O mundo tem acompanhado, estarrecido, as ações do EI (Estado Islâmico) no Iraque e na Síria, sequestrando e degolando cidadãos americanos, ingleses e franceses (já foram quatro) diante das câmeras de TV. As imagens, divulgadas nas últimas semanas, deixam qualquer um revoltado com a barbárie que domina os atos do grupo que se diz islâmico, mas enfrenta críticas e censura de outros grupos muçulmanos. Nem em seu auge a Al-Qaeda foi capaz de assassinar desta forma fria cidadãos de países que combatiam a vertente terrorista. A situação fica ainda mais preocupante quando se sabe que muitos jovens ocidentais — inclusive um brasileiro entre eles — estão sendo cooptados e ajudam o grupo em seus atos bárbaros e sangrentos.
O radicalismo do Estado Islâmico não permite qualquer ação diplomática. Eles não aceitam a cultura ocidental, combatem de forma sanguinária todos os que julgam inimigos, sem se importar se atingem inocentes, incluindo aí mulheres e crianças. Além disso, utilizam os sequestros para financiar suas ações, cobrando resgate por reféns. Caso não seja pago, estes são degolados e o vídeo divulgado na Internet. Como usar diplomacia com gente assim?
Por isso é que causaram espanto as declarações da presidente Dilma Rousseff, que está desde terça-feira em Nova York, tendo participado da Conferência para o Clima e da abertura da Assembleia Geral da ONU (Organizações das Nações Unidas). Um dia depois de “lamentar” o bombardeio americano contra terroristas na Síria, a presidente disse ontem que “intervenções militares” não levam à paz. Esta foi mais uma demonstração do descompasso da diplomacia brasileira sob o comando da presidente-candidata.
Não estamos defendendo aqui o uso da violência para a resolução de conflitos. Sempre frisamos que atos violentos não são um caminho para a paz, mas Dilma Rousseff mostrou um total desconhecimento de política internacional, quando se sabe que o radicalismo e o sectarismo impedem, até hoje, que a paz reine no Iraque. O confronto entre diversos grupos étnicos e religiosos é secular e não será resolvido com negociações diplomáticas. O mesmo ocorre em outras nações em conflito no Oriente Médio.
Dilma Rousseff fez seu discurso na direção oposta ao de de Barack Obama na ONU, que pede uma coalizão internacional para combater o Estado Islâmico. A presidente brasileira ainda questionou a eficácia dos ataques dos Estados Unidos à Síria e ao Iraque contra o Estado Islâmico e ameaças terroristas. Contrariou inclusive o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que no dia anterior havia saudado a ação americana, que conta com o apoio da maioria das nações árabes. Um antigo dito popular diz que a palavra é de prata e o silêncio é de outro. Melhor teria sido Dilma abster-se de se manifestar em vez de externar uma opinião que vai contra o consenso geral. Mais uma vez os rumos da diplomacia brasileira passam a ser questionados e, certamente, deverão causar prejuízos significativos ao relacionamento do Brasil com as grandes nações do planeta.
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