Instrumentos de manobra


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Os números da economia são implacáveis com a política adotada por Brasília. Com poucas balas na agulha, o governo federal tornou como norma a desoneração da maioria dos setores produtivos do País, sendo que conta com instrumentos mais eficazes e capazes de impulsionar indústria, comércio e serviços, como os bancos oficiais (Banco do Brasil e Caixa Econômica) e de fomento, como o BNDES. Hoje, fora os chamados planos direcionados (à agricultura, como o Plano Safra), de financiamento à produção e à exportação, onde os tomadores de dinheiro não contam com a extensão das parcelas e muito menos redução substancial dos juros, não há nada que possa impulsionar os setores produtivos.
 
Atualmente, BB e CEF são mais utilizados para reforçar o caixa do Tesouro, na chamada contabilidade criativa que impede déficits nas contas do governo central há três anos. Empresários e produtores rurais reclamam da dificuldade em conseguir um empréstimo nestes dois bancos para capital de giro e investimentos. Já o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) transformou-se em apêndice do Ministério da Fazenda, financiando de grandes obras de infraestrutura a multinacionais instaladas aqui no Brasil. Enquanto isso, as pequenas e médias empresas, tanto do setor industrial quanto do comércio, muitas vezes precisam se virar com as linhas de crédito regulares dos bancos particulares, arcando com taxas de juros proibitivas.
 
Não fossem pequenos bancos de fomento como o Banco do Povo paulista, quem precisa de pequenas quantias para ampliar a sua produção não teria para onde correr. É uma questão a ser pensada por quem busca o voto do eleitor brasileiro para ocupar o Palácio do Planalto. As PMEs (Pequenas e Médias Empresas), responsáveis por cerca de 30% do emprego no Brasil, precisam de linhas de crédito especiais para que possam aumentar a sua participação e influir mais no crescimento da economia brasileira.
 
Ultimamente o BNDES vem sendo notícia ao emprestar para consórcios assumirem obras de mobilidade, como rodovias e ferrovias (e muitos projetos estão emperrados), para grandes conglomerados e grupos multinacionais. Ninguém, até agora, cita o dinheiro enterrado nas empresas de Eike Batista, que dificilmente honrará os seus compromissos. A maioria de seus empreendimentos quebrou e a dinheirama investida pelo banco oficial não tem prazo para retornar aos cofres públicos. É dinheiro de impostos do nosso povo, que deveria beneficiar estes mesmos brasileiros.
 
A sangria nos cofres do BNDES precisa ser estancada e o dinheiro investido em quem realmente trabalha e produz. Somente assim é que a economia poderá deslanchar. Cabe aos mentores da nossa política econômica utilizar o banco de fomento para cumprir as funções para as quais foi criado: incentivar e ajudar a impulsionar o setor produtivo do País, ao contrário do que tem sido feito ultimamente. O banco, nestes últimos anos, tornou-se sócio de grandes empresas em dificuldades (o mesmo tem ocorrido com a CEF), além de financiar projetos que poderiam ser bancados por bancos particulares.
 
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