Pela minha observação, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, não obstante seu custo para o País, não tem despertado nos eleitores o mesmo interesse de anos anteriores.
A alegação que muito se tem ouvido é que, especialmente para os cargos executivos — governador e presidente da República —, é tudo de uma mesmice que não convence mais. As propostas de cada candidato, e de cada partido político, são, basicamente, as mesmas.
A maioria dos candidatos afirma ter solução para os principais problemas no Brasil, seja na área da saúde, da educação, da segurança pública, do déficit habitacional ou para o desenvolvimento sustentável.
Porém, nas mensagens que tentam transferir aos eleitores, não deixam claras as medidas concretas para correção efetiva desses graves e antigos problemas do país.
Assim, com todo respeito, as propostas apresentadas são vazias e não proporcionam a eleitores conscientes das dificuldades que o país enfrenta, aquilatar se são factíveis ou meramente retóricas.
Outro discurso explorado à exaustão no horário político refere-se a promessas recorrentes para combate à corrupção. Igualmente, o eleitor que procura conhecer propósitos sérios de candidatos sente falta de mecanismos efetivos que proporcionem a extirpação — se é que isso é possível — esse mal que suga os recursos públicos encarecendo sobremaneira a realização de obras essenciais à população.
Quanto à propaganda para os cargos legislativos, apenas os candidatos ao Senado dispõe de tempo razoável para apresentarem suas propostas.
Para os pretensos deputados, o tempo é escasso e totalmente insuficiente e, até, inútil, para a defesa de suas ideias e ideais.
Dessa forma, infelizmente, o eleitor acaba fazendo a sua opção de forma emocional e não racional, maneira que, convenhamos, não é a melhor e não contribui para o aperfeiçoamento da democracia.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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