Terminou a greve — de 114 dias — dos professores e funcionários da Universidade de São Paulo. As classes obtiveram reajuste de 5,20% e bônus de 28% em seus salários.
A instituição, que já aplicava 105% do seu orçamento para pagar salários, deve ter sua situação agravada.
Estudos revelam que nos últimos anos houve inchaço de funcionários técnicos e redução no quadro de professores.
Esses fatos têm que ser muito bem explicadas e resolvidas, pelo bem da função da universidade como centro de referência de todas as ciências e formador dos que administram os grandes empreendimentos públicos e privados do país.
É inacreditável que responsáveis por administrar permitam gastos superiores aos recursos disponíveis.
Fosse na iniciativa privada, o negócio já teria fechado, seus operadores estariam endividados e com sérios problemas.
Deveria acontecer o mesmo na instituição pública. Em qualquer universidade ninguém pode alegar ignorância a princípios de fluxo de caixa ou orçamento.
Por mais que o funcionalismo da USP pressione ou faça greves, os administradores têm o dever de não gastar mais do que têm de arrecadação ou repasse governamental.
A situação a que foi lançada nossa principal universidade é o resultado de negligência e acomodação de muitas administrações que deixaram o barco seguir ao sabor do vento. Se prefeituras, estatais e empresas privadas possuem parâmetros máximos de seus orçamentos para gasto com pessoal, custeio e serviços, é impossível que a universidade, como centro de saber, também não possua esses limites.
É preciso apurar quem negligenciou o zela pela coisa pública e responsabilizá-lo. A autonomia universitária é requisito importante para a vida das instituições de ensino, mas tem de ser praticada ao lado da responsabilidade administrativa. Se não estiverem juntas, é o caos...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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