O entrevistado da última quinta-feira, dia 25 de setembro, da série de sabatinas do GCN, foi Márcio do Flórida, candidato a deputado estadual pelo PT.
Márcio disse que quer ser deputado porque está insatisfeito com a representação atual da cidade. “Acredito que posso fazer melhor do que os atuais representantes da cidade. Acredito que posso fazer a diferença”, disse ele. O candidato criticou a gestão Alckmin e disse que é “necessário mudar o governador. As pessoas têm que entender que não podem reeleger o governador Alckmin, pois se for assim, tudo continua do jeito que está”.
Por que o senhor que ser o representante do eleitor de Franca na Assembleia Legislativa de São Paulo?
Quando entrei para a política, na condição ainda de vereador, foi porque eu não me contento em apenas criticar as pessoas que estão na política, que elas não trabalham pela população, que política é uma coisa ruim. Nós devemos, sim, nos envolver com política, porque nós temos que fazer a diferença. Temos que mostrar para as pessoas que a política não é ruim e que a vida delas está diretamente ligada à política. Toda a nossa vida é relacionada com a política. Então quando eu aceitei o convite para ser vereador foi por isso. Por que eu acreditei que poderia fazer a diferença. Acho que nesses quase dois anos de mandato como vereador fiz a diferença e hoje quando vou às ruas a população respeita o nome Márcio do Flórida porque sabe que a minha conduta foi ética e responsável. Estou saindo candidato a deputado estadual porque acredito que posso fazer a diferença, posso fazer melhor que nossos representantes. Podemos ser deputados mais presentes na vida da nossa sociedade, participando dos debates e do cotidiano de Franca e região, o que não acontece com os deputados que nós temos hoje como representantes da cidade de Franca. E além dessa presença poderemos levantar bandeiras que são do interesse da população de Franca, como são do interesse da população de todo o Estado na área da segurança, educação e saúde.
O que o senhor pode fazer de diferente dos atuais representantes eleitos por Franca e que avaliação o senhor faz deles?
São tantos os problemas na cidade de Franca e no Estado de São Paulo, mas vamos nos ater a duas questões. Assisti às sabatinas dos deputados que estiveram aqui e ambos criticaram a mudança do 190, da Polícia Militar (que foi transferido para Ribeirão Preto). Todos se disseram revoltados, mas o que eles fizeram? Eu, como deputado estadual, vou lutar e não vou me satisfazer com uma resposta do secretário ou do governador. Além disso, temos bandeiras e temos propostas de condução do mandato. Por isso é que nesta eleição, eu estou com o Alexandre Padilha, porque sendo ele o governador, não tenho dúvidas de que o 190 volta para a cidade de Franca e não apenas para cá, mas todas as cidades que perderam o 190. Sendo Alckmin o governador, vou chiar, vou cobrar. Dificilmente vamos conseguir algo, mas vamos mostrar a cara, fazer abaixo-assinados, ir para a televisão, mobilizar. O que for possível a gente fazer, será feito. É a mesma questão da progressão continuada. Os dois deputados, da base aliada do governador, disseram que são contra a aprovação automática, mas não fizeram nada para mudar isso. Nem gritar e reclamar eles fizeram.
O deputado Roberto Engler (PSDB) está na disputa do seu sétimo mandato e Gilson de Souza tentando o quarto. Como o senhor analisa a diferença que existe entre as críticas ao trabalho deles e o resultado nas urnas, já que mesmo criticados, a população continua votando neles?
Acho que, infelizmente, a população está desacreditada da política. Muitas vezes não acompanha o mandato desses deputados. Muitas vezes,não; tenho certeza. Aí chega a eleição e diante do grande volume de recursos, do volume dessas campanhas que é jogado para a população, essas pessoas continuam sendo eleitas, recebendo os votos. Espero que hoje a população esteja ouvindo e aja diferente nesta eleição. Nós temos 10 candidatos para deputado estadual esse ano na cidade de Franca e mesmo que não votem no Márcio do Flórida, que analisem os outros candidatos, como têm agido, seu passado, seu compromisso.Uma coisa é certa: reeleitos os dois deputados, as coisas continuarão como estão e sendo reeleito Geraldo Alckmin a população continuará lidando com o 190 fora, com a progressão continuada, entre outros descalabros mais.
O senhor pediu que os eleitores analisem o passado dos candidatos. No lançamento da sua candidatura, o senhor deu apoio ao candidato a deputado federal Newton Lima (PT). Segundo a Procuradoria Eleitoral, ele foi condenado por ter contratado e pago irregularmente uma empresa e pesquisas sem interesse público, quando era prefeito de São Carlos. Por esse motivo foi considerado “ficha suja”. O senhor não se sente constrangido com essa situação?
