Pleiteando o sétimo mandato na Assembleia Legislativa, o candidato Roberto Engler (PSDB) usou o espaço da sabatina realizada pelo GCN para fazer uma espécie de “prestação de contas” ao eleitor. Ao responder as perguntas, deixou claro que se lança de corpo e alma no trabalho de representar o eleitorado, mas não faz promessas. “Se alguém me pede alguma coisa, vou lá tentar. Se consegui, ótimo. Se não consegui, é impossível, acabou. Não engano ninguém”, disse ele.
O candidato não usou meias palavras ao responder perguntas sobre os bastidores da política local. Não titubeou ao dizer que é a última pessoa que poderia exigir apoio ao prefeito Alexandre Ferreira, também do PSDB, uma vez que ele próprio não o apoiou nas eleições municipais. “Ele foi lançado pelo Sidnei Rocha, que tentou me destruir a vida inteira”.
Por que o senhor quer continuar representando a população de Franca na Assembleia Legislativa de São Paulo? Por que o senhor acha que o eleitor deve continuar votando no senhor?
Não é que eu acho que o eleitor deve votar em mim. Não é isso. Eu sou apenas um instrumento. Quando eu sou eleito é porque alguém me deu a incumbência de ser um instrumento a serviço de pessoas, de comunidades. Uma das coisas mais importantes que existem no mundo são as pessoas, e não o meu serviço. Tenho que responder à confiança recebida de ser esse instrumento. Me atiro de corpo e alma; vou no limite das minhas forças. Com um lema que prevalece em meu escritório, no gabinete em São Paulo e qualquer assessor meu é testemunha disso. Não engano a ninguém. Não há enganação comigo. Se alguma entidade me pede alguma coisa, vamos à luta, sem promessa. Se consegui, muito bem. Se não consegui, é impossível, acabou. Sou um instrumento e eu acabo de completar o sexto mandato, faço aí a apresentação do meu trabalho. E eu pergunto se esse instrumento foi bom. Foi bom para a cidade em que você mora, onde você tem sua família, seu emprego, sua empresa? Você acha que eu ajudei a transformar alguma coisa? Sim ou não?
O senhor está em seu sexto mandato e tem sido comum seus adversários comentarem que o senhor está cansado e criticarem sua atuação por Franca e região. Eles defendem uma renovação. Como o senhor vê essas afirmações?
Vontade de chegar no meu lugar. Eles estão alegando alguma coisa em relação à minha pessoa e eu acho que a pessoa mais apropriada para responder algo sobre mim sou eu mesmo. Se trata de uma vontade tomar o meu lugar. Eu gostaria não que meus adversários fizessem não uma avaliação sobre mim. Eu estava dizendo que sou um instrumento e nesse instante cabe apresentar para todas as pessoas de Franca e região se esse instrumento está sendo útil. Não é um martelinho enferrujado que se joga fora. Esse martelinho aqui está muito bom. A decisão é do eleitor, não dos meus concorrentes.
Em 2011 o senhor chegou a dizer que tinha vontade de disputar as eleições para a Prefeitura de Franca. Se eleito, que garantias o eleitor tem de que o senhor não deixará seu mandato para disputar as eleições de 2016?
Aventaram essa possibilidade e resolvi pensar a respeito. Tinha o direito de pensar a respeito. Mas em 24 anos não tive esse hábito e o que garante ao eleitor que eu não farei isso é o meu passado de 24 anos. E posso afirmar que nesse momento não passa na minha cabeça ser prefeito de Franca. Eu vou repetir: eu sou um instrumento, não a meu serviço, mas a serviço das pessoas. E o lugar onde eu acho que sou útil é na Assembleia. Após 24 anos os governadores já me conhecem, os secretários, as portas se abrem mais facilmente. Consigo responder às questões que são colocadas de forma mais eficiente. Fizemos, inclusive, um jornalzinho no qual elencamos 45 provas do bom trabalho que realizamos. É na Assembleia que posso desenvolver um bom trabalho.
O prefeito Alexandre Ferreira, que é o presidente do diretório municipal do PSDB, não fez nenhuma manifestação de apoio à sua candidatura. Como o senhor avalia essa falta de apoio por parte do prefeito de Franca?
Acho que por razões históricas, eu sou a última pessoa que pode exigir algum apoio por parte do Alexandre. Até mesmo porque eu não o apoiei em sua eleição, por motivos que todo mundo sabe. Como é que eu posso querer que ele apoie agora a minha candidatura? É uma decisão dele. A pergunta tem que ser dirigida a ele. Nós estamos em nosso comitê, que é o comitê regional de coordenação de campanha do Aécio,do Alckmin, do Serra, da minha campanha, está à disposição do candidato Adérmis. Agora, a decisão dele participar, não participar, deve ser perguntado a ele.
Por que o senhor não apoiou o candidato Alexandre em 2012?
Porque ele foi lançado pelo ex-prefeito Sidnei Franco da Rocha, que tentou me destruir a vida inteira. Ele passou oito anos como prefeito de Franca, tendo um instrumento a serviço dele, eleito pelo povo, para trabalhar para Franca e ainda assim ele nunca me chamou para tomar um cafezinho. Ele me colocou no congelador, porque não divide méritos. Ele é uma pessoa que quer os méritos só para ele.
