Inutilidade gritante


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Acontecem várias coisas estranhas neste País. Muito dinheiro público acaba ‘enterrado’ em obras inúteis que, com o passar dos anos, se transformam em verdadeiros “elefantes brancos”. Em diversos pontos do Brasil, os exemplos abundam. Um deles é a rodovia Transamazônica. Transformada em exemplo do “Brasil Grande” pela ditadura militar que comandou o País por duas décadas, até hoje não foi concluída. E, o que é pior, grande parte de sua extensão continua intransitável no meio da floresta. Em alguns pontos, não passa de uma ‘picada’ cortando a mata. Gastou-se muito, mas a ligação do “Sul Maravilha” com os rincões do Norte jaz como uma ferida aberta pela ânsia desenvolvimentista sem planejamento.
 
Acontece que, por aqui, as decisões nunca passam pelo crivo da racionalidade e, muito menos, por estudos comprovando a viabilidade de obras e intervenções urbanas. Há poucos meses, um viaduto construído em Belo Horizonte como parte das obras de mobilidade urbana, com vistas à Copa do Mundo, na capital de Minas Gerais, desabou, causando mortes por sua inadequação às normas de engenharia e segurança. Custou muito para construir, ceifou vidas e sua reconstrução vai despender mais dinheiro. Dificilmente haverá o ressarcimento aos cofres públicos por parte dos responsáveis pelo erro que causou a queda do viaduto.
 
Se fôssemos ficar aqui enumerando exemplos, a lista seria grande e se ampliaria por várias edições. Mas a inauguração das reformas do Aeroporto “Tenente Lund Presotto”, em Franca, expõe claramente este tipo de ação do Poder Público sem qualquer planejamento ou preocupação com a sua utilidade. R$ 7 milhões foram usados na adequação do aeroporto, mas todos se esqueceram do principal: no momento ainda não existe qualquer empresa aérea interessada em operar voos em nossa cidade. Há seis anos o aeródromo não faz parte da rota regular de aviões e não há previsão para que isto aconteça.
 
Então, vão inaugurar uma obra sem qualquer utilidade para os francanos. Este dinheiro seria mais importante se aplicado em outros setores, como saúde e educação. Franca tem déficit de creches, faltam escolas; e novas unidades de saúde, necessárias para o bom atendimento em diversos pontos da cidade, estão emperradas. Todo o ferramental para o funcionamento da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e da UBS (Unidade Básica de Saúde) do jardim Aeroporto foi destruído por um incêndio, há pouco tempo, adiando a inauguração das unidades: aí sim, este recurso poderia ter sido aplicado.
 
Situações como esta não deveriam mais se repetir, não apenas em Franca mas também em todo o País. O aeroporto de Franca, modernizado, continuará apenas sendo utilizado por donos de aviões particulares. Será usado como local de estacionamento para estas aeronaves e nada mais. Serão sete milhões de reais que não beneficiarão passageiros que precisam seguir até Ribeirão Preto e embarcar em voos de rotas regulares. Até quando vamos continuar vivenciando esta situação? É uma pergunta para a qual não há resposta. Ainda. 
 
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