O tempo é um espaço recheado de afazeres. O acúmulo de afazeres é o que chamamos de história. Várias histórias condensadas numa pessoa só é o que nomeamos como vida.
O tempo tem a função de marcar um antes e um depois. É sublime porque aponta para finitude das coisas; passa para apressar as histórias. Suas marcas são indeléveis.
Por si só, o tempo não sabe de nada; é acéfalo. Porém, funciona obsessivamente pontual, é imbatível.
Ninguém consegue segurá-lo, nem mesmo a morte. Sim, pois ele passa independentemente de nosso querer, parece funcionar com forças ocultas.
Com ele escrevemos o ontem, o hoje e o amanhã. Às vezes mostra-se cruel, outras gentil. Ora rasga e tritura, ora é o bálsamo para as feridas.
O tempo para os amantes é pequeno; para o sofredor, imenso; para o melancólico, tedioso. Para a criança, imperceptível, para o jovem é eterno, para o adulto, produtivo e para o velho ele é o instante.
Na realidade, somos nós que nos utilizamos do tempo e não ao contrário.
Há quem o drible, poucos numa população extensa, mas há! São pessoas iluminadas e desapegadas que conseguem transcender os parasitas da terra e cultuar a essência da vida. Para estes, o tempo é tão somente um detalhe.
Mas também há os que brigam com ele; para estes, o espelho é um tormento.
De qualquer maneira, o tempo é o mesmo para todos nós. Por isso acaba sendo justo. A diferença fica por conta das escolhas que fizemos, da família onde nascemos, da sorte ou azar pelos quais fomos acometidos, das situações que enfrentamos e dos personagens inseridos e escolhidos para a história.
Enfim, com tudo isso e provavelmente muito mais, o tempo acaba sendo: um fazedor de ontens.
Heloísa Bittar Gimenes, psicóloga
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