A imprensa livre e independente é mais uma ferramenta que serve à democracia. Não há governo soberano se não existir uma imprensa livre de amarras e de ligações com os mandatários. Trata-se não apenas de um instrumento de liberdade, mas também de defesa dos seus leitores e das próprias instituições de uma nação. Por isso, a presidente (e candidata à reeleição) Dilma Rousseff (PT) cometeu, na melhor das hipóteses, um equívoco ao dizer que não cabe à imprensa investigar. Para ela — assim como para seu antecessor —, TVs, rádios e jornais devem apenas noticiar. E se possível, só o que exalta as realizações do governo. Não deve aprofundar-se nos assuntos e nem questionar.
Ainda temos exemplos, cada vez mais raros, de órgãos que se submetem a este pensamento, em busca de verbas publicitárias dos órgãos oficiais. Porém, a grande maioria — onde, orgulhosamente, este Comércio se insere — busca a verdade por trás dos fatos corriqueiros, expõe a indignação de seu público-alvo e não admite calar diante dos verdadeiros crimes que se cometem contra os brasileiros que pagam altos impostos e não veem contrapartidas em serviços públicos de qualidade.
Fossem todos acompanhar o raciocínio nem sempre claro da presidente, uma série de fatos que vieram a público nos últimos anos teriam sido varridos para debaixo do tapete e seus responsáveis continuariam aí, no centro do poder, usando os cofres públicos como se fossem particulares. O impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o caso dos anões do Orçamento e o escândalo do mensalão (que colocou políticos na cadeia), só para ficar em acontecimentos mais recentes nas últimas décadas, são exemplos claros do que poderia acontecer caso não houvesse o trabalho investigativo da imprensa.
Aqui em Franca, os cidadãos nunca saberiam do estranho acordo assinado pela Prefeitura com a Empresa São José, na surdina, em detrimento de milhares de usuários, se o Comércio não tivesse se colocado a campo e noticiado. Também ninguém saberia do escândalo das horas extras nas unidades de Saúde da Prefeitura. E ainda há uma série de casos que teriam passado em branco caso a imprensa não cumprisse o seu papel, apurando e noticiando o que, para os governantes de plantão, deveria ser escamoteado.
Cabe a todos nós, que militamos na imprensa, lançar luz sobre a penumbra que ainda cobre os bastidores do poder. Ao tentar desmerecer um trabalho árduo, meticuloso e responsável, Dilma deixa claro que pensa como seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva: a imprensa deveria só noticiar coisas boas. Mas caso não buscasse aprofundar a apuração dos fatos, imagina-se o preço que o povo brasileiro estaria pagando: Collor teria completado seu mandato, os anões do Orçamento continuariam agindo tranquilamente no Congresso Nacional e os mensaleiros teriam mantido o maior esquema de corrupção da nossa história republicana. Estamos aqui para investigar, sim. E denunciar desvios, desmandos e corruptos que persistem em atacar as verbas públicas, prejudicando a população brasileira.
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