O senhor é criticado por adversários e por parte dos eleitores por anunciar obras que não saíram do papel. Entre os exemplos estão o Bom Prato, a estrada velha Franca-Batatais e o caso mais conhecido, a duplicação da Cândido Portinari, que desde dezembro do ano passado vemos outdoors com o senhor anunciando um serviço que até hoje não começou. Como o senhor responde essas críticas?
Nunca anunciei uma mentira, tudo que eu anunciei é verdade. A duplicação da Portinari, anunciei que já havia uma decisão do governador. A decisão do governador não volta atrás, mas existe toda uma burocracia, uma demora. Daqui uma semana vamos para dar inícios às obras. Foi mentira o que eu anunciei? Não foi, houve um retardamento. A estrada velha Franca-Batatais, o governo anunciou que a estrada seria pavimentada, então eu também anuncie, mas os recursos não foram o suficiente para que fosse feito em 2014, mas vai ser feito em 2015, inclusive com recursos que eu coloquei na lei de diretrizes orçamentárias, 86 milhões de reais, para garantir o recurso da pavimentação. O Bom Prato, nasceu quando o Serra era governador e eu passei a anunciar. Só que a escolha do local é do prefeito e nós sabemos que o prefeito escolhia alguns lugares que, submetidos à secretaria, não eram apropriados. É para ser um local central, onde as pessoas todas que trabalham no Centro e que não podem ir para suas casas tomar suas refeições, pudessem ter acesso ao Bom Prato. Não poderia ser em um bairro. Mas finalmente acertaram o local, então ali na Ouvidor Freire, perto do Poupa Tempo, onde funcionava a Caixa Federal, vai ser estabelecido o Bom Prato, com refeições a R$1 e café da manhã a R$0,50.
Muitos criticam a progressão continuada, implantada pelo governador Geraldo Alckmin na rede estadual de ensino. Qual sua opinião a respeito desse método?
Após a implementação da Progressão Continuada, ela tinha outro crítico, que era o deputado Roberto Engler, por que eu também não concordei com o resultado. A intenção da implantação foi a melhor possível, ela foi inspirada, inclusive, no Paulo Freire, que é o maior educador brasileiro. Foi inspirada nele, mas com defeitos, os defeitos fizeram com que os resultados não fossem os esperados. Então é preciso repensar e consertar o que estava errado. Como é que foi implantado? Com duas avaliações, na quinta e na nona série. O Geraldo Alckmin já mudou isso, porque ele percebeu que a reclamação foi geral, inclusive minha, também. Agora, são três avaliações, do jeito que o Paulo Freire fez. No terceiro, sexto e no nono ano. Nesses três pode haver a reprovação, não tem problema nenhum. Sou contra a progressão continuada da forma que foi implantada. Os resultados mostraram que foi um erro a maneira que foi implementada o sistema. Agora, foram feitas as mudanças. Como esse modelo é inspirado no maior educador brasileiro, Paulo Freire, eu boto fé. Agora, não sou o dono da verdade, vamos observar a nova política para ver se vai dar um resultado bom ou um resultado ruim.
Franca, como muitas outras cidades do interior, sofre com a falta de policiais. Segundo dados da Polícia Civil, nos últimos 20 anos, o número do efetivo teria caído pela metade. Sabemos também que na Polícia Militar faltam policiais. O senhor tem conhecimento dessa defasagem? Visita os comandos das polícias? Tem feito alguma coisa para trazer novos policiais para a cidade?
Estou sempre em contato com o comando da Polícia Militar de São Paulo, de Franca e também de Ribeirão Preto. Tem uma defasagem no policial militar, há uma defasagem salarial. A questão mais alarmante, é na polícia civil, ali sim a defasagem de delegados, investigadores é enorme. Estou sempre em contato e sempre pedindo um aumento de efetivos.
Por que esse déficit é tão grande?
Não sei se a questão das aposentadorias, desistências, o concurso de novos policiais militares para colocar no lugar, processo esse que é mais lento do que na polícia civil. Acho que há uma dificuldade imensa até em reposição de equipamentos, armas, aparelhos de telecomunicação. Quando eu era relator do orçamento, fui durante 9 anos, que é um recorde, sempre prestigiei a polícia civil e a militar com recursos adicionais, exatamente para aparelhar melhor as nossas polícias.
O senhor está lá há 24 anos, nesse tempo o senhor percebeu as defasagens da polícia, que o concurso é muito demorado, que faltam recursos. Por que não houve essa correção? Por que Franca tem hoje metade dos policias que tinha há 20 anos?
Não é uma questão de Franca, é uma questão do Estado e do país. Então, não é a qualidade do deputado que faz com que isso aconteça. O deputado faz a parte dele, ouvir a população e ter a sensibilidade, levar o problema. Estou levando às autoridades máximas, que é o comandante geral da PM, o governador do estado, o secretário de segurança pública o problema que existe na cidade de Franca, estou fazendo a minha parte. Agora, tudo isso é um processo, um processo que é conjuntural.
