Se o empresário acredita que, usando a matemática, seja possível solucionar um problema, está na hora de buscar a ajuda dos especialistas do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), segundo o recado transmitido esta semana em Sorocaba pelo diretor do centro, José Alberto Cuminato, na palestra “Inovação e matemática” destinada a empresários da região. Empresários compareceram ao evento para compreender melhor como a matemática, aliada à inovação, tem o potencial de impulsionar os negócios. “As ciências matemáticas podem ser importantes para o desenvolvimento econômico de um país, principalmente quando a competitividade é acirrada”, disse Cuminato. Entre os exemplos globais apresentados para mostrar as aplicações da matemática na indústria, está a invenção dos celulares, que não existiriam de outra forma. Sem a matemática, não haveria também a maioria dos processos de imagem atualmente empregados na medicina como a ressonância magnética. Já na área de logística, é a matemática que está por trás dos algoritmos presentes nos programas que gerenciam a distribuição de produtos. “A matemática pode contribuir para a melhoria de processos que não são competitivos porque estão ultrapassados ou usam uma tecnologia que já não é a mais adequada”, defendeu o cientista. O CeMEAI, sediado no campus da USP em São Carlos, no Interior Paulista, foi criado há dois anos e inspira-se em instituições similares do exterior. Conta com a participação de pesquisadores de outras universidades como Unesp, Unicamp, ITA e UFSCar. Uma das metas é diminuir a dificuldade de interação entre a academia e o setor produtivo. “Não teremos as soluções para todos os problemas do setor produtivo brasileiro, mas podemos colocar as empresas em contato com pesquisadores de universidades do Brasil e do exterior, contribuindo para reduzir a distância que separa nossos mundos”, disse o pesquisador.
Um dos projetos desenvolvidos no CeMEAI resultou na criação de um software para o planejamento de fundição em indústrias de pequeno porte. Entre os desafios existentes, devido à diversidade de ligas e peças, está a decisão de quais ligas fundir nos fornos disponíveis e quais peças devem ser vazadas a partir das ligas fundidas. Há diversos outros projetos sendo realizados para diferentes setores da economia, da medicina à indústria petroquímica. Entre os projetos desenvolvidos em São Carlos está o desenvolvimento de novas metodologias para análise de dados oncológicos, um sistema de controle estatístico para gestão da qualidade e um programa para detecção de jovens talentos no esporte.
Dirigíveis: A Airship do Brasil assinou na sexta-feira, 19, memorando de entendimento para a produção de dirigíveis de carga em São Carlos. O projeto, que tem o apoio da Investe São Paulo, agência oficial de promoção de investimentos, consiste na instalação de uma unidade fabril de 20 mil metros quadrados, que deverá gerar 270 empregos diretos, com investimento de cerca de R$ 200 milhões. As aeronaves serão capazes de voar em uma altitude de 150 metros a uma velocidade de 120 quilômetros por hora, transportando, inclusive, grandes peças, como parte de torres de alta tensão. A inauguração da unidade está prevista para 2016. “Sabemos da importância desse projeto para o aprimoramento da logística no Estado de São Paulo e da qualidade dos empregos que serão gerados”, disse o presidente da agência, Luciano Almeida. “É por isso que todos os investimentos ligados ao setor aeroespacial são atendidos com prioridade”. A Airship irá produzir diversos tipos de dirigíveis e aerostatos, que poderão ser entregues, principalmente, a empresas de logística e transporte espalhadas em todo o País. A empresa conseguiu empréstimo de R$ 102,7 milhões do BNDES.
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
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