O período prolongado de seca neste ano tem alarmado produtores que fornecem mercadorias a Franca e região. Sem um volume de chuva considerável, os profissionais viram sua produção cair drasticamente, de acordo com o apurado em visita a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) na manhã de ontem. Com ofertas menores, os preços tiveram alta chegando, em alguns casos, a 180%.
O alto preço sequer serviu como garantia de qualidade dos produtos já que a falta d’água interferiu no desenvolvimento dos frutos. “Na semana passada peguei cerca de 300 caixas de doação de tomate. Eles estavam bons para o consumo, mas não se desenvolveram e, por isso, não tinham preço de mercado. Distribuímos para instituições”, revelou o gerente da Ceagesp local, Giovanni Dominici. Embora ainda não tenha havido desabastecimento de produtos na Ceagesp, a preocupação a respeito tem permeado as conversas.
Os casos marcantes na alta de preços foram os do quiabo, cuja caixa que normalmente é comercializada a R$ 25 hoje chega a R$ 70; da vagem, que de R$ 30 subiu para R$ 70 e do limão, que passou de R$ 20 para R$ 50. Para os produtores, o alto valor não se refletiu em bom faturamento. “Vi minha produção cair cerca de 70%. Os frutos que eu aguava três, quatro vezes por semana passei a aguar apenas uma”, disse Onías dos Santos, produtor de quiabo, abobrinha, tomate e jiló. “Por causa da seca, a gente tem que irrigar a plantação menos vezes na semana e usando o gotejamento, um sistema que utiliza o mínimo necessário de água para regar. Com isso, o fruto não cresce e nem se desenvolve como deveria, o que afeta a qualidade”, disse Libércio Nogueira de Souza, produtor de tomate e vagem de São Tomás de Aquino (MG) e que teve queda de 50% em sua safra. “Se não vier chuva, não sei o que vai ser. Minha produção está caindo, mas a consequência vamos ver em três ou quatro meses, que é quando vou colher as frutas dessa safra”, completou o produtor de bananas Evandir Donizete Melani que atua em Bom Jardim, região de Franca.
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