Em plena seca, francanos abusam do uso da água. Sabesp está em alerta


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Mulher segura vassoura enquanto esguicha água com mangueira para lavar calçada
Mulher segura vassoura enquanto esguicha água com mangueira para lavar calçada
Uma das maiores preocupações da Sabesp quanto ao abastecimento de água em Franca tem se mostrado o alto consumo pela população neste tempo de seca prolongada. De acordo com a companhia, a média de consumo do francano tem alcançado os 170 litros por pessoa ao dia, enquanto a recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas) prevê uma margem de 110 litros diários por pessoa. Mesmo com as campanhas de conscientização e divulgações sobre a seca promovidas recentemente, é fácil encontrar pelas ruas cenas de desperdício - como pessoas com a mangueira aberta direto para lavar a calçadas, portões, carros e até ruas. 
 
“Como o clima está quente e seco, as pessoas tendem a ‘brincar’ com água demorando o dobro do tempo na limpeza. O ideal é que, se a lavagem for indispensável, que seja feita com baldes para economizar”, alertou o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia, em entrevista recente. 
 
De acordo com dados da própria companhia, utilizar a vassoura para varrer a calçada no lugar da mangueira pode gerar uma economia de até 279 litros de água a cada 15 minutos. Manter a torneira desligada enquanto ensaboa a louça, evita gastar cerca de 97 litros em casa e 223 litros em apartamento. Além disso, se cada munícipe reduzisse em 10% o seu consumo, a economia diária seria de 6 milhões de litros ao dia. 
 
Nas últimas semanas, o Comércio flagrou diversas situações de uso indevido da água. Quando abordadas, as pessoas se mostraram envergonhadas e encontraram maneiras de se justificarem. “Eu trabalho aqui. A patroa é quem manda”, disse uma diarista na tarde de ontem que pediu para não ser identificada. “Sei da situação da seca, mas carregar o baldinho dos fundos da casa até a calçada é difícil... Estou lavando só de 15 em 15 dias”, afirmou.
 
“Depois da ventania do fim de semana, fui obrigada a lavar porque tenho criança doente em casa”, disse uma moradora de outra região da cidade que também pediu anonimato. Além dos flagrantes, a redação tem recebido várias ligações de pessoas indignadas com o comportamento de vizinhos. “Se vocês vierem até a porta da minha casa agora vão ver o desperdício. Ela (a vizinha) lavou a calçada ontem e hoje já está com a mangueira aberta de novo!”, disse uma moradora da região oeste. 
 
Segundo Rui Engrácia, Franca possui uma lei que prevê a aplicação de multas a quem for flagrado desperdiçando água, mas somente quando o município estiver em estado de emergência por falta de abastecimento de água. De acordo com ele, esse estado de emergência é decretado apenas pela Prefeitura, que é quem tem competência para aplicar multa em casos de desperdício.
 
Torneiras secas
Em matéria publicada no último dia 17, a Sabesp afirmou que a captação de água era suficiente para abastecer Franca - já que 900 litros por segundo é o volume necessário e, juntos, os rios Canoas, Pouso Alegre e poços de Restinga estariam fornecendo 990 litros por segundo - mas que o alto consumo aliado a falta de chuva poderia mudar essa situação. 
 
O gerente da Sabesp foi procurado na tarde de ontem para informar a atual situação da captação e abastecimento de água mas não foi localizado. Na semana passada, bairros de diferentes regiões registraram falta d’água. Jardim Tropical, Cidade Nova, Luiza, Miramontes, Vera Cruz, Vila Aparecida, Brasilândia e Leporace estão entre os bairros que ficaram com o abastecimento comprometido. Em alguns deles, as torneiras ficaram secas por mais de um dia.

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