Esse processo não terminou ainda. O deputado Newton Lima, no Tribunal Regional Eleitoral, teve três votos favoráveis a ele e quatro contrários. Quer dizer que a situação dele não é consenso de que seja “ficha suja” ou inelegível. O processo ainda não terminou porque ele nem foi julgado pelo TSE. Ele já explicou do que se tratava e não houve nada que maculasse a imagem dele. Ele contratou uma empresa para fazer um trabalho de avaliação para a Prefeitura e essa empresa colocou uma pergunta a mais que falava da avaliação de seu mandato. O fato é esse e ele vai ser julgado e continuar com sua administração, como está continuando. Não tenho o mínimo receio em aparecer ao lado do deputado Newton Lima. Ele tem feito muito por Franca, inclusive, agora, consegui R$1,080 milhões em equipamentos de hemodiálise aqui na cidade de Franca. São 23 equipamentos que estão sucateados e é trabalho, agora, do Newton Lima, junto com o Márcio do Flórida, vereador, e com o PT de Franca.
Em novembro do ano passado, o senhor defendeu publicamente, na tribuna da Câmara Municipal de Franca, três integrantes do mensalão. José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares. E criticou, também, a decisão do Superior Tribunal Federal. O senhor não teme que isso tenha arranhado a imagem do senhor e que isso diminua o apoio dos eleitores, e consequentemente a sua votação?
Temos que ser claros nas nossas ideias e claros na nossa ideologia. Essa posição que eu defendi, não é minha posição, é a posição de juristas importantes do Brasil, como Ives Gandra, como o Bandeira de Melo, pessoas das mais renomadas que também compartilham. Agora, o importante sobre a ação penal 470, que nós temos que falar, isso sim é importante, temos que mostrar para a população,que ela só existiu, porque o PT, através dos governos Lula e Dilma, fortaleceu a Polícia Federal, fortaleceu a Procuradoria Geral da República. Ao contrário de outros governos, quando se engavetava tudo, não se investigava. Então se houve essa investigação, se houve condenações é porque o próprio PT disponibilizou meios institucionais para isso. Não é o que acontece, por exemplo, aqui em São Paulo. Temos o escândalo do metrô de São Paulo, um escândalo de R$ 850 milhões, o maior escândalo da história. Tivemos a reeleição do Fernando Henrique, a emenda da reeleição que não se investigou, com deputados dizendo que receberam para votar na reeleição. Temos o mensalão tucano, em Minas Gerais, e não se investigou. Isso é o que tem de ser dito.
O senhor é vereador do PT, único de oposição declarada na câmara municipal de Franca. Caso o atual cenário apontado pelas pesquisas não seja alterado, tudo indica que o governador Alckimin será reeleito. Se o senhor for eleito, continuará sendo oposição, desta vez na Assembleia Legislativa. O fato de ser oposição ao governo, não pode prejudicar o seu trabalho como deputado e dificultar a vinda de recursos para Franca?
Toda moeda tem dois lados, as pesquisas também indicam que a Dilma Rousseff pode ser eleita ainda no primeiro turno, no Brasil. Eu serei deputado estadual, mas continuarei com o meu trabalho e vamos ampliar, sendo deputado estadual, também como embaixador em Brasília. Em relação ao governo federal, teremos até mais espaço em conseguirmos ainda mais benefícios para a cidade de Franca. Agora, em relação ao governo de São Paulo, temos informação de que o Padilha está em ascensão e está crescendo e não podem cantar a vitória antes da hora. Nós tivemos dois exemplos claros disso. Erundina, quando eleita à prefeitura de São Paulo, não era favorita, virou a eleição nos três últimos dias. Na campanha passada, em 2010, o Mercadante também não era favorito, ampliou a votação na última semana e faltaram 70 mil votos para que ele fosse ao segundo turno. Então vocês não conhecem a força da militança do PT, e principalmente nessa reta final. O PT é de chegada e vai chegar com o Padilha nessa reta final e vamos para o segundo turno aqui em São Paulo, não tenho dúvida disso.
A sua relação com o prefeito municipal também não é das melhores. Isso não pode dificultar o relacionamento caso eleito?
Mas aí, não entendo por quê. O governo de São Paulo vai ser do PT. Vai ser do PT porque vamos para o segundo turno e vamos ganhar essa eleição. Agora, aqui em Franca, nem os candidatos do PSDB querem estar a lado do prefeito Alexandre, que é do PSDB. Nem o governador Alckimin quer estar ao lado do Alexandre, que é do PSDB. Na verdade, aqui em Franca isso é bom para o meu mandato, não estar aliado com o prefeito e ter toda a independência necessária para votar favorável aos projetos, quando acho que são projetos bons para a cidade de Franca. E votar contrário quando vejo que são projetos ruins e propostas ruins e, principalmente, ter a independência de investigar o prefeito, como já fiz, em várias ocasiões, na CEI do viaduto, na CEI da saúde, quando propus o impeachment do Alexandre em dois momentos, quando ele fez o acordo com a São José na calada da noite e, agora, na questão da saúde.
