberto Engler pela “paternidade de obras”. Cito algumas: rodovia Cândido Portinari, Bom Prato, Poupa Tempo. Como o senhor responde a essas acusações de disputas por obras realizadas por Franca? Quem fez o que, na realidade?
Pega o deputado Gilson, de 2002 pra cá, o que aconteceu na Franca e observa, compara, antes do deputado e agora, com o deputado. Todos os meus projetos, todos os meus trabalhos estão documentados, tenho tudo documentado, na Assembleia. Se você acessar meu site, o site da Assembleia, você vai ver todas as obras...
O senhor sempre dá essa resposta, quando é perguntado a respeito do Engler: “tenho tudo anunciado”. Mas que medida efetiva o senhor tomou contra o Engler?
Vou te dizer uma coisa: o importante é o resultado. Não tenho essa vaidade de ficar discutindo quem foi. Não tenho que ficar discutindo. Tenho que trabalhar.
O senhor disse que tem muito a se fazer. O senhor pensa em fazer exatamente o quê?
Eu estou muito centralizado, agora, é no hospital das clínicas. A minha função, a minha vida, minha dedicação nesses anos é ajudar a resolver o problema da saúde da Franca e da região. Nós não podemos deixar uma pessoa com um problema, em tratamento, andar 200 km para ser assistida lá em Ribeirão.
Durante o debate na igreja católica, na semana passada, o senhor falou que um dos grandes desafios da cidade é conter o avanço da criminalidade, o aumento da violência. Na área da segurança pública, qual a proposta do senhor para diminuir a criminalidade?
Temos que começar na base, na educação, no esporte. Sou vice-presidente da Comissão de Esporte do Estado. Fizemos a lei de incentivo, aquela que favorece o empresário que adotar um projeto. Ele pode fazer com que a criança, na sua vocação, seja natação, atletismo, futebol, vôlei, basquete... a criança possa fazer esporte, porque a prática esportiva é o caminho em que você prepara a formação do homem e eu tenho certeza que com isso vai resolver a parte que nós tanto falamos que é a criminalidade.
Essa é uma questão de médio e longo prazo, mas a criminalidade, a violência é um assunto do momento. Para agora, qual seria sua proposta?
Você tem que pegar as duas pontas, porque se você também não trabalhar na base, você vai ter sempre o problema. Mas essa é uma atribuição do secretário de Estado, não é do deputado.
Mas o senhor, como parlamentar, poderia sugerir algo. Pelo menos pedir mais efetivo para Franca?
Isso nós temos feito. Porque, como um parlamentar pode assumir uma responsabilidade? Você tem as suas limitações. Reivindicar, pedir, sugerir é o que estamos fazendo.
Recentemente o governo do Estado de São Paulo resolveu centralizar o 190 em Ribeirão Preto e as queixas populares têm sido constantes. O que o senhor pensa dessa decisão, o que o senhor fez como deputado para evitar que isso acontecesse e por que não deu certo?
Sou contra ter saído o 190 e ido para Ribeirão, mas só para você entender o tanto que também é complicado, pois o secretário tem autonomia para desenvolver o projeto dele, porque ele foi escolhido para isso, agora, você é um deputado que foi lá e disse assim “eu sou contra, a população está reclamando, o pessoal não está aceitando o 190 aqui”, já estive com o governador...
Quantos projetos de governo o senhor votou contra para manifestar essa sua posição?
Só para acabar de completar, aí o secretário diz o seguinte “é só questão de tempo, nosso projeto é estadual, e ele é bom, ele vai dar certo, ele vai melhorar”, aí o que você faz? Existe um investimento nessa parte da tecnologia, existe um avanço grande nisso daí...
Essa mudança foi feita em abril, já estamos na metade de setembro, será que não deu tempo suficiente para avaliar?
A autonomia é dele, é isso que quero dizer, se eu tivesse o poder de decidir era um fato, eu tenho o poder de reivindicar, de pedir, mas é uma decisão do secretário.
Candidato, o senhor acabou de falar que tem o poder de pedir, de reivindicar. No que o senhor pode ajudar como deputado, além de só levar os pedidos da população? O que o senhor pode fazer também na prática?
Mas eu não só levo os pedidos, eu participo também da votação, a gente interage bem, a gente vota todo o orçamento de São Paulo, a gente tem todo o controle regional, a gente discute com os prefeitos da região, a gente é presente nos municípios, não é só pegar pedidos e levar, você tem que argumentar, você tem que montar toda uma logística de trabalho, é um relacionamento comprometedor que você tem de trabalho, não é só pegar e levar, porque se fosse assim seria fácil.
Agora em relação ao 190 o senhor acabou de falar que o senhor tem como fazer pedidos, mas falando dessa forma parece que a atuação do deputado tem pouca relevância no Estado.
Dentro da decisão do secretário, se você fosse secretária e fosse uma convidada do governador para ser secretária, você tem seu plano de trabalho, você vai colocar ele, eu tenho que respeitar o seu plano de trabalho como deputado, a partir do momento que não está dando certo nós temos que ir lá e representar a população, dizer ‘secretária, seu plano não deu certo’, é isso que nós estamos fazendo.
(pergunta do internauta Denillson Guari Cintra) Qual sua opinião sobre a Fundação Casa de Franca? Sou servidor deste centro, o senhor tem algum projeto em benefício dos servidores desta instituição?
Não, projetos são deles, e o que nós estamos tentando é ajudar dentro das suas reivindicações, para que eles tenham os seus benefícios conforme são merecedores.
Gilson, em 2010 o senhor afirmou ser contra o modelo de progressão continuada na educação. O senhor mantém esse posicionamento? Se sim, o que fez para mudar, já que ele ainda continua em vigor, e o que o senhor pretende para a educação caso seja reeleito?
Eu mantenho, sou contra, e acho que o governo já está pensando em outras alternativas, pelo que nós temos acompanhado.
Tem algum projeto para a educação?
A Assembléia funciona sobre comissão; eu, hoje, estou muito ligado na área da saúde e na parte do esporte. Eu pretendo fazer parte ano que vem da Comissão de Educação, para que a gente possa avançar melhor nesse assunto.
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