Um dia de leitura...


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Em lugar de  fios de cabelo,  havia cobras na  cabeça da  Medusa
Em lugar de fios de cabelo, havia cobras na cabeça da Medusa
Entre livros e colegas, 80 alunos de três escolas de Ribeirão Corrente tiveram na última semana a oportunidade de conversar com a escritora Carla Caruso. O encontro ocorreu na Biblioteca Municipal “Benedita Maria Mendes Machado” pelo projeto “Viagem Literária”. 
 
Cheios de perguntas, os jovens entre 10 e 13 anos quiseram saber quando a autora de mais de 20 títulos havia começado a escrever; como ela tinha ficado famosa e até se havia publicado livros de terror. Com a deixa, ela narrou uma das histórias arrepiantes de sua coleção Poemas para Assombrar. “Meia noite, escuridão. Sopra o vento, escura sombra, fio de voz, bizarro som”, disse ao iniciar o conto Bruxa, que fala sobre uma maga malvada que gosta de roubar criancinhas. É claro que no final a bruxa se deu mal, mas foi o bastante para que, das cadeiras, gemidos de arrepios fossem ouvidos.
 
O bate papo prosseguiu com animação. Em sala de aula, as professoras haviam lido com as crianças Burle Marx, um livro de Carla que conta a história de vida de Roberto Burle Marx. Ele foi um paisagista - profissional que idealiza jardins entre outros cenários - muito famoso. Quem visita a praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, anda sobre sua obra de arte. Conhecem aqueles desenhos que lembram as ondas do mar que ficam por toda a extensão do calçadão de Copacabana? Pois então, foi ele quem desenhou. “Gostei muito do livro dela. Ele tem muitas coisas que inspiram, como as flores. Antes de ler o livro, nunca tinha ouvido falar sobre o Burle Marx”, comentou Victor Mares, de 10 anos.
 
Além de Burle Marx, Carla sacou de sua bibliografia o Almanaque dos Sentidos, obra sua que venceu o prêmio Jabuti, em 2010. Com ele, apresentou à turma a história mitológica de Perseu, um herói grego que lutou com Medusa, uma criatura semelhante a uma mulher que possuía serpentes como cabelo. “Quem olhasse diretamente nos olhos da Medusa, se tornava uma estátua de pedra!”, contou Carla.
 
O projeto “Viagem Literária” é promovido pela Secretaria da Cultura de São Paulo e, neste ano, percorrerá 80 cidades.
 
 
Perseu e Medusa
 
Perseu era filho de uma mortal, Danae, e do grande Zeus, rei do Olimpo. O pai de Danae, o rei Acrísio, havia sido informado por um oráculo de que um dia seria morto por seu neto e, aterrorizado, aprisionou a filha e afastou todos os seus pretendentes. Mas Zeus era deus e desejava Danae: entrou na prisão disfarçado em chuva de ouro, e o resultado dessa união foi Perseu. Ao descobrir que, apesar de suas precauções, tinha um neto, Acrísio fechou Danae e o bebê numa arca de madeira e os lançou ao mar, na esperança de que se afogassem. Mas Zeus enviou ventos favoráveis, que sopraram mãe e filho pelo mar e os levaram suavemente à costa. A arca parou numa ilha, onde foi encontrada por um pescador. O rei que comandava a ilha recolheu Danae e Perseu e lhes deu abrigo. Perseu cresceu forte e corajoso e, quando sua mãe se afligiu com as indesejadas investidas amorosas do rei, o jovem aceitou o desafio que este lhe fez: o de lhe levar a cabeça da Medusa, uma das  deusas Górgonas. Perseu aceitou essa missão perigosa não porque ambicionasse alguma glória pessoal, mas porque amava a mãe e estava disposto a arriscar a vida para protegê-la. 
 
A Górgona Medusa era tão hedionda que quem olhasse seu rosto transformava-se em pedra. Perseu precisaria da ajuda dos deuses para vencê-la e Zeus, seu pai, certificou-se de que essa assistência lhe fosse oferecida: Hades, o rei do mundo subterrâneo, emprestou-lhe um capacete que tornava invisível quem o usasse; Hermes, o mensageiro divino, deu-lhe sandálias aladas; e Atena lhe deu uma espada e um escudo. Perseu pôde fitar o reflexo da Medusa e, assim, decepou-lhe a cabeça, sem olhar diretamente para seu rosto medonho. 
 
Com a cabeça monstruosa seguramente escondida num saco, o herói voltou para casa. Mas no caminho enfrentou outros desafios...
 
 
Burle Marx
 
Muitas paisagens e espaços urbanos no Brasil e no mundo foram desenhados por um artista brasileiro chamado Roberto Burle Marx (1909-1994). As calçadas da praia de Copacabana, reproduzidas milhares de vezes e percorridas por muitos brasileiros, diariamente, são obra do nosso pintor e paisagista. O livro Burle Marx conta a trajetória artística do paisagista, apresentando algumas de suas principais obras que fazem parte da paisagem urbana: bairros, ruas, parques, calçadas, edifícios. As fotos, pinturas e desenhos dos jardins e espaços criados por esse artista, considerado por muitos o inventor do jardim tropical, constituem linguagem rica no bonito projeto gráfico deste livro. É interessante pensar que a arte de criar espaços com elementos da natureza exige o domínio de muitas áreas do conhecimento: ecologia, artes plásticas, botânica, arquitetura. É esse processo fascinante e trabalhoso na construção de um jardim, num espaço público ou privado, que a autora revela, por meio de um texto objetivo e ao mesmo tempo poético. 

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