Como vereador, qual a avaliação que o senhor faz do desempenho do Legislativo Municipal? Sua auto-avaliação, e a dos próprios colegas?
Tenho aqui que respeitar a opção de cada vereador em conduzir o seu mandato, apesar de não concordar com a forma que a maioria dos vereadores se faz conduzir na Câmara, votando de acordo com o que determina o prefeito. Eu não faço assim, mas eu não posso responder por eles, quem avalia se a conduta deles é a correta ou não é o eleitor.
No ano passado, o governo do Estado começou a política de internação compulsória de pessoas viciadas em drogas. O senhor defende a internação compulsória? E qual sua proposta para o combate às drogas?
Quando a pessoa está em um estado avançado do vício, da dependência, ela está doente. E se ela está doente, tem que ser internada, mesmo que seja contra sua vontade. Porque nesse estágio ela não tem condições psicológicas e psíquicas de dizer o que é melhor para ela. Então, em um primeiro estágio, somos favoráveis, mas não adianta só isso, primeiro nós temos que estruturar as clínicas terapêuticas, para que estejam aptas a receber, primeiro o recurso. Hoje temos o programa “Crack: é possível vencer”, do governo federal, que já enviou R$ 15 milhões a Franca, que não tem uma clínica que esteja apta a receber esse recurso, porque não tem a documentação necessária, não tem o projeto pedagógico necessário. Então temos que trabalhar isso e, como deputado estadual, vamos trabalhar nisso. Buscar dar o suporte a essa clínicas que queiram receber esses recursos, para dar esse atendimento aos dependentes químicos.
Qual a opinião do senhor sobre a liberação das drogas, principalmente da maconha?
O consumo das drogas já não é crime. O que se discute é o comércio dessas drogas. Não sou favorável hoje a que se faça a liberação. Em que pese alguns países terem respostas positivas, como o Uruguai e Portugal, por exemplo, mas nosso país é diferente, com muitos problemas. Mesmo que você liberasse a venda na farmácia, hoje temos drogas que são liberadas e você tem o contrabando da mesma forma. Então, se você liberar vai ter imposto, vai ser mais cara do que no paralelo, do que no tráfico, que vai continuar. Então, não vejo condições do Estado dar atendimento que deveria dar se fizesse a liberação. Porque se você libera, vai ter que dar um suporte médico, um acompanhamento, cursos e acompanhar a vida dessas pessoas. Nós não temos, hoje, condições de dar esse suporte à população.
(pergunta do internauta Lucas) Você não acha que por ser seu primeiro mandato como vereador, e por ter menos de dois anos empossado no cargo, não deveria primeiro terminar o seu mandato, ganhar experiência, para depois entrar em uma eleição à Assembléia Legislativa?
Não é aventura, nós entramos nessa eleição para sermos eleitos e estamos trabalhando para ganhar essa eleição, e nós não estamos deixando um cargo executivo, por exemplo, para ir para um legislativo, eu estou saindo de um nível de legislativo para um grau superior, e assim poder representar aquela população, e a população que me elegeu. Eu serei vereador até o último dia que eu puder ser vereador, só deixarei para assumir como deputado estadual e melhorar a representação para aquelas pessoas que votaram em mim.
(pergunta dos internautas Maria e Carlos) Você mora no Jardim Flórida, sendo do PT, por que ainda não montou uma base da polícia nesse bairro que todos os dias é visitado pelos criminosos da cidade? Por que a população reclama tanto do trabalho do vereador?
Tem uma ação do setor de segurança, não é só do Jardim Flórida, todos os bairros da cidade, e o vereador não tem poder, e é isso que as pessoas têm que entender, de montar uma base da Polícia Militar em qualquer bairro que seja. Isso tenho falado pessoalmente para as pessoas do meu bairro e estou colocando aqui também, não é atribuição minha fazer isso. A Polícia Militar precisa de mais viaturas, mais policiais, não está dando conta de fazer o que deve fazer, por isso é que precisamos mudar o comando do Estado de São Paulo, por isso que precisamos mudar o governador e as pessoas têm que entender que não podem reeleger o governador Alckmin, pois se ele for reeleito, tudo continua do jeito que está, então se há essas críticas, elas não devem ser direcionadas ao vereador Márcio do Flórida, devem ser direcionadas ao comando geral que é o Alckmin do PSDB.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.