Daniel era um sapinho muito esperto, culto e adorava sua amiga, Madalena. Ela era uma ranzinha macérrima que morava em uma fazenda, assim como Daniel.
A rã gostava de tomar sol na janela de madeira da cozinha e de lá admirava as flores. Daniel admirava Madalena a admirar as flores. Não é mesmo lindo quando podemos observar alguém a olhar a vida colorida e perfumada pela janela?
Acontece que a rã era muito enjoada e metida. Daniel, de uma docilidade surpreendente para o que se espera de um sapo. Ele transbordava afeto em seus olhos brilhantes e enormes.
Daniel desejou em um dia, do fundo de seu coração, dar a Madalena o mais lindo presente que pudesse, e neste momento, ainda claro da manhã, um pedacinho azul caiu do céu bem dentro do lago.
Sem pensar duas vezes, o sapinho mergulhou num fôlego só e pegou aquele pedaço tão único de céu que havia caído na água. Ainda molhado pulou para dentro da cozinha, sobre a mesa enrolou o valioso presente em um papel de pão que encontrou por ali. Escancarava em seu bocão um sorriso quando entregou satisfeito o embrulho para a amiga.
Quando viu o embrulho mal feito, molhado e ainda sujo de migalhas de pão e alguma manteiga, a atrevida não se constrangeu em gargalhar, e disse:
-Onde já se viu! Como pôde o seu sapo dar a mim, tão bela rã, um presente assim tão feio?
-Eu queria lhe dar o céu, desculpe-me. – respondeu Daniel, e depois ficou mudo.
Pela pele fina do sapinho escorria o sal de seu próprio choro e lhe ardia a dor, o papel desmanchou-se de molhado.
Havia ou não o céu naquele pedaço de embrulho em um papel de pão? Nem Madalena e nem nós nunca saberemos de fato, pois ela apenas não abriu o presente.
Não fique triste, criança que lê. Daniel foi muito feliz outras tantas vezes e para alguém há de ter dado o céu e tantos outros azuis.
Milla Souza
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