Em abril do ano passado, o governador Alckmin decidiu centralizar o telefone 190, da PM de Franca em Ribeirão Preto, essa medida é muito criticada pela sociedade. Essas críticas também sobraram para o senhor, para o Gilson de Souza e também para o Ubiali, que foram acusados de não se manifestarem contra essa transferência. Qual a opinião do senhor sobre a medida e o que o senhor fez para tentar evitar essa situação?
O que me cabe não é falar sobre o 190, o que me cabe é ouvir as pessoas e levar lá para cima. Eu posso garantir para você que eu já fui ao comando da polícia militar, comandante da PM falar “Franca está insatisfeita com o 190”. Agora, não sou do Executivo para falar: “190, venha para Franca”.
Mas o deputado também não deve cobrar o Executivo? E o senhor é da base do governo e, como o senhor mesmo frisou, foi relator do orçamento. O deputado também não faz parte?
Quando eu fui ao comando da PM foi do jeitinho que você está falando. Foi fazer o que você está falando. “O meu povo está insatisfeito”, mas eu vou falar a resposta, “esse é um novo plano que não é em Franca, é no Estado de São Paulo É um plano para uma nova tecnologia. É um programa do governo”, o que é um deputado para se insurgir contra um plano de governo? Posso ser contra e daí? O que eu faço sendo contra? É um programa de governo implantado no estado de São Paulo, que visa um atendimento mais tecnológico, mais moderno e vai fazer com que em cada cidade, os policiais militares que tomavam conta dessa questão vão para a rua, fazer a prevenção do crime. Nós vamos ter mais policias nas ruas com a centralização. Foi o que eu ouvi, você pode concordar ou discordar.
E para os eleitores do senhor, o que diria. O senhor é contra ou não?
Faço ressonância com os eleitores, sou contra. Se os eleitores estão se sentindo contra, eu sou contra. O que eu não posso é pegar o comandante pela goela e fazer com que volte para Franca.
Qual avaliação que o senhor faz do seu trabalho como deputado estadual? E gostaria que o senhor avaliasse também o trabalho do seu colega de Assembléia, Gilson de Souza, e do deputado federal Ubiali.
Estou em paz com minha consciência e tenho sentimento de dever cumprido, ao ser conhecido pelo governador, pelos secretários, pelos homens de governo, eles sabem da minha seriedade, sabem das minhas propostas, eles mesmos me conhecem. Em relação ao meu colega Gilson de Souza, acho que ele é muito bom deputado, muito esforçado, ele se comunica maravilhosamente com todos na Assembléia, tenho muito respeito por ele. Teria um pouco de dificuldade de avaliar nosso deputado federal, pois ele trabalha em uma outra esfera, então não sei realmente, não vi ainda uma prestação de contas que eu pudesse sentir e fazer uma avaliação apropriada, acho que ele também faz o possível.
(pergunta do internauta Valdênio Elias Donizete) O senhor tem algum programa para melhorar as condições de trabalho do agente sócio educativo e do agente penitenciário, como, por exemplo, um plano de carreira menos complicado e um aumento salarial verdadeiro?
Tenho admiração por todos os servidores do Estado, por todos os segmentos é claro, mas quem tem propostas de planos de carreira, de aumentos salariais, não é o Legislativo, é o Executivo, é o governador, é o secretário. Se eu falar “ah, pode deixar que eu faço isso” estou enganando, o deputado não faz isso, não é a função dele, a não ser que ele queira enganar, agora, sou um porta-voz, já declarei isso aqui, todos os segmentos que me procuram passo a ser advogado da causa dele junto à estância de um governo competente.
(pergunta do internauta Mikael) O senhor tem propostas para aumentar a ajudas às comunidades de recuperação de dependentes químicos?
Elas são o objeto da minha maior preocupação. Vejo o governador Geraldo Alckmin com sua internação compulsória tão criticada pelos órgãos públicos, pelo Ministério da Justiça, dizendo que ele estava infringindo os direitos humanos. Outro dia passei na Cracolândia, vi aquele monte de pedaços de gente de todas as idades, sexos e condições sociais se auto-destruindo, e os carros bonitos passando ao lado como se nada houvesse, isso é outro Holocausto, é outra escravidão. Geraldo Alckmin fez isso, parabéns. Falam que estava infringindo os direitos humanos, mentira, ali pouca gente foi compulsoriamente, todo mundo pedia “pelo amor de Deus, me dá uma nova perspectiva de vida”, todo mundo queria ser internado, e está chegando em Franca. Em Patrocínio Paulista conseguimos um investimento de 1 milhão de reais para 40 leitos para dependentes químicos, e estão chegando 20 para Franca e 20 para Igarapava. É a interiorização do programa do Geraldo Alckmin, mas enquanto o governo faz isso, quem completa essa questão são as entidades assistenciais ligadas aos dependentes químicos, portanto, todas as entidades que frequentam nosso escritório, nós vamos sempre a ajudar, pois elas fazem um papel maravilhoso de recuperação de pessoas, de jovens, de famílias.
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